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Cultura Pop

“Grande presença!”: Bezerra da Silva canta “A Semente” para crianças

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Nos anos 1980, quando lançava disco novo, Bezerra da Silva conseguia: 1) chocar um monte de gente, dos mais conservadores aos mais liberais (músicas como Malandragem dá um tempo não eram exatamente unanimidade entre críticos); 2) lançar vários compositores novos e humildes; 3) dar ao samba uma embalagem quase punk, com letras extremamente sinceras ao mostrar como era o proceder nas favelas.

Era sucesso garantido: embora o cantor quase sempre só aparecesse em programas de TV bastante populares (às vezes, um clipe ou outro era lançado no Fantástico), muitas rádios tocavam e os álbuns de Bezerra vendiam bem, numa época em que “disco de ouro” valia cem mil cópias. O lançamento de Justiça social, disco de 1987, levou o cantor a ser reconhecido como um ilustre morador da Zona Sul carioca. Ganhou até matéria no jornal de bairro do O Globo, em 18 de agosto daquele ano.

"Grande presença!": Bezerra da Silva canta A Semente para crianças

No texto, Bezerra era citado como morador de Botafogo, como dono de uma coleção de “cinco discos de ouro e um de platina, duplo” e como o artista que venderia 500 mil cópias do disco Alô, malandragem, maloca o flagrante (1986). As boas vendas aconteciam porque Bezerra esfregava a realidade na cara do ouvinte, segundo o próprio.

“O povão, que está cansado de ser enganado, gosta de ouvir músicas que falem de suas dificuldades. Acontece que muita gente quer tapar o sol com a peneira e eu não jogo nesse time”, contava o artista. Enquanto isso, na mesma época, Bezerra estava estudando piano, com um professor em casa. Numa entrevista para a Bizz, em 1989 (aliás, uma das raras vezes em que o sambista apareceu na principal revista de música do Brasil), disse que já tinha aprendido até a tocar Ticket to ride, dos Beatles, e Mania de você, da Rita Lee.

Com a finalidade de divulgar Justiça social, a gravadora do sambista, RCA, mandou Bezerra da Silva fazer o bom e velho circuito popular de programas de TV. Por acaso, numa época em que nada parecia chocar muita gente, botou o artista para cantar seu sucesso A semente, no Show Maravilha, comandado por Mara Maravilha no SBT.

Olha que ~pitoresco~. A plateia do programa, formada por crianças, vendo Bezerra cantar uma música que falava, nada sutilmente, de um matinho esquisito que havia sido encontrado num quintal. A semente é a música do refrão “ele só respondia/não sei, não conheço, isso nasceu aí”). Atrás do sambista, um enorme milho dançante.

No fim do número, Mara bate um papo rápido com o sambista. Ironicamente abre o diálogo com “Bezerra da Silva, grande presença!”

Mara: Bezerra, o que está achando desse sucessão?
Bezerra da Silva : Tá legal, tá tudo bom, tá ótimo!
Mara: E o pagode?
Bezerra da Silva: Tá aí, tá todo mundo aí, tá tudo certinho.

Enfim, se você chegou até aqui, pegue aí uma preciosidade: alguns tostões da voz de um dos autores de A semente, Walmir da Purificação. Ele compôs o samba ao lado de Tião Miranda, Roxinho e Felipão. O vídeo é de um dos últimos pesquisadores da obra de Bezerra, o saudoso Daniel DePlá.

Aliás, no vídeo abaixo, os compositores Nilo Dias, Pinga e Zezé entregam que Felipão entrou na parceria de A semente por amizade.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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