Cultura Pop
João Donato redescoberto

A era do CD foi uma era de redescoberta para o som do já saudoso João Donato, aqui no Brasil. E isso bem antes dos discos antigos dele, bastante raros, chegarem às lojas. Em 1992, o produtor e compositor carioca Fábio Fonseca, que tinha tocado em bandas como Cinema A Dois e Ed Motta & Conexão Japeri (e é coautor do hit Manuel) adiantou-se bastante na descoberta do lado pop do autor de Bananeira.
Fabio, então com moral justamente por ter trabalhado com Ed, foi contratado pela PolyGram (hoje Universal Music Brasil) e lançou por lá o disco Tradução simultânea, creditado a Fabio Fonseca and Friends. Os “amigos” eram Fernanda Abreu, Claudio Zoli, Mathilda Kovak, Marina Lima, a estrela teen Nanda Rossi e… ninguém menos que João Donato, que fazia uma participação especial em A mulher de 15 metros, cantada por outro dos friends de Fábio, Luiz Melodia. Uma participação especial que o tempo esqueceu. A versão CD do disco valorizava a canção e ainda trazia a versão instrumental dela.
João Donato passou um bom tempo sumido do mercado fonográfico – lançou apenas um disco em 1986, o ao vivo Leilíadas, e nada mais. Os anos 1990 já foram um pouco diferentes: em 1995 Donato voltou a gravar pela EMI, e soltou Coisas tão simples. O álbum ganhou show de lançamento na Boate Ritmo, no Rio de Janeiro, em abril de 1996, e um texto de Edmundo Barreiros no Jornal do Brasil dá conta de que a noite não foi nada agradável: uma baita chuva atrasou tanto João quanto o público, problemas de som deixavam o trombone da lenda Raul de Souza (um dos músicos da banda) soando mais alto que a voz de Donato, uma turma enorme preferia conversar a prestar atenção no show.
Depois disso, Donato arrumou abrigo por uns tempos na Lumiar Music, empresa criada por Almir Chediak para lançar songbooks de artistas, e que migrou para o comércio de CDs dos próprios songbooks, com regravações feitas por nomões da MPB, além de outros projetos. Em 1999 já estava planejando um songbook de João (lançado de fato naquele ano) quando começou a ser noticiado o lançamento de Donatom, um disco em que o músico tocava só canções de Tom Jobim. O disco saiu, mas com outro nome: Só danço samba. No repertório, a faixa-título, Corcovado, Caminhos cruzados, Vivo sonhando, Garota de Ipanema.
O disco saiu na hora certa para mostrar ao Brasil um som que já fazia mais sucesso no Japão do que aqui – mas que ainda soava anacrônico demais para ganhar público jovem. Em compensação, o século 21 viu vários lançamentos novos de João Donato, por selos como Biscoito Fino e Deck, e tendo como convidados nomes recentes como Marcelo D2 e Marisa Monte, além de Joyce, Emilio Santiago, Wanda Sá e outros. Também fez participações em discos de nomes como Tulipa Ruiz.
Agora, uma redescoberta de tamanho significativo ocorreu quando três discos clássicos de de João voltaram às lojas em formato CD. Em 2002, Quem é quem (1973), primeiro disco de “música com letra” de João Donato, foi reeditado na série Odeon 100 anos, sob supervisão de Charles Gavin. Um álbum que mal havia tido show de lançamento quando foi lançado – Donato, sabendo disso, mandou comprar vários vinis e atirou todos do alto do Outeiro da Glória.
“Chamei a Paula Saldanha, que era repórter da Rede Globo, levei uma caixa de discos e, do topo da escadaria, lancei vários LPs no ar. A turma correndo atrás para tentar pegá-los e o pessoal da Globo filmando”, contou em 2014. Já em 2004, foi a vez de Lugar comum, disco de 1975, voltar às lojas pela Dubas, com capa reimaginada – o álbum já havia retornado, só que no Japão. Dessa vez, muita gente iria conhecer as várias parcerias de Donato com Gilberto Gil, incluindo A bruxa de mentira, Emoriô, Bananeira e Que besteira – que já havia sido popularizada em 1975 por causa da trilha da novela Pecado capital. Ambos os discos, Quem é quem e Lugar comum, já haviam saído em edições em vinil de pequena tiragem nos anos 1990, mas aí o retorno aconteceu de vez.
E também teve A bad Donato, o “disco psicodélico” do músico, lançado originalmente em 1970, que também voltou às lojas em CD pela Dubas em 2004. O álbum já vinha sendo reeditado em vinil lá fora, e não era um disco estranho ao mercado nacional (a Philips o lançou em vinil por aqui quase em tempo real), mas os teclados lisérgicos, os metais cheios de balanço e as guitarras em wah-wah do álbum, perfazendo um groove que marcou gerações, voltou de vez para o público brasileiro aí. Muito provavelmente você, ou alguém que você conhece, tomou contato com a obra de Donato por intermédio de um desses relançamentos.
Foto: reprodução da contracapa do LP Quem é quem
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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