TRÊS GAROTAS NA ESCOLA DE ARTE: Rakel Mjöll (vocais), Alice Go (guitarra e vocais) e Bella Podpadec (baixo e vocais), o trio conhecido coletivamente como Dream Wife, vêm da Inglaterra. E formaram a banda na Escola de Arte da Universidade de Brighton, inicialmente como um projeto que virou coisa de gente grande. Quando as três meninas conseguiram se diplomar, mudaram-se para Londres e foram tentar a carreira lá.

VOCÊ CONHECE: A primeira música do Dream Wife que muita gente escutou foi Hey heartbreaker, que faz parte do primeiro EP das meninas, lançado em março de 2016. A Radio 6 da BBC tocou bastante, muita gente compartilhou o clipe nas redes sociais. Para o novo disco, a música recebeu novo tratamento e novo clipe, em desenho animado. Os robôs distópicos do clipe foram feitos pelo ilustrador londrino Mason London. Confira os dois.

A GRAVADORA. O selo que contratou as duas garotas é o londrino Lucky Number. A empresa tem outra-banda-feminina-que-vem-fazendo-fãs, o Hinds, da boa New for you. E o Sleigh Bells, dupla formada por uma cantora que conheceu seu parceiro de trabalho quando ele atendia num restaurante brasileiro (!) no Brooklyn. Outro grupo bacana que saiu de lá é o Sunflower Bean, cuja I was a fool lembra uma versão pós-punk do Fleetwood Mac do disco Rumours (1977).

O NOME. Veio, claro, do filme Dream wife, ou Quem é meu amor?, como passou no Brasil. Essa produção de 1953 destaca-se por ter Cary Grant e Deborah Kerr no elenco, e por ter sido dirigida por ninguém menos que o futuro escritor best-seller Sidney Sheldon. O nome foi escolhido antes mesmo que as três tocassem juntas. “Abordamos essa ideia de que a ‘esposa dos sonhos’ das décadas de 1950 e 1960 estava nesse pacote: você conseguiu a casa dos sonhos, o carro dos sonhos, o trabalho dos sonhos e, de repente, você conseguiu a esposa dos sonhos, como se uma mulher se tornasse um objeto. As mulheres são seres complexos – eles não são apenas uma coisa”, conta Rakel.

O DISCO. O álbum se chama Dream Wife. Mas a banda brinca que ele poderia se chama No tan (“sem bronzeado”), já que o selo Lucky Number fez as garotas se trancarem durante o verão de 2017 numa sala isolada, sem janelas, em Peckham (distrito no sudoeste de Londres). “Ficamos sem bronzeado nenhum, mas conseguimos muitas músicas”, diz Rakel.

FRIO. Tem outros clipes bacanas na história do Dream Wife. Elas foram à geladíssima Islândia gravar o vídeo de Fire. O diretor e seu assistente, que estavam de carro, deixaram as meninas na pista, com a caixa de cristais que aparece no vídeo. Elas conseguiram pegar uma carona para voltar para a capital Reykjavík, a tempo de devolver um carro alugado e pegar o voo das 6h para a Inglaterra.

INFLUÊNCIAS. O trio citou Yeah Yeah Yeahs, The Strokes, The Cribs, Be Your Own Pet e Gang of Four como os nomes que subconscientemente, deram um jeito de aparecer no som do primeiro disco. “Mas todas nós temos diferentes interesses musicais”, diz Rakel.

COMPORTE-SE! Comentando algumas de suas letras, as garotas do Dream Wife falam de Act my age, uma canção sobre gente enchendo o saco para você agir de acordo com a sua idade. “É sobre as pessoas comentando sua vida. Especialmente quando se trata de idade: ‘Nesta idade você deve agir assim, nesta idade você deve agir assim’, o que é ridículo. E também, nós só temos essa vida. Faça exatamente o que você pensa que é certo para você. Você ainda é adolescente em seus 80 anos, minha avó ainda é uma adolescente”, conta Rakel.

EMPODERAMENTO. Claro que ele é parte das mensagens do Dream Wife. As meninas dizem que ele veio junto com a formação da banda. “No começo, estávamos viajando as próprias custas pela Europa, tocando. Havia essa solidariedade. Você entra em contato com pessoas misóginas de um jeito ou de outro, porque nós éramos três mulheres fazendo isso por conta própria. Você acaba vendo esse tipo de coisa”, conta Alice.

ALGUM SONHO? “Agora que Bowie morreu e não podemos fazer uma parceria com ele, o que resta?”, diz Alice. “Madonna!”, completa Rakel.

Aspas e informações via Mondo Bacana, The Independent e Atwood Magazine.

A foto lá de cima é de Joanna Kelly (Divulgação)