Urgente
Bevis Frond solta em breve “Horrorful heights”, seu disco mais “acessível” em anos

Presente no elenco da gravadora Fire Records há três álbuns, o Bevis Frond – projeto art rocker liderado desde 1986 pelo músico, cantor e compositor Nick Saloman – já está com um álbum novo pronto para sair pelo selo. Horrorful heights está previsto para sair em 3 de abril e já foi adiantado com três singles: a faixa-título, That’s your lot e Romany blue (este último, lançado na quinta-feira).
A gravadora avisa que o álbum “oferece uma das portas de entrada mais acessíveis ao universo da banda em anos: um disco que reúne seus principais pontos fortes em um conjunto coeso e vibrante” – algo que parece especial para quem não conhece na totalidade a discografia da banda (que é imensa!). A faixa-título investe numa face mais psicodélica e indianista do Bevis Frond, com cítara e tablas lado a lado com violão, guitarra, baixo e bateria. That’s your lot, por sua vez, poderia ser uma música do Diinosaur Jr, enquanto a nova Romany blue é uma balada com surpresas na melodia e mudanças tonais.
O lançamento vem com alguns presentes da gravadora: ele vai ser lançado juntamente com Horrorful offal, coletânea de sobras de estúdio do disco, que vai estar disponível em edição deluxe exclusiva da Rough Trade e da Fire Records. A Fire disponibilizou também uma edição limitada e autografada do single That’s your lot em vinil de 7 polegadas. O disquinho inclui o lado B Sweeties, que não entrou no álbum – mas a essa altura, reze para conseguir um exemplar.
Para divulgar o álbum, lá vão Nick e sua turma fazer uma turnê pela Europa, que começa 19 de abril na Alemanha (no Musiktheater Piano em Dortmund), passando também pela Bélgica e pela Áustria até chegar ao Reino Unido. Nick, por sua vez, jura que a nova fase mais “acessível” do Bevis Frond não aconteceu de forma intencional.
“Como sempre, é uma coleção do que eu considero minhas melhores músicas dos últimos dois anos. Eu simplesmente sento e escrevo quando a inspiração surge (o que acontece com bastante frequência), mas de alguma forma, desta vez, senti que havia uma vibe um pouco diferente nas músicas. Nada muito diferente, entende? Talvez um pouco mais comercial. Não foi intencional, nunca é. Eu apenas escrevo e o resultado é o que você ouve”, disse, num comunicado da gravadora.
Confira essa nova fase lá no Bandcamp do grupo, enquanto o álbum inteiro não sai.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Urgente
Festival Punk In The Park 2026 é cancelado após debandada de artistas

Enquanto isso, lá num certo país liderado (?) por um presidente de coloração alaranjada, deu ruim para um festival que já vinha passando por polêmicas nos últimos tempos. Programada inicialmente para rolar em três estados diferentes dos EUA, a edição 2026 do festival itinerante Punk In The Park foi cancelada.
Em um comunicado publicado hoje, os organizadores disseram que o “clima atual” em torno do festival tornou impossível seguir adiante de uma forma que entregasse a experiência que fãs, artistas e parceiros merecem. Os reembolsos serão feitos automaticamente dentro de uma semana para todos os compradores de ingressos.
O tal “clima” rolou porque, ora bolas, no ano passado sites como o New Noise Magazine noticiaram que o organizador do evento havia feito uma doação para a campanha do atual presidente estadunidense em 2024. Por causa disso, bandas como Destiny Bond e Dropkick Murphys cancelaram seus shows e sua parceria com a empresa que produz o evento.
Cameron Collins, o tal organizador, tentou se defender: publicou uma declaração dizendo que “minhas visões políticas não se encaixam perfeitamente em uma única categoria ou filiação partidária” e explicando que seu apoio a Trump derivava da “promessa do candidato de acabar com as guerras e se abster de entrar em novos conflitos internacionais, reduzir impostos e impedir abusos de poder do governo” (promessas essas, por sinal, mais descumpridas do que as resoluções de ano novo de muitos fumantes).
Ele também escreveu: “Provavelmente todos nós temos pontos em comum em muitas questões importantes, como ser antirracista, pacifista e acreditar nos direitos humanos de TODOS, independentemente de raça, orientação sexual, religião ou qualquer outra identidade”. A questão é que não havia muito o que justificar (“acreditar nos direitos humanos de TODOS” versus votar e destinar um montante para Trump é uma conta que simplesmente não fecha) e o estrago já estava feito.
Nessa semana, a coisa voltou a feder depois que as bandas Naked Aggression, N8NOFACE e 8 Kalacas cancelaram suas participações na edição de 23 de maio em Vallejo, após descobrirem o apoio do organizador – no caso da 8 Kalacas, uma banda de skacore, a resposta inicial foi “somos anti-Trump, mas vamos usar todos os meios disponíveis para nos posicionarmos contra a divisão e o ódio”, só que a reação dos fãs foi péssima e eles decidiram cair fora de vez.
Já a veterana banda Dead Kennedys, que estava confirmada para o evento, divulgou um comunicado meio… Bom, tire suas próprias conclusões. O grupo declarou que após saber do apoio, não iria mais participar dos eventos do Punk In The Park, mas que não cancelaria sua participação no festival deste ano em respeito aos fãs que já compraram ingressos.
Jello Biafra, ex-cantor e líder da banda, não perdeu a oportunidade e soltou no site Stereogum: “Eles pegam o dinheiro e DEPOIS somem? Os verdadeiros Dead Kennedys jamais teriam deixado isso acontecer. Mais um motivo sórdido para eu nunca mais querer tocar com eles”.
O fato é que 2026 acabou, por ora, para o Punk In The Park. No tal comunicado, o festival diz que não é fim, mas é preciso uma pausa para olhar para o futuro. Olha aí o que eles falaram na íntegra.
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Urgente
Sepultura volta com single novo. Franciscos lança live session. Terminal Guadalupe comemora prêmio com clipe.

RESUMO: Sepultura anuncia EP e lança música nova, The place. Franciscos põe live session no YouTube com o repertório do primeiro álbum. Terminal Guadalupe anuncia novo disco e solta vídeo comemorativo.
Texto: Ricardo Schott – Foto Sepultura: Stephanie Veronezzi / Divulgação
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A semana foi tão cheia de notícias que até o Sepultura, que anunciou o fim das atividades, voltou com música nova. Bom, vale dizer que isso já estava previsto no cronograma do grupo, que está na turnê final, Celebrating life through death, e havia anunciado um EP de inéditas antes do último adeus.
A faixa se chama The place e abre os trabalhos de The cloud of unknowing, o tal EP de despedida que chega em 24 de abril, com quatro músicas. O single já está nas plataformas e antecipa o tom do encerramento: pesado, político e emocional. Segundo Derrick Green, a letra fala sobre imigração, frustração e a transformação de insegurança em raiva.
“Essa música trata de imigrantes que vieram para um lugar em busca de refúgio e para começar uma nova vida. Uma vez assimilados por uma falsa sensação de segurança e propaganda implacável, eles começaram a agir contra o que odiavam em si mesmos. A transição começa a escapar do ódio próprio e da agressividade contra pessoas que acreditavam nas mesmas ideias. Sinto que a letra realmente acompanha as transições da música. Começando com decepção e chegando à raiva”, esclarece Green.
O EP tem, pela ordem, as faixas All souls rising, Beyond the dream, Sacred books e o single The place. Na formação, Derrick Green (vocais), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr (baixo) e Greyson Nekrutman (bateria). A capa de The cloud of unknowing você confere abaixo, e o lyric video de The place vem em seguida.

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A banda Franciscos colocou no ar, no YouTube, o show de lançamento de seu primeiro álbum, Tudo que eu carrego (que por sinal, a gente resenhou aqui). Gravado no Teatro de Bolso Professora Terezinha Silva, em Itapeva (SP), o vídeo traz o repertório do disco na íntegra, em cerca de 34 minutos, apostando na ideia de álbum como experiência contínua – algo que anda raro na era das faixas soltas.
Com direção e produção assinadas pelo próprio grupo, o registro alterna momentos de catarse coletiva e passagens mais intimistas. O lançamento também marca um novo passo: Vinicius Oliveira (voz), Rodolfo Braga (guitarra), Thalles Macedo (baixo) e Guilherme Gonçalves (bateria) querem ampliar a circulação do show e apresentar o trabalho em palcos pelo país.
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Quem anda na maior felicidade é o pessoal da banda curitibana Terminal Guadalupe. Depois de ter o disco Serenata de amor próprio eleito um dos 100 melhores de 2025 pela APCA, o grupo agora apresenta uma versão ao vivo da faixa Calma, de Serenata… (álbum que por sinal foi resenhado pela gente aqui).
O vídeo abre a nova temporada do programa Tenda, transmitido pelo canal do Studio Tenda no YouTube. No palco, Dary Jr. (voz e guitarra) e Allan Yokohama (guitarra e vocal) e lideram a formação ao lado de Bruno Sguissardi (guitarra), Rodrigo Panzone (baixo) e Ivan Rodrigues (bateria), ampliando a força de uma música que já era destaque no álbum.
Reativada em 2022 após 15 anos parada, a Terminal Guadalupe consolida a volta com energia renovada e moral em alta no circuito independente. Tem até disco novo já programado para 2026: Senso de urgência (nome provisório), com gravações caseiras. Três músicas, Acabou, Cristão, esposo, pai e patriota e Não falha um já foram lançadas pela conta Brasil Fora da Caverna no Instagram.
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