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Urgente!: Nova exposição sobre David Bowie vai te levar pra dentro da mente dele

David Bowie virou um daqueles artistas que já não cabem mais só em discos, biografias ou camisetas vintage. O legado dele acabou virando um lugar – meio mental, meio estético – onde gente de gerações diferentes entra e reconhece alguma coisa ali. Agora Londres resolveu levar isso ao pé da letra: a exposição imersiva David Bowie: You’re not alone rola no Lightroom, casa de shows imersivos em King’s Cross, de 22 de abril a 28 de junho.
A ideia não é exatamente contar a história do artista, ou focar em seus personagens (Ziggy Stardust, Thin White Duke e companhia), mas colocar o visitante dentro da cabeça dele, e mostrar o Bowie curioso, o cara interessado em arte, espiritualidade, composição e no poder transformador da criatividade. E toda a perspectiva dele em relação a esses e outros temas.
O percurso usa projeções gigantes em todas as paredes (e até no chão) e um sistema de áudio espacial que faz a voz do próprio Bowie conduzir a experiência, construída a partir de entrevistas ao longo de décadas. Em vez de um guia tradicional, é como se o artista fosse comentando a própria trajetória enquanto imagens, desenhos, manuscritos e gravações surgem ao redor. Tudo é estruturado em capítulos temáticos, exibidos como num loop, de forma contínua.
O material vem do enorme arquivo mantido em Nova York e inclui coisas bem conhecidas e outras bem raras – destacando uma filmagem rara de 1978, feita no Earl’s Court Arena, remontada e returbinada a partir de material descoberto no arquivo do artista. Tem fotos pessoais, anotações, registros de estúdio e trechos raros de TV, como a entrevista de 1975 com Russell Harty (um papo via satélite que rolou com certo delay e que impressionou pelo desconforto do cantor). Uma surpresa é a reconstrução do cenário da turnê Diamond dogs. Além disso, performances de músicas como Space oddity, Diamond dogs, Heroes e Blackstar foram recriadas exclusivamente para a mostra.
A mostra tem produção do próprio Lightroom, criação do estúdio de design 59 e direção de Mark Grimmer, que já tinha sido diretor criativo da exposição David Bowie Is, do V&A, ao lado de Tom Wexler – aquela exposição, por sinal, que passou pelo Museu da Imagem e do Som de SP em 2014. Grimmer diz que todo o trabalho foi norteado pela ideia de derrubar o mito do “Bowie alienígena”, do mito intocável.
“Ao longo de sua carreira, Bowie resistiu a ser visto como algo além de humano. Em vez de diminuir seu mistério, queríamos celebrá-lo como um defensor da criatividade humana. Alguém que acreditava que a arte nos ajuda a entender o que significa estar vivo”, explica.
No fundo, a exposição parece partir de uma conclusão simples: Bowie nunca foi só uma sequência de fases, mas um processo contínuo. E talvez funcione justamente porque não tenta explicar totalmente o artista. Só te coloca dentro do universo e deixa você circular por ali, meio perdido / perdida. Mas livre – e essa sempre foi a melhor forma de entender Bowie.
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Urgente!: Véspera transforma faixa-título de seu álbum em canção densa e espacial

Lembra do Véspera? Uma banda cujo disco Nada será como era antes foi resenhado pela gente no ano passado? O Véspera vem de São Gonçalo (RJ) e faz um rock triste e esperançoso, turbinado por referências de estilos como britpop, post-rock e shoegaze. Na época falamos que é um álbum que fala sobre “ventos que viram de uma hora para outra, relacionamentos que acabam, amizades que esfriam, reencontros azedos e momentos em que, mais do que tudo, você precisa se esforçar para enfrentar o caos e manter a sanidade”.
Pois bem, o Véspera decidiu ampliar o recado da faixa-título do álbum, um tema ambient que abria o disco com uma frase simples na letra: “se tentar vai ver que machuca mais não sair de onde está do que se deixar levar”. Nada será como era antes, a canção, ganhou uma versão alternativa, intitulada Nada será // como era antes, com uma onda mais densa e espacial, revestida de influências de shoegaze e de climas progressivos. Ficou lindo.
“É a mesma música, mas atravessada por outro clima: mais espacial, mais quietinha, mais pra escutar com fone”, avisa o guitarrista e vocalista Igor Barbosa. A banda avisa que o lançamento faz parte de um projeto de “revisitar fonogramas e manter viva a narrativa do disco por outros caminhos sonoros”, o que indica que muita coisa do álbum vai ganhar cara nova.
Foto: Divulgação
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Urgente!: Christine Valença e Caetana unem Jackson do Pandeiro, protesto e 16mm em single e clipe

A carioca Christine Valença e a pernambucana Caetana resolveram finalmente tirar do papel uma ideia antiga: gravar uma música juntas. O encontro virou Coco do recado, faixa recém-lançada acompanhada de clipe.
As duas se conheceram há alguns anos e mantinham a vontade de colaborar. Quando decidiram compor, partiram direto para o coco, guiadas por referências em comum. “Com a melodia em mãos, fomos nos entendendo em nossas referências em comum, principalmente com Jackson do Pandeiro em mente, e assim fomos: nos aventurando em letras, e no que queríamos comunicar, as estruturas que gostaríamos de sacudir”, conta Christine.
“Caetana trouxe elementos do seu dia-a-dia, de questões de transfobia, de embate, rejeição, de momentos em que quis ser bastante assertiva, empoderada. Eu fui pra um lugar mais de de afeto, de memória, de evocar conselhos, encontros, em deixar essas raízes me envolverem. E aí a música foi nascendo em questão de uma a duas horas”, completa.
Produzida por Bruno Danton, da banda El Efecto, a gravação ainda reúne Aline Gonçalves nos sopros e Ná Chuva na percussão, com Christine também tocando órgão Hammond. As influências passam por Selma do Coco, repentistas e manguebeat, chegando até ecos de soul e gospel. O lançamento veio junto de um clipe filmado em 16mm, dirigido pela dupla baiana Espelho Lunar, que puxa imagens do cinema brasileiro e do carnaval nordestino.
Foto: Raiz de Maria / Divulgação
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Urgente!: Livro revisita Joy Division e New Order faixa a faixa e junta Sumner e Hook no mesmo projeto

Sai em 30 de março o livro Joy Division and New Order: Album by album, do jornalista Mayer Nissim, pela editora White Owl (capa abaixo). A proposta é passar faixa a faixa pela história, começando no peso cinza do Joy Division e chegando à fase dançante que colocou o New Order no mapa pop do planeta. Tem curiosidades de gravação e pequenas histórias de turnê espalhadas pelo caminho.
O chamariz maior é o fato de Bernard Sumner (voz, guitarra) e Peter Hook (baixo) terem topado colaborar com o livro e terem dado longas entrevistas – eles estão separados e brigados desde 2007, o que só aumenta o interesse dos fãs. No livro, eles relembram a travessia depois da morte de Ian Curtis (vocalista do JD) e como a banda trocou a ansiedade das guitarras por máquinas, pistas e um novo público nos anos 1980. Há memórias de estúdio, brigas e acordos realizados na pressão.
O texto abre o foco e chama gente de fora. Aparecem Peter Saville (designer gráfico da Factory Records, que lançou Joy Divison e New Order), Stephen Street (produtor), Ana Matronic (cantora do Scissor Sisters, soltou a voz com o New Order no hit Jetstream, de 2005) e o engenheiro Michael Johnson (o técnico de gravação que trabalhou no segundo disco, Power, corruption and lies, de 1983, e viu o New Order se libertar da herança do Joy Division, adotando synths e programações).
Essa turma aí fala da importância das duas bandas, das mudanças estéticas, e conta causos da Factory. Peter Saville reforça o coro da turma (Peter Hook incluído aí) que diz que Tony Wilson, dono da Factory, era um empreendedor pra lá de confuso. “A Factory nunca conseguiu funcionar como uma empresa”, diz, segundo o site Music-News. Stephen Street se revela feliz pelo fato do Joy Division ter se transformado em New Order, e não ter continuado sem Ian Curtis, o vocalista morto em 1980 (quem ouviu o episódio do nosso podcast Pop Fantasma Documento sobre o Joy Division, descobriu lá que eles bem que tentaram).
Para quem acompanha de perto, sobra a pergunta óbvia: rola reunião? Não há promessa nenhuma, claro: o New Order segue sem Peter e ele segue tocando material das duas bandas ao vivo. Mas que Joy Division and New Order: Album by album já sai com cara de livro definitivo, sai sim – inclusive porque a história dessas duas bandas tem mais furo que muito tijolo, e parece que muita coisa tá devidamente respondida aí.


































