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Cultura Pop

Lembra da fase punk da Edgar Broughton Band?

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O músico inglês Edgar Broughton, hoje com 73 anos, pertence àquela classe dos artistas que passearam de sapato alto pelo mainstream, mas que não chegaram a se fixar tanto assim nele – como também não se fixou no igualmente escorregadio status de “clássico”. Quem conhece sua banda, a autorreferente Edgar Broughton Band, possivelmente lembra de músicas como Out demons out, que só saiu num single em 1970 e atropelou os compactos extraídos do segundo disco, Sing brother sing, de 1970. Ou House of turnabout, que volta e meia aparece em coletâneas de “grandes sucessos do rock”, “grande hits dos anos 1970” e deixa todo mundo com cara de paisagem (“pera, essa música fez realmente sucesso?”, você pode já ter se perguntado).

A banda nasceu em 1968 em Warwick, Inglaterra. sob o signo do blues. Chegaram a ter o estilo musical como parte integrante do nome, antes do “band”, logo no comecinho, inclusive. Iniciaram como um trio formado por Edgar (voz e guitarra), seu irmão três anos mais novo Steve (bateria e vários instrumentos extra) e Arthur Grant (baixo). Além do rock de Elvis Presley e dos primeiros ídolos do estilo, Edgar e seus amigos ouviam muito blues (lógico) e bandas como Animals, Beatles e Rolling Stones. Além de sons de artistas como Captain Beefheart – o que já abria portas para um ou outro experimentalismo no som do grupo.

Em 1969, após sair o primeiro disco, Wasa wasa, haviam feito uma sessão ao vivo no estúdio Abbey Road, com a ideia de fazer um álbum que capturasse a mesma energia dos shows. O disco acabou sendo engavetado e algumas músicas saíram em singles – incluída nessa leva Out demons out. Já o terceiro disco, epônimo (e que tinha House of turnabout), levou à loucura a plateia hippie por causa da capa, com um coitado de bunda de fora, pendurado como se fosse um pedaço de carne num açougue. “A Hypgnosis sugeriu isso porque éramos todos vegetarianos na época e todos pensávamos que teria algum valor de choque, e teve”, contou Edgar aqui.

Lembra da fase punk da Edgar Broughton Band?

Já em 1970, a Edgar Broughton Band lançou o desbocado single Up yours (algo como “enfia no c…”), reclamando da classe política, da polarização e do liberalismo. Fez barulho, mas também não saiu em LP nenhum deles (só na versão CD de Sing brother sing, anos depois).

A Edgar Broughton Band se deu bastante bem, inicialmente. Conseguiu até mesmo um contrato com a mesma gravadora que levou o Deep Purple e o Pink Floyd, a Harvest – selo de “novidades” e experimentalismos da EMI. Ficou lá até 1973, quando saiu Oora, quinto disco do grupo, já com formação modificada (tinha virado quarteto) e sonoridade trafegando entre o hard rock e a psicodelia.

Depois a banda passou por selos menores e em 1979, passou por uma mudança radical com o disco Parlez-vous english. A banda mudava de nome para The Broughtons e o grupo virava um sexteto, com os dois irmãos e mais uma turma. Mais: o som passou a lembrar algo entre o punk e o power pop, nada a ver com a psicodelia dos discos anteriores. Algumas faixas lembravam bandas como The Clash e The Damned. Tem uma playlist com o disco no YouTube. Olha aí.

Parlez-vous english saiu por um selo pequeno chamado Infinity e não chegou nas mãos de muita gente. Edgar e a banda haviam processado os empresários anteriores e o grupo ficou enfrentando problemas legais por algum tempo, o que tinha levado a um hiato de quatro anos antes do álbum. Já Superchip: The final silicon solution, disco independente lançado em 1982, foi o último álbum da Edgar Broughton Band. E trazia uma mescla de sons progressivos e algo de new wave. Era para ter sido feito com financiamento de amigos suíços, que desistiram do projeto assim que ouviram as músicas – com a desistência, Edgar, seu irmão e seus amigos precisaram coçar os bolsos para concluir o disco.

Edgar e banda passaram um bom tempo só dando shows e gravaram um DVD em 2006, com uma performance no Rockpalast, em 2006. Também está no YouTube. O músico parou de usar o nome “band” em 2010 e vem fazendo coisas solo desde então.

Cultura Pop

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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