Cultura Pop
Aquela vez em que Moraes Moreira saiu dos Novos Baianos

Novos Baianos agora, infelizmente, só sem Moraes Moreira – que morreu dormindo, de infarto, nesta segunda-feira, em seu apartamento na Gávea, Zona Sul do Rio. O cantor fez sua última apresentação no último fim de semana em que houve shows públicos no Rio de Janeiro, no dia 13 de março, no Clube Manouche. Moraes estava na ativa e cuidava de alguns problemas de saúde e, segundo uma reportagem do jornal O Globo, andava tenso por causa do encerramento abrupto da agenda de shows, por causa do coronavírus. Chegou a escrever um cordel chamado Quarentena.
Costumeiramente mais incluído no time da MPB após sua saída dos Novos Baianos em 1975, Moraes fez parte de um time numeroso de artistas que, lá pelos anos 1970/1980 juntou o universo pop mundial com as raízes da música brasileira. O primeiro e epônimo disco de Moraes, de 1975, trazia o cantor à frente de um trio de rock formado por Armandinho (guitarra), Dadi (baixo) e Gustavo Schroeter (bateria), que depois formariam A Cor do Som com Mu (teclados) e Ary Dias (percussão).
Alto falante, o terceiro disco, de 1978, tinha o blues Pedaço de canção e, no ano em que o Van Halen, lançava seu segundo disco, trazia Pepeu Gomes e Armandinho duelando nas guitarras em Crioula. Depois disso, Moraes gravou discos em que contou com os teclados de Lincoln Olivetti, tecladista e arranjador que somava sucessos nas FMs na virada dos anos 70 para os 80.
A saída de Moraes dos Novos Baianos em 1975 não foi uma decisão fácil. A iniciativa partira de Moraes, que estava com dois filhos pequenos e queria criar os garotos em outro ambiente, com mais privacidade, mais recursos e mais grana. Até aquele momento, os Novos Baianos tinham tido três mudanças de gravadora e precisado da ajuda de amigos famosos até mesmo para conseguir itens básicos (João Araújo, criador da gravadora Som Livre, chegou a arrumar uma geladeira para o grupo). No livro Anos 70 – Novos e baianos, Luiz Galvão, parceiro de Moraes nos Novos Baianos, lembra que Moraes chegou a propor alugar um apartamento para viver com a família, e continuar indo ao sítio para manter o convívio com a banda. Mas a proposta foi recusada pelo grupo.
Sem Moraes, o grupo nunca fez nada mais tão brilhante quanto os três primeiros discos, Ferro na boneca (1970), Acabou chorare (1972) e FC (1973), mas marcou alguns gols. Vamos pro mundo (1974), o primeiro sem Moraes, já trazia Pepeu Gomes se desenvolvendo como compositor, e algumas faixas em parceria com o ex-integrante. Entre mudanças de gravadora, o grupo foi parar na gravadora Tapecar e gravou lá seu melhor disco sem Moraes Moreira, Caia na estrada e perigas ver (1977).
Como acontecia com qualquer lançamento de disco naquela época, lá se foi a banda (e vários agregados) gravar um clipe para o Fantástico. O promo de Caia na estrada e perigas ver, a faixa-título, parece coisa dos Trapalhões e mostra toda a turma dos Novos Baianos lotando a traseira de um caminhão que passa por vários pontos do Rio de Janeiro. Rende várias risadas.
Na época do disco, o grupo tinha saído do Rio e se mudado para São Paulo. Paulinho Boca de Cantor deu uma entrevista para O Globo em junho de 1977, quando os Novos Baianos se preparavam para mostrar o repertório do disco no Teatro Teresa Raquel, e deixou claro que os tempos andavam difíceis para a banda. “Não conseguimos uma estabilidade e talvez não consigamos nunca. Mas estamos nos ‘olhando’ mais e nos preocupando com documentos”, contou. “Ainda continuamos desorganizados e peladeiros”.
Na mesma entrevista, a banda também reclamava que não recebia direitos autorais desde o Carnaval. Na mesma época, encerraram abruptamente seu contrato com a Tapecar numa operação digna de desenho do Pica-Pau: Luiz Galvão alega que pediu para o dançarino Gato Félix distrair um funcionário da gravadora, entrou no departamento de contabilidade, passou cuspe no dedo e rasurou a cláusula que tratava dos três anos de contrato.
A história dos Novos Baianos sem Moraes Moreira na formação ainda duraria poucos anos – teve ainda o disco O Farol da Barra (1980, pela CBS). Depois Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil) e Pepeu Gomes iniciariam carreira solo. Entre idas e vindas, o grupo acabou tendo uma presença definitiva no rock brasileiro e na MPB dos anos 1980, com Baby, Pepeu (juntos e separados) e Moraes (separado dos dois, mas com colaborações eventuais do ex-casal) fazendo sucesso e se apresentando no Rock In Rio.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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