Cultura Pop
Laura Finocchiaro: um papo sobre música, reality shows e independência

O papo que o Pop Fantasma bateu com a gaúcha Laura Finocchiaro passou por vários temas: seus 40 anos de carreira independente, o lançamento do novo disco, Oxigênio (que foi gravado em seu quarto durante o ano de 2020 e serviu para ela como “um alívio” em meio à pandemia), sua militância contra o machismo e a homofobia. Mas a conversa chegou em mais detalhes: a luta pessoal de Laura contra o jabá na música, seu amor e devoção à obra da irmã Lory F (morta em agosto de 1993 e que ganhou uma homenagem em Porto Alegre no ano passado) e… o período que Laura passou trabalhando na TV.
Pois é, Laura fez canções para o infantil TV Colosso (saíram até no disco do programa) e passou um bom tempo cuidando da produção musical de reality shows, como o Casa dos artistas, do SBT e A fazenda, da Record. No primeiro, sonorizou as cenas de romance entre Supla e Bárbara Paz e chegou a trabalhar mais de 30 horas seguidas – a história da entrada de Laura na equipe, por sinal, rende lances que mais parecem história de espionagem. Na conversa a seguir, ela relembra essa época com detalhes e volta lá no comecinho da carreira.
Foto: Marian Starosta/Divulgação
Como você tá vendo esses 40 anos de independência? E como foi a opção pela independência?
Então, a opção veio quando me dei conta nos anos 1980, quando eu saía em todas as revistas … Porque eu era novidade, né? E o mercado precisa de novidade.
Eu me lembro.
Aí chega uma mulher, guitarrista. A partir de 1981 eu comecei a empunhar minha guitarra e meu primeiro show foi oficialmente em 1982. O nome era Minha grande paciência ser gente. Era meu show autoral, onde eu comandava a banda, que era gigantesca: sax, percussão, bateria. Eu que fiz os arranjos, eu que dirigi, fiz os arranjos dos backings. Como foi 1982 eu marco 40 anos, foi o primeiro show. Antes eu cantei com o Taranatiriça, o Gordo Miranda (o produtor Carlos Eduardo Miranda) montou essa banda. O primeiro show que eles fizeram, fiz backings pra eles. Mas isso era 1979, 1980. Depois veio o Carlinhos Hartlieb, um grande compositor gaúcho, que fez um trabalho incrível de rock no Sul. E foi no show dele que ele me deu o primeiro espaço para fazer uma música minha.
Comecei a compor por volta de 1980, quando me apaixonei pela primeira mulher da minha vida. Foi por causa da poesia e da voz dela. Desde criança e adolescente eu que animava as festas dos meus pais. Aprendi violão aos nove anos, quando fui para a primeira aula, de mãos dada com a Lory F, minha irmã, grande roqueira. Aliás, tu vai ter que mergulhar na obra dela, hein?
Claro!
Esse ano ela foi iluminada, 28 anos depois da morte dela, a Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, fez um palco com o nome Lory F. Veio também a exposição, um documentário que já tem mais de mil visualizações, e foi feito por um jovem de 23 anos. Tem shows, lives… Eu consegui relançar o disco dela, que fui eu que mixei depois da morte dela. E o disco entrou para os 50 melhores discos de rock do Sul, o Lory F Band. A vida inteira eu a homenageei mas esse ano fiz um show a ela, Tributo a Lory F no dia mundial da aids, em São Paulo.
Até hoje, por causa da morte da Lory, me tornei uma artista militante. Passei a ter que entender a morte, porque eu não aceitava, ela era minha vida, minha parceira. Foi ela que me levou para o rock, ela era minha baixista, a gente tocava juntas, ela que me acompanhava. Minha paixão pela música é igual até hoje. Esses dias o Luizinho do Duofel (Luiz Bueno) me viu tocando e me disse: “Laura, tu parece uma criança tocando, você toca de um jeito adolescente”. Ele que me fez perceber como eu sou criança até hoje. Fiquei naquele lugar da paixão pela música.
Eu vim para São Paulo nos anos 1980 fazer um show no Lira Paulistana, fiquei dez anos fazendo show aqui, fui revelada por Veja, Isto É, Folha, JB, aparecei em tudo quanto é lugar. Cheguei dez anos depois no Rock In Rio (Laura participou da segunda edição, em 1991), mas não conseguia entrar no mercado porque eu tenho essa ingenuidade. Faço música com amor e eu não consigo. Vejo essa putaria, o quanto esse mercado da música brasileira é vazio de arte. Só tem gente corrompendo, pagando pra fazer sucesso, os produtores não sabem escrever uma partitura, são uns merdas. A maioria é embuste. Não vou cair numa roubada dessas por causa de sucesso.
Nos anos 1980 eu ia nas rádios e falavam: “Só posso tocar se tu pagar mil reais por mês”. E meu show estava arrebentando. Nos anos 1990 procurava as rádios e era 40 mil, 20 mil reais… Vim para São Paulo só com a passagem de vinda, não tinha dinheiro para voltar. Mas eu dei até mais que meu sangue pela minha carreira. Com 40 anos de luta, eu não sabia que seria tão difícil. Quando eu estive na TV qualquer coisa que eu quisesse eu conseguia, né? Mas aí eu tinha um crachá. Mas minha história é fazer música, fazer rock.
E eu me sinto roqueira mas não sou rock´n roll. Lembro que fui no programa do Serginho Groisman quando fiz o Rock In Rio e um garoto ligou para la e reclamou que eu não era roqueira! Até o Serginho falou: “Mas como vocês são caretas! Ela não faz rock mas ela é roqueira, tem atitude!” Hoje eu entendo que tenho atitude porque ninguém me compra. Hoje até essas merdas de banner do Spotify e impulsionamento de Facebook me revoltam. O Facebook não é honesto. Se você pagar 5 reais não resolve nada. Tem que pagar 500. Só que no outro você tem que pagar 1000, no outro 1500, é que nem uma progressão geométrica. Esses algoritmos comem o negócio.
Então respondendo sua pergunta lá do começo, é como se eu estivesse começando (rindo)... O Sesc me encampou no começo e hoje ninguém lá me atende, aliás em lugar nenhum. Só vou conseguir manter minha carreira se passar em editais. O primeiro edital que eu passei foi o da Lei Aldir Blanc, porque aí os artistas já estavam passando fome e eles passaram todo o mundo. A Benedita da Silva (PT) é responsável por isso, ela que levou adiante. Foi a primeira vez que tive ajuda federal na carreira, daí fiz três videoclipes novos. É um projeto que se chama Laura Finocchiaro Live Show. Contratei uma equipe e consegui dar um hype na minha carreira enquanto eu gravava o disco novo, Oxigênio, que eu quis gravar no meu quarto. A essa altura, em 2019, eu já estava cheia de música nova, com uma letra inédita do Jorge Salomão…
Muito linda a letra, por sinal.
É demais, não é? E quando eu vi aquela letra, pensei: é impossível de musicar. Porque não tem um refrão. Eu fui deixando a letra mais pop, tirei umas coisas. Era difícil de fazer, mas falei: eu vou fazer. Falei que ia fazer um disco em casa, sozinha, e fiz. Não tinha nenhuma gravadora, tentei Biscoito Fino, várias, ninguém quis. Aliás, ninguém nunca me quis. Eu tenho a máquina em casa, sou formada em áudio, faço música eletrônica desde os anos 1980 e fui pioneira em música eletrônica no Brasil.
Dessa vez fiz sozinha, mas lá pelo meio do caminho, o Hans Zeh, que é meu amigo desde sempre, é produtor, é técnico de som, trabalhava com o RPM, me ofereceu ajuda. Ele produziu duas músicas porque eu queria ter pelo menos onze e não estava dando tempo. Demora muito tempo fazer tudo, eu escrevia a música, a partitura, os arranjos, depois pré-produzir…
Você compõe no violão mesmo? Como é a composição?
Faço de várias formas. Às vezes vem da cabeça, quando eu estou andando, aí vem a letra, uma ideia, e escrevo. Aí faço a harmonia em cima da letra. Às vezes um parceiro me dá uma ideia. Os parceiros que eu tenho, eu que inventei. Eu os obrigo a fazer letra. Tu já tá convidado também!
Opa!
É, eu peguei muito jornalista que nunca tinha escrito letra, o João Luiz Vieira por exemplo é jornalista. Falei: “Escreve sobre o vírus no Brasil, sobre o lockdown, sobre o Bolsonaro”. Ele escreveu Vírus. Só que não era exatamente aquela métrica, aí eu venho e faço a métrica.
Eu ia até perguntar sobre isso: por que é que tem dois jornalistas compondo com você?
Porque eu gosto, todos os meus casamentos foram com jornalistas (rindo). Apesar de eu amar músicos nunca casei com um. Preciso de uma coisa que não seja igual a mim e que me desafie. E jornalistas desafiam! (risos) A Cilmara Bedaque, uma das minhas primeiras parcerias, era jornalista e nunca tinha escrito letra, não se considerava letrista. E fizemos várias. A Vange Leonel (cantora, compositora e esposa de Cilmara, morta em 2014) gravou com a banda dela, Nau, Linha esticada, que é uma das músicas mais lindas que eu tenho, e a interpretação dela é linda.
No começo da carreira, com quem comparavam mais você?
Sempre me comparavam com Rita Lee e Cássia Eller, aqui do Brasil. Fora daqui era Joan Baez, Patti Smith, Bjork, por aí. Até Madonna!! Já tive meus tempos de Madonna. Talvez se a grande indústria tivesse investido em mim na época do Rock In Rio eu virasse a Madonna! Eu fazia aula de dança, tinha bailarinos, coreógrafos, fui a primeira mulher a misturar eletrônico com acústico no palco, usando gravações.
Na época nem tinha MIDI, podia dar um pau. Tinha que pré-gravar e levar em DAT. O Prince fazia isso em ADAT e levava 48 canais pré-gravados. Eu tava no palco do Prince no Rock In Rio e vi como ele fazia. Embaixo do palco dele tinha um japonês vestindo um terno Armani, a coisa mais chique, comandando uma sala técnica que era um estúdio. E embaixo do palco dele! Ali eu entendi como faziam shows ao vivo, aqueles espetáculos. Se eu estivesse lá fora, eu era milionária. Imagina, eu fiz TV Colosso…
Você fez várias músicas do disco da trilha do programa, não foi? Como foi isso?
Eu que inventei essa coisa de música de pista para crianças! Eu já vivia na pista. Quando me encomendaram as músicas, foi me inspirar nas pistas de dança. Só que eu peguei o groove eletrônico das pistas que eu convivi. Conheço isso, sou gay, conheço os gays, isso é dos gays.
Por mais que depois o Tutinha tivesse vindo inventar de fazer aquela merda de música eletrônica que tocava na Jovem Pan, aquilo é coisa de heterossexual que não conhece o mundo underground. Underground é pra quem dá o c… e quem dá o c… é gay, eu sou amiga dos gays! Desculpa, mas fui bem literal (rindo). O hetero não tem a vivência do underground, e a música eletrônica é do underground. Essa música eletrônica de pista é uma merda…
E ficou muito banalizada essa coisa da música eletrônica para dançar.
Ficou! Quem tomou conta foi a grande indústria, né? E ela faz essa merda, feita por essas pessoas que não estão no underground, e não é de verdade. As pessoas consomem mentira, consomem carne, açúcar branco, se matam… Eu falo isso porque sou macrobiótica, não como carne há mais de 35 anos, li sobre yoga, hare krishna. A Lory foi minha mestra. Por isso que eu a homenageio até hoje, acredito na contracultura, acredito em milagre, acredito que a vida é tão maravilhosa que não pode ser só essa mediocridade que o mercado de consumo quer oferecer pra gente.
Como você vê o fato de as pessoas hoje em dia só quererem saber de números?
Ah vão se f… os algoritmos, né? Vou fazer uma música sobre os algoritmos, não dá para a gente ser refém disso. Não é para mim. Hoje eu tenho orgulho de só ter 2 mil seguidores no meu Instagram. Tenho 5 mil em cada Facebook, nem sei porque me seguem, se são fãs ou não. Não é uma coisa louca, não é comprado (rindo). É tipo amigo, vou ficando amiga. Meu YouTube tem mais de 500 vídeos, posto desde 2014 lá. É uma obra incrível que tá lá, ninguém sabe, mas tá lá.
Isso teria um valor. O Ruriá Duprat, sobrinho do Rogério Duprat, até me disse que se eu estivesse em Nova York ou Miami, eu estava de limusine na porta de casa e morando na cobertura (rindo). E eu faço trilhas sonoras também, desde os anos 1980.
Você tem feito trilhas?
Nos anos 1980 eu fiz muita coisa para teatro, tudo underground, fiz vídeo artístico, trilha de desfile de moda, Phytoervas Fashion, antes de ser hype. Fiz trilhas para Glória Coelho, Reinaldo Lourenço, Marcelo Sommer, gente top. Era tudo em colagem, depois veio a ter um nome, bootleg. Nem sabia que existia essa técnica. Eu mal tinha dinheiro, trocava o trabalho por roupa! O objetivo era fazer uma trilha que soasse bem na pista, fosse inovadora e tivesse a cara da coleção, e chamasse a atenção do público.
Eu nem podia entrar num estúdio sem grana. Roubava de LPs e CDs e mixava em quatro canais, em fita K7. E botava coisas minhas gravadas por cima, remixava, mandava por DAT, passava pro CD. No final Renato Lopes, Mau Mau e Patife, três grandes DJs, até me pediam para ensinar como que fazia. Eu aprendi – não sei como – a fazer, estava no meu sangue. No sangue da Lory estava o rock e no meu estava o “essa mulher sabe inventar!”. Virei um Professor Pardal na música.
Eu vou inventando sonoridades, mexo com música, gosto de timbre, de som, por isso fez essas camadas sonoras nos arranjos do Oxigênio, e por isso nenhum disco meu é simples. Acabei sendo pioneira nos reality shows com a Casa dos Artistas, fiz 20 reality shows pro Silvio Santos, sete temporadas da Fazenda…
Como foi isso?
Eu acabei inventando o workflow dos reality shows. Não existiu ninguém antes de mim fazendo isso. A Lory já tinha morrido, eu tinha virado zen budista, já havia aceitado a morte, o amor intransponível. E trabalhava em ONGs cantando para crianças. Já atuava no meio da militância gay. Cantava em hospitais, dava aulas. E fazia trilhas para desfiles de moda e shows. Vivia saindo na coluna da Erika Palomino, na Sui Generis, Around.
Um dia toca o telefone, eu saindo do GRAAC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), onde eu cantava. Uma pessoa do SBT disse: “Laura, a gente sabe que tu trabalha com trilha sonora e estamos fazendo um projeto secreto aqui. E precisávamos de um produtor musical. Mas é uma reunião secreta, não podemos dizer o endereço. Não é no SBT. Tu precisa estar em tal praça, em tal horário, uma van vai te buscar”. Foi assim. Fui pra tal praça em tal horário, a van estava me esperando. Me levou para uma casa no Morumbi.
E aí?
Chego nessa casa, uma sala gigantesca, a casa já toda montada para ser um estúdio. Vou num andar em que tinha uma dala de reuniões, uma mesa gigantesca, um monte de gente, e numa ponta o Rodrigo Carelli, diretor do programa. Ele era diretor da MTV na época, tinha feito umas coisas que tinham dado super certo, Rita Lee ao vivo, etc. Ele era referência de música e foi contratado pelo Silvio para fazer esse projeto, que foi roubado da Endemol. Ela trouxe o Big Brother pro Brasil, fez uma reunião com o Silvio. Silvio não comprou o projeto, roubou a ideia, e mudou o nome.
Ele fez a própria bíblia, do projeto. O projeto original tem uma bíblia, é um livro grosso pra c…, que é vendido, e tem todas as regras. Silvio construiu o projeto e o Rodrigo, que me conhecia da MTV e da TV Gazeta, mandou me chamar. Eu tinha dado uma entrevista para um programa da TV Gazeta apresentado pela Marta Suplicy, sobre mulheres. Nem me lembrava mais disso. O Rodrigo trabalhava para a Marta nessa época e me entrevistou, daí me chamou.
Ele fez a reunião e me disse: “Tô te chamando porque sei que tu tem as mãos limpas”. Isso eu nunca vou esquecer. Ou seja: ele sabia que ninguém me corrompia, e que por isso, eu iria fazer uma produção musical que seria orgânica, original. Eu não ia aceitar dinheiro que essas babas dessas gravadoras pagavam para tocar, e pagavam a todos os produtores. Eu fiquei honrada, mas perguntei: “Quantas horas dura esse trabalho?”. Ele disse que como era a primeira vez eles nem sabiam, então era 24 horas! Falei que não podia por causa da ONG, cantava para as crianças três vezes por semana e o trabalho estava me dando vida. Falei que agradecia mas não aceitava, e fui embora.
E depois?
Quando eu tô saindo, na escada, a produtora me pega pelo braço e me fala: “Laura, tu é louca! Eu sei que tu não tem dinheiro, que tu não consegue ganhar dinheiro, isso vai te colocar em outro patamar, tu vai virar produtora musical do SBT, vai ter um salário”. Eu precisava ir pra casa pensar, eu amava o trabalho da ONG, cantava para crianças com câncer, tomando quimioterapia. Eu compunha para a criança no leito, na hora. Fiz isso por três anos. Aí que eu entendi que a música transforma, nem estava mais naquela onda do show business, de querer ser a Madonna.
Fui pra casa. Minha namorada, Suzy Capó, que era diretora do Mix Brasil, me pegou e falou: “Laura, a gente tá dura, não tem nada, vai trabalhar no SBT pelo amor de deus” (rindo). Pedi pro Julião, um músico amigo meu, ficar no meu lugar. Fui pro SBT e passei a ganhar dinheiro. Nunca tinha ganhado um salário! Cheguei no SBT e o que eles tinham pra me oferecer? Eles nem sabiam o que fazer, só sabiam que precisavam de música 24 horas por dia. Tinha mesa de som, eles estavam montando a parte de imagem, um equipamento incrível, aprendi pra c… Eu vi a transmissão da internet pela primeira vez, pelo UOL. O UOL ia com um caminhão para lá. Vi chegar o equipamento, senti o cheiro do equipamento…
Então praticamente você viu a reconstrução da televisão no Brasil, porque depois disso aí nada foi o mesmo, certo?
Eu vi os caras chegando com as máquinas, gente montando a sala, os engenheiros vendo como seria: “Onde fica essa câmera?”. Fiquei quinze anos no reality show, e depois quando chegou na Fazenda, vi o que isso tinha virado. A grandiosidade do equipamento, o que era transmitir de Itu (SP). Eu tava lá.
A Casa dos Artistas bateu a Globo com o beijo do Supla e da Barbara Paz tocando I say a little prayer for you, com a Aretha Franklin, quem botou a música fui eu. Quem acordava eles todos os dias com música era eu. Também botava pra dormir, era a DJ de todas as festas, editei todos os videoclipes que foram pro ar com música, sonorizei todos os domingos os programas do Silvio Santos… E fiz tudo sozinha. Sem assistente. No final, trabalhei 32 horas seguidas.
Como você aguentou isso?
Eu estava amando ganhar salário, ter dinheiro para comprar comida, ter uma faxineira, pagar aluguel. Era sempre a Suzy que me ajudava, eu estava amando dar dinheiro para ela. Isso me motivava. E eu era a dona da ideia, tudo que eu quis fazer, eu pude fazer. Eles me deram 250 mil para investir na música. Depois foi para 200 mil, até que chegou um momento em que eu não tinha dinheiro para música, mais (rindo).
Eu nunca joguei fora os cadernos da Casa dos Artistas e da Fazenda, tenho tudo guardado, todas as músicas que eu toquei em todos os programas, tenho as planilhas. Muita coisa. Mas enfrentei: disse que não aceitava jabá e que só tocaria o que eu quisesse. Começou a chamar atenção a ponto do Jotabê Medeiros escrever no Jornal da Tarde que a trilha sonora era a melhor coisa do programa. Me entrevistou, deu uma página inteira, começaram a me entrevistar e o SBT começou a ter uma mulher só para controlar as entrevistas que eu dava. Começaram a pedir para eu ficar quieta e não implicar demais com a indústria, mas eu não ficava. Lavei minha alma.
E o que aconteceu um dia: o Silvio Santos foi na minha sala. Eu estava editando alguma coisa, levei meu computador para lá, meus softwares. Precisava disso porque a música era em tempo real. O Silvio falou: “Como é que você faz esse trabalho?”. Ele foi com as filhas, elas falando: “Pai, vamos gravar um disco da Casa dos Artistas!”. Ele: “Vamos, vamos!” Quando eu levantei meu joelho dobrou, não acreditava que era ele ali, querendo saber como eu fazia aquilo. Falei: “Mestre, fiz isso com amor, amo fazer isso”. Aí vi o Silvio dobrar o joelho, porque parecia que eu estava mostrando uma cruz para um vampiro (rindo). Imagina, falar de amor dentro do SBT? Na indústria do entretenimento só fazem coisas por dinheiro.
Cultura Pop
Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.
Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.
O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.
Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.
Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.
Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.
De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.
Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.
Foto: Reprodução Internet
Cultura Pop
Qual é a dos dois discos novos de Lana Del Rey?

Lana Del Rey passou tanto tempo adiando e reformulando o próximo álbum que já dava para imaginar que ele nunca chegaria. Primeiro era Lasso. Depois virou The right person will stay. Em seguida apareceu como Stove. Agora a cantora resolveu complicar um pouco mais o roteiro: além de Stove, ela diz que também está preparando um segundo álbum inédito.
A novidade surgiu em uma publicação no Instagram, onde Lana contou que o disco extra nasceu durante o mesmo processo criativo do sucessor de Did you know that there’s a tunnel under Ocean Blvd. Segundo ela, o novo trabalho funciona como uma espécie de “companion album”, desenvolvido quase ao mesmo tempo que Stove.
- Os bastidores do raro Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, que ganha lançamento oficial
A cantora também afirmou que esse segundo disco surgiu das transformações pessoais e criativas que viveu nos últimos quatro anos, funcionando como uma espécie de contraponto ao álbum principal. Se tudo correr como planejado — e essa ressalva é indispensável quando o assunto é cronograma de Lana Del Rey — os dois discos devem ficar prontos em cerca de um mês para seguir para a prensagem em vinil.
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Ela também afirmou que ambos já têm capas prontas e descreveu os projetos como algumas das obras de que mais se orgulha. O álbum principal, Stove, continua reunindo os singles Henry, come on, Bluebird e White feather hawk tail deer hunter, além de outras músicas que ela vem mostrando ao vivo nos últimos meses. Tudo indica que First light, single lançado como single da trilha sonora do jogo 007 First Light, escrito em parceria com David Arnold, é só um projeto à parte e não estará no disco.
Embora Lana ainda não tenha confirmado um título para o álbum companheiro, fãs passaram a chamá-lo de Spyda após identificarem esse nome em uma das artes divulgadas pela cantora nas redes sociais (aliás, no Reddit, tem fãs reclamando que a imprensa tá caindo rapidamente numa suposição deles mesmos, os fãs)
Ainda não há datas de lançamento para nenhum dos dois discos. Mas, considerando o histórico recente da cantora, talvez seja prudente evitar tatuar qualquer título no braço até que eles realmente apareçam nas plataformas de streaming. Afinal, se um álbum já mudou de nome três vezes antes de nascer, nada impede que um quarto nome apareça antes do play.
Cultura Pop
Os bastidores do raro “Joy Division – A Malcolm Whitehead Film”, que ganha lançamento oficial

Falamos na semana passada: tá pra sair a caixa Eternal (Live) contendo praticamente tudo que existe do Joy Division ao vivo. O pacote sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos em 14 CDs, além de dois DVDs. Um dos DVDs traz uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.
Malcolm era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.
Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.
O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.
Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.
Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.
Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.
Em 2007, o documentário Joy Division, dirigido por Grant Gee, mostrava a história da banda a partir de entrevistas inéditas e imagens nunca vistas ou bem raras. Malcolm não apenas foi um dos entrevistados como também teve imagens de seu curta incluídas no filme.
A revista Arts & Music fez uma entrevista com Malcolm na época, e descreveu Joy Division – A Malcolm Whitehead Film como um retrato de uma “Manchester perdida”. O site FactoryRecords.org resgatou o papo com Malcolm, feito pelo repórter Jamie Holman. E nós reproduzimos abaixo. Pra entender mais o que está por trás do filme, é importantíssimo.
Como surgiu seu filme? Aconteceu porque eu já era amigo do Rob (Gretton) desde que trabalhávamos no aeroporto e depois quando ele era DJ no Rafters. Eu costumava ir lá assistir bandas e o Rob acabou empresariando uma banda chamada The Panik. Eu estava começando como cineasta na época, autodidata, filmando em 8mm.
E começamos um filme que não deu em nada. O show do The Panik na última noite do Electric Circus. Estava muito escuro e a filmagem ficou péssima. Acabou ficando de lado. Aí o Rob me ligou e disse: “Estou empresariando uma banda nova chamada Warsaw e me perguntou se eu queria ir vê-los no The Factory”.
Fui vê-los no antigo Russell Club e eles foram absolutamente incríveis; me arrepiaram. Quis fazer algo com eles naquele instante. Fui falar com o dono da loja de discos local e contei a ele sobre o clube Bowden Vale em Altrincham, onde eu tinha visto inúmeras bandas em 1963-64, e disse que ele deveria voltar a promover shows.
Mais tarde, apresentei-o ao Rob, que tinha um monte de cópias do primeiro EP da banda que sobraram. Eles estavam sem dinheiro, então venderam tudo para o dono da loja de discos, e ele as colocou para tocar em Bowden Vale. E era isso que eu queria desde o início, sabe? Eu queria filmar a banda. Então, aluguei alguns andaimes e equipamentos e fiz tudo.
Com que equipamento você filmou? Bom, tudo custou setenta e duas libras, o que eu achei um absurdo! (risos) Filmei com uma câmera de cinema Hannimex baratinha, a primeira câmera que tive. Usei um filme da Agfa que lançaram na época, que tinha uma faixa de som, mas vinha num cartucho silencioso e o som era adicionado depois, no projetor. Então filmei sem som e gravei o áudio num gravador de rolo. Era para sincronizar depois, mas não funcionou! Filmei a vinte e quatro quadros por segundo, mas só funcionou a dezoito.
Só descobri depois! Filmei tudo com uma câmera e só tinha dinheiro para três cartuchos. Cerca de nove minutos. Filmei duas músicas e meia de uma vez e depois fiz cortes, tentando não incluir instrumentos para poder inseri-los como cenas adicionais sobre o que já tinha filmado. Então, fiquei com os três cartuchos e uma fita de rolo com o show inteiro. Eu já tinha começado as outras partes do filme antes do show.
Isso é a parte técnica da atuação. Mas qual é o significado do filme como um todo? O que você estava tentando fazer? Começa com New dawn fades. Você sabe, essa é a música que está tocando, e ela simboliza esse novo amanhecer do fascismo com James Anderton, o chefe de polícia de Manchester na época. Ele foi um precursor de Thatcher, pois era de extrema-direita, religioso e queria reprimir os jovens.
Então o filme passa de “O Desvanecimento de uma Nova Aurora” para o tema nazista. Mas não era uma nova aurora, era um retorno ao passado. Ouvimos discursos de Adolf Hitler misturados com Anderton falando sobre campos de trabalho forçado em uma entrevista que ele deu a Tony Wilson, curiosamente (o criador da Factory era apresentador de talk shows na TV). Ele dizia coisas como: “Eles serão obrigados a trabalhar como nunca trabalharam antes”, e isso leva a uma montagem de anúncios e cenas de ruas do centro de Manchester. Este é o consumismo – o novo fascismo! Nesse ponto, era algo local, mas dava a sensação de que algo muito ruim estava acontecendo e que se tornaria maior.
Então você tem essa coisa de lei e ordem, esse fascismo corporativo, e aí eu corto para a banda na sala de ensaio. Parece ótimo, bem underground. Sabe, underground no sentido político, tipo a resistência francesa. Mas esse era um underground cultural. Eles eram a resistência contra tudo isso lá fora.
O que era que havia de tão especial no Joy Division? Eles eram simplesmente poderosos demais. Eu sabia que eles iam bombar. Não havia motivo para pensar isso, na verdade, só tinha umas dez pessoas no Factory Club. Eu não conseguia acreditar. Eu simplesmente sabia que aquilo era a nova onda. Era isso. Eles eram muito mais do que o punk tinha se tornado, que basicamente era só uma banda para substituir as bandas de pub rock. Aquilo era algo maior e artisticamente mais significativo do que o punk. Pelo menos para mim.
O que aconteceu com o filme quando foi editado e sincronizado? Foi exibido pela primeira vez no antigo cinema Scala, em Londres – um cinema de verdade!
Qual foi a reação a isso? Bem, eles fizeram três exibições ao longo de um dia, e todas estavam lotadas; houve aplausos e tudo mais, o que foi estranho, já que eu nunca tinha exibido um filme em público. Foi realmente emocionante.
Onde mais foi exibido? Bem, um cara me ligou de Berlim e, honestamente, eu era tão inocente na época que mandei o filme para ele. Não dava para fazer cópias decentes. Então ele foi para Berlim, e tinha gente fazendo fila na porta para assistir. Eles exibiram e exibiram, sabe-se lá quantas vezes. Por sorte, eu tinha coberto o filme com preservativo e antirrisco. Tinha umas perfurações amassadas quando recebi de volta, mas não era nada demais. Na verdade, não causou problemas de verdade até bem recentemente, quando restaurei o filme com Brian Nicholson (associado de longa data da Ikon, ‘confidente e cúmplice’; ‘guardião do que alguns chamam de arquivo’).
Há alguma filmagem ou trilha sonora que não entrou no filme? Tem o áudio completo do show, exceto New dawn fades, porque eu estava ajustando os níveis naquele momento. Também tem uma tentativa de entrevista que deu errado porque eles não queriam falar! Então eu gravei essa parte, já que o filme era muito caro e não dá para desperdiçar. Tem também uns trinta minutos de áudio da sala de ensaio. Eu também entrevistei o Rob no meu apartamento. Essa entrevista está em uma fita cassete, acho que tem trinta minutos.
A banda viu isso? O Ian adorou; o resto da banda não entendeu muito bem. Eles desceram para falar com um amigo meu, mas o Ian ficou e depois disse que tinha entendido e achado ótimo, e isso significou muito, já que era o Ian que eu queria para dar o aval. Quando foi transferido para vídeo, nós o exibimos algumas vezes em shows — A Certain Ratio — e a primeira versão, que é uma porcaria, é o bootleg que você vê na internet. É realmente uma porcaria, essa cópia, e só tem a performance do Joy Division.
Por que nunca foi lançado pela Factory ou pela Ikon? Por que não está na Here are the young men? (coletânea de vídeos do grupo). Bem, este era o meu filme. Não era um filme do Joy Division nesse sentido. Era o meu filme e eu nunca pensei que estivesse terminado; ele seria muito mais longo. E havia um problema com a questão nazista. A banda estava farta disso, e eu não ia tirar. Significava algo. Eles estavam cansados de serem associados ao fascismo. Mas eles não eram, sabe? O nome sugere o que eles realmente eram: antifascistas. E então o assunto não foi discutido por mais de vinte anos.
Então, quem é o proprietário agora? A Cherry Red Records comprou. Quer dizer, não me importa quem seja o dono, eu só queria que fosse restaurado corretamente.
Quem o restaurou? Eu e Brian Nicholson. Eu e Brian trabalhamos juntos como uma parceria cinematográfica há vinte e seis anos. Ele restaurou e transferiu o filme para a emissora Granada, e eu o reeditei e o estendi para incluir três músicas completas.
Você algum dia vai se livrar do Joy Division e seguir em frente? Bem, senti essa responsabilidade ao longo dos anos e espero poder passar todo o resto adiante. E com o lançamento do novo documentário, pelo menos sei que parte dele finalmente está sendo visto e que existe uma cópia remasterizada decente por aí.



































