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Som

Fizeram um vinil com a trilha do Windows 95

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Fizeram um vinil com a trilha do Windows 95

Já que andou aparecendo até gente relembrando o bug do milênio por causa da queda geral no WhatsApp, Facebook e Instagram, nada melhor (melhor?) do que recordar o Windows 95 e os sons que o sistema fazia quando era acessado. E para acompanhar a onda de nostalgia, um usuário do Reddit chamado LegbootLegit resolveu criar por conta própria um disco de vinil com as trilhas sonoras do Windows 95.

Fizeram um vinil com a trilha do Windows 95

Bom, o cara não mandou fazer um single com as músicas (a trilha, no total, dura 20 segundos). Mandou fazer logo um disco em formato LP com todas elas, e com as mesmas faixas nos lados A e B. No Imgur, além das fotos, tem ainda um vídeo mostrando o vinil sendo executado. No Reddit, tem uma turma perguntando se o cara fez isso por amor à obra de Brian Eno  – que  compôs a trilha de abertura do Windows 95 (por sinal fez a música usando um Mac, como admitiu nesse papo aqui). Uma outra pessoa fez uma observação interessante: se o disco tiver 4 rotações por minuto, são dez minutos de música (não tem, são 33 rpm).

O tal cara garante que o disco funciona bem, apesar de ter sido feito o mais artesanalmente possível. “Eu projetei este disco de vinil e a capa, e então alguém os produziu para mim usando um torno. Eu estava preocupado que o som fosse fraco ou que alguns players pudessem ter problemas para tocá-lo com base no que li online sobre discos torneados, mas testei ontem à noite e parecia muito bom!”, garantiu num dos comentários.

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Via Techbuzz.

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Cultura Pop

Tears For Fears: descubra agora (??)

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“E alguém precisa descobrir Tears For Fears?”, você deve estar se perguntando, certo? Relaxa: essa foi nossa desculpa para falar de TFF, uma das bandas preferidas aqui do POP FANTASMA, e um dos grupos (uma dupla, enfim) mais importantes da música pop de todos os tempos.

Roland Orzabal e Curt Smith ensinaram grandes plateias a curtir pós-punk com letras politizadas e introspectivas (o primeiro disco, The hurting, de 1983, é isso), fizeram a transição para uma espécie de tecnojazzrockpop de arena (Songs from the big chair, de 1985) e migraram para o som orgânico e jazzístico na época certa (The seeds of love, de 1989, era “o” disco que você precisava ouvir no início da era do CD).

Sem Curt Smith, Roland continuou com a bandeira do pop elaborado em mais dois bons discos, Elemental (1993) e Raoul and the kings of Spain (1995). A dupla voltou a se encontrar num disco injustamente fracassado, que tinha coisas que caberiam em discos de Beach Boys e Todd Rundgren, Everybody loves a happy ending (2004). Tem um disco novo vindo aí, The tipping point, marcado para fevereiro de 2022. E você vai ter bastante trabalho se resolver procurar uma música menos que boa nos álbuns deles.

Tá aí nossa lista de músicas que você deve ouvir hoje.  Ouça lendo e leia ouvindo. E tá uma lista bem grande…

“MAD WORLD” (The hurting, 1983). Comparada a Unknown pleasures, do Joy Division, a estreia do TFF chega a assustar pela quantidade de temas corrosivos e depressivos nos quais a dupla mexeu: depressão, abuso infantil, pais que sufocam os filhos com problemas pessoais e expectativas, bullying. Orzabal não economizou nessa música, um retrato bem sombrio da infância e do dia a dia escolar.

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“PALE SHELTER” (The hurting, 1983). O que parece ser apenas uma canção de desilusão amorosa, é na verdade uma música sobre abandono parental. Foi gravada inicialmente em 1982 com o nome de Pale shelter (You don’t give me love) e depois regravada para um outro single e para o primeiro álbum. O clipe, que você provavelmente já viu, é um primor de surrealismo (com várias imagens aleatórias) e destemor (a dupla passeia em meio a uma guerra de aviões de papel e Orzabal quase leva um aviãozinho no olho).

“WATCH ME BLEED” (The hurting, 1983). “O que sobra de mim ou de qualquer pessoa/quando negamos a dor?”. “Estou cheio, mas me sentindo vazio/Por todo o calor, é tão frio”. Uma das melhores músicas do primeiro disco do TFF tem uma letra que, numa análise retrospectiva, pode ser comparada aos melhores momentos de Renato Russo – e a introdução de violão caberia perfeitamente em Legião Urbana Dois. Enquanto você pensa sobre as influências do Tears For Fears na Legião, ouça a música, que sequer foi lançada como single.

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“THE PRISONER” (The hurting, 1983). Experimente tocar essa música para um bando de amigos e diga que é um lado B do Nine Inch Nails. Dá para enganar. Apesar dos vocais sussurrados, do peso e da letra sufocante (sobre uma criança oprimida e amedrontada), o final é feliz (“o amor me liberta/o prisioneiro agora está fugindo”). Foi o lado B do single de Pale shelter.

“THE WAY YOU ARE” (single, 1983). Uma rara canção escrita pela “formação completa” do grupo (Roland, Curt, o baterista Manny Elias e o tecladista Ian Stanley), feita para um single que serviu de produto intermediário entre o primeiro e o segundo disco. Um bom reggae tecno que é a cara dos anos 1980, mas que Roland e Curt execram. “Foi a pior coisa que fizemos”, destroçou Smith sem dó nas notas de uma coletânea da banda que trazia essa música (!), Saturnine martial & lunatic. Mas na época, saiu até clipe.

“SHOUT” (Songs from the big chair, 1985). Orzabal e Smith dizem que essa música não tem tanto assim a ver com a terapia do grito primal (que inspirou o nome da banda), e sim com protesto político. “É protesto na medida em que incentiva as pessoas a não fazerem as coisas sem questioná-las. As pessoas agem sem pensar porque é assim que as coisas acontecem na sociedade”, disse Smith. Roland começou a compor a canção com sintetizador e bateria eletrônica, e de início tinha só um refrão, concluído pelo tecladista Ian Stanley, um cara importantíssimo na formatação do estilo “Tears For Fears” de fazer música.

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“EVERYBODY WANTS TO RULE THE WORLD” (Songs from the big chair, 1985). Música composta por Orzabal, Ian Stanley e pelo produtor Chris Hughes, cuja letra já teve mil interpretações diferentes, mas fala mesmo era sobre a briga EUA X URSS pelo poder mundial (enfim, a Guerra Fria). Smith, cantor da faixa, ficou particularmente puto com uma interpretação do National Review que via pontos de vista conservadores na letra. “Ironia e sarcasmo claramente não são seu forte”, twittou para o periódico.

“HEAD OVER HEELS” (Songs from the big chair, 1985). Orzabal descreve essa música como “uma canção de amor que acaba ficando meio perversa”. Um clássico do amor, da dependência e da pouca habilidade para lidar com a complexidades das relações humanas. O clipe, gravado na biblioteca do Emmanuel College, no Canadá, virou um clássico.

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“THE WORKING HOUR” (Songs from the big chair, 1985). O tom meio jazz-meio prog da segunda faixa de Songs… era moda em 1985 – Sting não largou o Police para misturar música pop, jazz e new wave à toa. A letra era um primor de desencanto com a “vida real”. Não saiu em single.

“WOMAN IN CHAINS” (The seeds of love, 1989). Foi assistindo a um show bem simples da cantora Oleta Adams num hotel no Kansas em 1985, que Orzabal e Smith tiveram a ideia de partir para um mergulho “orgânico” no terceiro disco, já cansados dos sintetizadores e samplers da turnê de Songs… E para ajudar no trabalho, convidaram a cantora. Woman in chains é tida como uma “canção feminista” e é inspirada por um livro que Roland estava lendo sobre sociedades matriarcais. Orzabal resolveu escrever sobre como o feminino costuma ser minimizado. Mas Oleta suou no estúdio para agradar à dupla: soltou a voz num tom agudo incomum para ela.

“SOWING THE SEEDS OF LOVE” (The seeds of love, 1989). A neopsicodelia que deu certo, tocou em rádio e vendeu discos: Smith e Orzabal (compondo em parceria) lançaram uma pérola pop-rock com referências a Beatles (I am the walrus foi citada por quase todo mundo) e pequenas porradas políticas na letra (Margaret Thatcher é a “vovó política” da letra).

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“ADVICE FOR THE YOUNG AT HEART” (The seeds of love, 1989). Neobossa pop que ajudou a conquistar novos públicos para o grupo: no Brasil o TFF tocava até em rádios AM e esteve numa trilha de novela (a pouco lembrada Gente fina). O clipe da faixa, dirigido por Andy Morahan, valia por um curta-metragem: mostrava cenas de um “feliz” casamento latino em que, aqui e ali, dava para perceber que as coisas não iam tão bem assim (além de mostrar cenas excelentes de ranço e caras-viradas entre Curt e Orzabal).

“ALWAYS IN THE PAST” (single, 1989). O lado B de Woman in chains lembrava muita coisa que geralmente não era associada ao TFF: até mesmo a fase pop do Genesis, só que sob um ponto de vista mais sombrio. Saiu depois num relançamento de Seeds of love.

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“BREAK IT DOWN AGAIN” (do disco Elemental, 1993). Após várias brigas e climões, Curt Smith saiu do grupo, deixando Orzabal livre para carregar o nome (e lançar uma ou outra canção malcriada em relação ao ex-amigo). O primeiro single do novo disco é a única música que sobrou nos shows da dupla quando Smith voltou. O parceiro de canções de Orzabal na época era Alan Griffiths, cuja banda The Escape tinha aberto shows do TFF em 1983.

“BRIAN WILSON SAID” (do disco Elemental, 1993). Uma canção desencantada que poderia estar no clássico dos Beach Boys, Pet sounds, mas que tinha o mesmo tom jazz-pop-introspectivo de alguns momentos de The seeds of love e Songs from the big chair. A letra, curiosamente, tinha o mesmo tom amargo dos hits de bandas como Nirvana, que liderava as rádios na época (abria com a frase “minha vida, nada foi fácil até agora”).

“RAOUL AND THE KINGS OF SPAIN” (do disco Raoul and the kings of Spain, 1995). Usando um nome que quase havia sido dado ao disco The seeds of love, Orzabal entrou numa egotrip daquelas: fez um pop meio progressivoide (e bom) para falar de histórias de sua família – Roland, por sinal, quase se chamou Raoul, mas sua mãe resolveu que era melhor ele ter um nome mais anglicizado.

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“ME AND MY BIG IDEAS” (do disco Raoul and the kings of Spain, 1995). Baladão que, com um pouco mais de produção, poderia estar em The seeds of love – e que, opa, marca o reencontro do TFF com Oleta Adams. Na época, Oleta estava na Fontana, antiga gravadora do grupo, e tinha lançado o quinto disco, Moving on.

“EVERYBODY LOVES A HAPPY ENDING” (do disco Everybody loves a happy ending, de 2004). Smith e Orzabal voltaram a se falar por causa de razões extra-música (a dupla ainda era dona de empreendimentos imobiliários) e… por que não fazer um disco novo? A faixa-título do álbum da “volta” (que vendeu bem pouco) lembrava Beach Boys, Todd Rundgren, 10cc e tudo de bom que você pudesse imaginar.

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“CLOSEST THING TO HEAVEN” (do disco Everybody loves a happy ending, de 2004). Baladão que, caso tivesse um belo glacê de eletrônicos, poderia estar em Songs from the big chair. O clipe tem participação da atriz Brittany Murphy, que morreria em 2009. Essa música chegou a tocar em rádio no Brasil.

“SECRET WORLD” (do disco Everybody loves a happy ending, de 2004). Uma balada tão bonita que encerra com aplausos. Deu nome ao primeiro disco ao vivo da banda, de 2006.

“AND I WAS A BOY FROM SCHOOL” (do EP Ready boys & girls?, de 2014). Para comemorar o Record Store Day de 2014, o TFF soltou um EP indie com três covers, de Animal Collective, Arcade Fire e Hot Chip (a faixa em questão). Na época, chegou a ser divulgado que a banda estava trabalhando em material novo e que My girls, do Animal Collective, lançada em 2013, servia de batedor para um próximo disco.

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Cultura Pop

Jean Guillou: psicodelia aterrorizante numa viagem espacial no órgão clássico

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Jean Guillou: psicodelia aterrorizante numa viagem espacial no órgão clássico

Compositor, organista, educador musical e assessor de construtores de órgãos (!), o francês Jean Guillou morreu aos 88 anos, em 2019 – o ano em que completavam-se cinco décadas da chegada do homem à lua. E a chegada da viagem espacial inspirou um de seus discos mais curiosos, Visions cosmiques — Improvisations dediées à l’équipage d’Apollo 8, lançado em 1969.

Mais conhecido por seu trabalho com música clássica, Jean acabou criando um disco que se alinha mais com a psicodelia e com álbuns do Pink Floyd (como A saucerful of secrets, lançado um ano antes). Visions cosmiques  tem sete longas faixas, foi todo escrito nos órgãos da igreja de Saint Eustache, em Paris – onde ele trabalhou como organista titular – e surgiu de várias improvisações feitas em duas noites.

O blog do designer John Coulthart dá uma zoada no disco, falando que ele “teve a missão como sua inspiração, embora sua música turbulenta pareça mais adequada para o quase desastre da Apollo 13 do que a leveza da viagem espacial”. E um pouco isso aí, mas não é bem assim: Visions cosmiques tem o mesmo som de boa parte das bandas progressivas e psicodélicas da época, e aproveita o tom de mistério e desconhecido das viagens espaciais em faixas como Requiem pour les morts de l’espace, Leonardo, Icare e Météorites.

O disco original tem um atrativo para colecionadores, que é o fato de ter saído numa série chamada Prospective 21e Siècle, da Philips francesa, com artistas de vanguarda e de música eletroacústica. As capas da série eram feitas de um material que lembrava folha de alumínio, o que torna os discos mais atraentes (e dependendo do caso, mais caros).

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O álbum está todo no YouTube, e também está numa caixa de Jean que está nas plataformas, Les premeiers enregistrements.

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Cultura Pop

Tem aniversário da estreia dos Charlatans vindo aí

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Tem aniversário da estreia dos Charlatans vindo aí

Daqui a pouco, dia 8 (também conhecido como esta sexta-feira) faz aniversário um disco importantíssimo do rock britânico dos anos 1990. A estreia do The Charlatans, Some friendly (1990), que por sinal, iria merecer uma boa comemoração de 30 anos em 2020, não fosse a chegada da pandemia. “Tínhamos alguns planos, mas eles mudaram algumas vezes e depois desapareceram completamente”, lamentou o vocalista do grupo, Tim Burgess, num papo com o site Gigwise.

Tim, ainda ostentando um belo penteado no estilo do Salsicha, do desenho do Scooby-doo (ficou famoso esse tipo de corte no auge do movimento Madchester, de Manchester, no qual os Charlatans foram inseridos), falou no mesmo papo que o clima era de alegria total no estúdio.

“Eu olho para trás com carinho, eu tinha vinte e poucos anos e trabalhava com meus melhores amigos. Nosso álbum de estreia foi para o número um e foi uma nova década com muitas novas esperanças”, afirmou. Mas a banda não achava que aquilo tudo fosse durar muito tempo. Não foi bem o que aconteceu: os Charlatans continuaram por aí e gravaram um disco novo, Different days, em 2017. Burgess soltou um disco novo ano passado, o excelente I love the new sky.

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O tal clima “de carinho” não rolou na totalidade. A banda precisou mudar de nome fora da Inglaterra para Charlatans UK, por causa de um “xará” americano mais antigo (uma banda californiana de folk rock ativa na maior parte do tempo nos anos 1960). Durante as gravações do debute, o grupo teve desentendimentos com os donos do estúdio no qual gravaram (o The Windings, perto de Wrexham, País de Gales), tinha pouco repertório e precisou correr atrás para compor novas músicas que estivesse no nível do single The only one I know, que “pegou” nas rádios e virou hit chiclete da MTV (até mesmo no Brasil). E só foi incluída nas versões CD e K7 do álbum.

Olha ela aí servindo de trilha sonora para o “eu quero minha MTV” de David Bowie na inauguração da MTV Brasil em 1990.

Os Charlatans se notabilizavam pela mistura de dance music, rock dos anos 60, psicodelia e alguns toques de soul e R&B. Todos os músicos davam seus toques pessoais às faixas, mas é impossível lembrar dos Charlatans sem recordar os teclados (mellotron e órgão) de Rob Collins, e da argamassa de baixo e bateria de, respectivamente, Martin Blunt e Jon Brookes.

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>>> Veja também no POP FANTASMA: Aniversário de Brotherhood, do New Order!

Sem esses três, você provavelmente não estaria lembrando dos Charlatans como um grande exemplo da turma do Madchester, o movimento indie dance psicodélico de Manchester. Muito embora o grupo não tenha vindo da cidade e tenha sido agregado ao movimento por causa das semelhanças musicais com bandas de alcance até mais curto, como os Inspiral Carpets.

“Nasci em Salford e cresci em Northwich, Cheshire. Sempre adorei minha música e pensei que Manchester era o lugar onde me encaixava, mas queria provar que as pessoas dos subúrbios não eram idiotas. Então sempre deixei claro que os Charlatans eram de Northwich, embora isso não significasse nada para ninguém fora do noroeste”, disse ao The Guardian. “Um ano depois de eu me juntar aos Charlatans, tínhamos um álbum em primeiro lugar, mas parecia natural. Eu tinha apenas 23 anos e todos diziam: ‘Caramba, aconteceu muito rápido para você!’”.

Madchester foi um movimento importantíssimo, ocorrido num biênio (1988/1989) que chegou a ser chamado de Segundo Verão do Amor, com união total entre rock e dance music. Além de (claro) várias recordações da psicodelia, só que sob outro filtro.

As drogas, para começar, eram outras: o LSD ainda era usado, eventualmente, mas a turma preferia mesmo era a novidade MDMA. A moda, idem: a galera comprava calças baggy e camisas largas de manga comprida em lojas como a Identity. Esse tipo de vestimenta, aliás, dava um inevitável ar de cartoon àquela movimentação toda.

“Acho essa versão simplista e irritante”, reclamou ao The Guardian o consultor de marketing Gary Aspden. “Os dez anos anteriores ao acid house em Manchester viram várias modas que pegaram entre os jovens da classe trabalhadora do Norte, mas nunca haviam sido divulgadas pela grande mídia. E muito desse estilo se refletiu no que as pessoas estavam vestindo em Manchester em 1988/1989”.

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Os Charlatans ainda gravaram outros grandes clássicos, e vale dizer, Some friendly nem é o melhor disco deles. Tellin’ stories (1997), feito em uma maratona de drogas, gravações e isolamento no Rockfield Studios, no País de Gales, ganha fácil essa marca, com canções como One to another, How high e outras. Tem ainda o aspecto dramático: o tecladista Rob Collins morreu em um acidente de carro no meio da gravação, deixando a banda perdida, e sem um dos nomes que mais lhe davam identidade.

Outras mudanças foram ocorrendo no grupo com o passar dos anos, deixando os Charlatans serem mais lembrados como um feliz exemplo do britpop do que propriamente da movimentação dance-psicodélica do começo dos anos 1990. E vale ouvir e conhecer todas as fases.

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