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Cultura Pop

“Endless bummer”: um disco pirata feito para sacanear os Beach Boys

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Sem data definida de lançamento (começou a rodar no circuito de bootlegs nos anos 1990), “Endless bummer: The very worst of The Beach Boys” é um disco pirata feito exclusivamente para compilar alguns dos piores momentos da banda americana.

"Endless bummer": um disco pirata feito para sacanear os Beach Boys

A zoação não fica só na capa, por acaso uma paródia de “Endless summer” – coletânea do grupo lançada em 1974 pela antiga gravadora da banda, a Capitol, para faturar em cima dos boys quando eles assinaram contrato com a Reprise. O conteúdo (repleto de desastres ao vivo, gravações rejeitadas e takes de rádio) serve para deixar fãs roxos do grupo espumando de ódio. No entanto, vale dizer que muita coisa pode provocar risos em admiradores mais bem-humorados.

Dessa forma, “Endless bummer” tem a bizarra tentativa de Brian Wilson em fazer rap, em 1995, com “Smart girls”. Por acaso, a canção foi escrita por insistência de ninguém menos que seu controverso ex-terapeuta Eugene Landy. Ele, aliás, também é co-autor e faz backing vocals na canção.

O (extremamente controverso) pai dos irmãos Wilson, Murry Wilson, aparece dando pitacos e esporros nos garotos durante um ensaio do hit “Help me, Rhonda”, que também está no disco

Mike Love, que publicamente nunca gostou do clássico “Smile”, faz um spot promocional de mentira zoando cruelmente o disco. Por sinal, há quem diga que a gravação foi ideia do próprio Brian Wilson. Também tá na lista de faixas de “Endless bummer”.

Carl Wilson, caindo de bêbado num show em Sydney em 1978, tenta cantar o sucesso “Good vibrations”.

No entanto, olha aí o mesmo Carl, muitos anos antes (com o hit “Darlin'” no fundo) fazendo um bizarro e hesitante spot anti-drogas. Está igualmente no disco.

Entrevistado por fãs, Brian Wilson pergunta a eles se “cheiram cocaína”. Diante da negativa, silêncio constrangedor. Em seguida, a resposta “ok, eu só estava checando”.

Em 1982, a Budweiser convidou Mike Love e Dean Torrence (da dupla Jan & Dean), para mudar a letra de “Be true to your school”, sucesso dos Beach Boys, e regravá-la com nome modificado para… “Be true to your bud”.

Por sinal, os vocais extremamente anasalados deixam a canção parecendo coisa da trilha de “Alvin e os Esquilos”. Consequentemente, essa música é motivo de chacota até hoje.

Detestado por muitos fãs das antigas, “Kokomo” é, de qualquer jeito, um dos maiores hits recentes dos Beach Boys. Não apenas alguém deu a ideia à banda de fazer uma versão em espanhol, como eles aceitaram a sugestão. Também está no disco.

Aliás, discos piratas feitos para zoar e ofender determinados artistas não são difíceis de achar. Tanto que em 1982, um não-fã bancou o lançamento de “Greatest shit!! – 50.000.000 Elvis fans can be wrong”, com a finalidade de sacanear cruelmente os fãs. Nele, Elvis Presley pode ser ouvido arrotando, soltando palavrões quando uma sessão de gravação não dá certo e gravando algumas de suas piores músicas. Além disso, para completar o mau gosto, a capa trazia uma foto do Rei do Rock morto, no caixão.

Veja também no POP FANTASMA:
– Aquela vez em que o Kraftwerk… plagiou os Beach Boys?
Adult/Child: aquela (outra) vez em que engavetaram um disco dos Beach Boys
– Carol Kaye mostra as linhas de baixo de Good vibrations, dos Beach Boys

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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