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Cultura Pop

Munro: uma criança de quatro anos no exército americano

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Munro: uma criança de quatro anos no exército americano

Grande inovador do mundo dos desenhos animados e dos quadrinhos, o americano Jules Feiffer já escreveu vários livros, peças teatrais e assinou cartuns que, no Brasil, ficaram bastante populares em revistas de conteúdo adulto (Playboy, entre elas). Em 1961, lançou Munro, curta-metragem infantil em desenho animado, que conta a história de um garoto de quatro anos que leva uma vida absolutamente normal – odeia comer comida “de adulto”, adora brincar, detesta dormir e fica adiando para tomar banho. Até que uma novidade surge: ele foi convocado pelo exército americano para lutar numa guerra.

Munro era baseado numa história escrita por Jules e já publicada anteriormente, e teve desenhos feitos por ele – aqui, dá para conferir os storyboards do autor. A direção do desenho foi feita por Gene Deitch, animador americano radicado na República Checa. O filho de Gene, Seth, fez as vozes de Munro e, conforme lembrou Deitch, já era um grande narrador quando criança. Só que, com três anos, não queria dizer de jeito algum que tinha quatro. “Ele dizia: “Mas papai, tenho apenas três anos. Não posso mentir'”, recordou.

O filme ganhou um Oscar de Melhor Curta de Animação em 1961. A primeira exibição ocorrei em 5 de outubro daquele ano, no mesmo evento de lançamento de nada mais nada menos que Bonequinha de luxo. Munro pode ter sido até ofuscado pelo clássico estrelado por Audrey Hepburn. Mas teve a felicidade de tocar em temas bastante inovadores para a época.

Para começar, o menino Munro não entendia direito porque havia sido convocado. No exército, estava o tempo todo sendo posto à prova por causa do seu tamanho, e não conseguia ser ouvido por seus colegas. Sempre que procurava algum adulto para reclamar algo como “eu só tenho quatro anos”, era ignorado. O garoto não consegue carregar nem sequer uma arma direito. Ao ser apontado por um comandante como um exemplo de soldado, e começa a chorar. Só aí é percebido como uma criança, com sentimentos e atitudes próprios da sua idade, mas à custa de muita humilhação.

No texto original de Munro, a ideia de Jules era mostrar como, no dia a dia, o contato com figuras de autoridade envolvia muito abuso psicológico. Visto hoje, o filme ganha o subtexto especial de ter sido lançado em plena Guerra do Vietnã, que mataria milhares de jovens soldados. Feiffer disse numa entrevista que seu objetivo era apresentar a humilhação e o autoritarismo, além das estratégias de dominação psicológica, de forma inocente, sem chocar a audiência.

“Ele conta essa história selvagem, só que de forma divertida e doce, e a constrói. Quem lê o livro ou vê o filme fica estressado, você sente um nó no estômago por causa do óbvio abuso e da ignorância da autoridade”, contou. “E as pessoas se conectam às suas próprias situações com autoridade, dentro ou fora da exército, quando ninguém ouve, ninguém acredita em você. Eles ‘sabem’, você não, e eles podem até começar a convencê-lo, como fazem com Munro, que eles estão certos e você está errado”.

Munro tá aí embaixo. Divirta-se.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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