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Cultura Pop

Ex Pistols: quando os Sex Pistols foram trapaceados

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Ex Pistols: quando os Sex Pistols foram trapaceados

Teve aquela vez em que a grande trapaça do rock foi devidamente trapaceada. Os Ex Pistols (quá quá quá) foram uma paródia-zoação-cover-de-quinta dos Sex Pistols, devidamente montada por um sujeito que se sentiu um tanto passado para trás por Johnny Rotten e companhia limitada. Era o produtor britânico John Goodman.

Goodman tinha sido o técnico de som num show dos Pistols em 1976, e acabou contratado por Malcolm McLaren para permanecer na função até o fim do grupo, após se oferecer à banda e ao empresário. Ele também produziu as primeiras demos do grupo, e muita coisa que acabou sendo lançada em compacto. Uma das músicas cujas gravações Goodman comandou foi I wanna be me, lado B do single de Anarchy in the UK, lançado pela EMI em 1976. Essa música, quase todo mundo aqui no Brasil conheceu no disco The great rock´n roll swindle, trilha do filme sobre os Pistols, lançado em 1978.

Em 1976 os Pistols (os Sex Pistols, enfim) iriam começar a gravar o que se tornou o disco Never mind the bollocks, o único da banda. E quem foi chamado para produzir? Goodman? Nada disso: a banda preferiu Chris Thomas, técnico de som experiente que já trabalhara até no Álbum branco dos Beatles e cuidara do filé mignon dos singles dos Pistols. Ele comandou os trabalhos ao lado de Bill Price, gerente do estúdio Wessex.

A Goodman, restou ajudar a produzir um disco pirata chamado Spunk, que trazia as demos que ele produzira para os Pistols, e que acabou dando uma quebrada de perna no Never mind the bollocks. Anos depois, esse disco foi ganhou lançamento oficial. Saiu até no Brasil em CD (e está no Spotify).

Pega aí Justifiable homicide, single de Dave Goodman & Friends, punk-power-pop lançado em 1978. A letra fala do treinador de boxe negro Liddle Towers, preso e espancado até a morte pela polícia em um ataque racista (“eles o puseram numa cela/no inferno”, protesta a letra). Paul Cook e Steve Jones, baterista e guitarrista dos Pistols, tocaram nessa música. Pelo menos é o que dizia a contracapa do compacto nas primeiras edições.

Olha aí o que Goodman andava fazendo em 1981: lançando um single maluco, creditado a uma banda de mentira chamada The Friendly Hopefuls, com um medley de clássicos do punk de 1976/1977. Tinha músicas dos Damned, dos Pistols, do Clash, do Jam.

https://www.youtube.com/watch?v=iBbVZ8hCXBc

Olha ele aí em 1984 finalmente usando o nome Ex Pistols, que Goodman jurou ter criado em 1979. Foi no single The land of hope and glory, reinterpretação de uma das mais clássicas canções patrióticas da Inglaterra. A capa “jura” que o material foi gravado em 1976. Nada: era uma paródia bizarra dos Pistols, que ia desde o nome da banda até os dos integrantes (veja mais abaixo), passando pelo nome da gravadora (Virgina Records, zoação com a Virgin dos Pistols).

Sim, parece Johnny Rotten soltando a voz. Olha aí finalmente a contracapa com os nominhos dos integrantes. O lado B era uma zoação com The Flowers Of Romance, banda casa-da-mãe-joana que incluiu vários músicos do punk britânico, Sid Vicious entre eles – e cujo nome batizou um disco do Public Image Ltd.

Ex Pistols: quando os Sex Pistols foram trapaceados

Em 1988 saiu o disco The swindle continues, produzido por Goodman com uma série de imitadores dos Pistols e… colaboração de ninguém menos que Glen Matlock, primeiro baixista da banda. Atenção: esse disco já confundiu até jornalistas, que acharam que se tratava de uma coletânea de outtakes. Nada disso: são regravações à moda caralha, com uns temas dos Pistols publicados no disco The great rock´n roll swindle de enfeite, como o original de Anarchy in the UK e músicas de Paul Cook e Steve Jones, como Silly thing.

Aliás, pega aí Revolution in the classroom, lançada em single como “raridade dos Pistols”, mas cujo vocal parece mais com o de Robert Smith, do Cure, do que com o de John Lydon.

Dave foi responsável por vários lançamentos falsos dos Pistols e acabou nos tribunais, processado por John Lydon, que sustou o lançamento de mais um disco dos Ex Pistols, Deny, em 1992. Puto com o prejuízo (os discos já estavam prensados), Goodman deixou cópias em lojas avisando que quem quisesse, poderia pegar o disco de graça.

Goodman ainda lançou um disco, Diary of a good man, antes de morrer (partiu em 2005 de ataque cardíaco em sua casa, aos 44 anos). Também teve uma paródia de Anarchy in the UK intitulada 486 4488, feita pelos Ex Pistols, incluída na bizarra coletânea Fuck EMI, lançada por um coletivo de bandas punk com o único objetivo de sacanear a gravadora britânica. O título da música dos Ex Pistols era o telefone da EMI em Londres (já falamos desse disco aqui). 

A obsessão pelos Pistols levou Goodman a trabalhar diversas vezes em material de paródia da banda – discos como Deny traziam zoações com as frases e letras da banda espalhadas na capa e na contracapa. Também trabalhou ativamente na produção de uma espécie de We are the world do punk para o projeto Sex, drugs & HIV, em 1995. E, ah, tem um documentário sobre ele e sobre a aventura dos Ex Pistols disponível no YouTube. Pega aí a primeira parte de Chaos – The Dave Goodman story.

Via Punk Globe e Dave Goodman – site oficial, com infos de Dangerous Minds.

Mais Sex Pistols no POP FANTASMA aqui.
Conheça Los Punk Rockers, tributo maluco feito na Espanha aos Sex Pistols.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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