Crítica
Ouvimos: YMA – “Sentimental palace”

RESENHA: Em Sentimental palace, YMA cria um hotel onírico de sons psicodélicos, misturando dream pop, jazz e eletrônica com charme e imaginação.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Matraca Records
Lançamento: 23 de outubro de 2025
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“Um hotel onírico, ocupado pelo inconsciente, vira abrigo e pista de dança”, diz a primeira frase do release de Sentimental palace, segundo álbum de estúdio da paulistana YMA. Na real, vale dizer que Sentimental, pela sua psicodelia inerente, e pelas várias portas da percepção abertas por instrumentos musicais, vozes, climas e ruídos, soa como uma versão noturna, eletrônica e chique de Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, álbum dos Mutantes creditado apenas a Rita Lee e lançado em 1972.
Musicalmente, são dois discos que caminham por lugares bem distantes, mas há uma ligação sonhadora e psíquica entre eles que não dá para ignorar. A faixa-título, que abre Sentimental palace, apresenta um passeio pelo tal hotel onírico, guiado pela voz jazzística e doce de YMA, que parece narrar várias cenas, em meio a ruídos de passos e de portas abrindo. Fritar na areia!!!, aberta por barulho de fritura (!), soa como um ambient praiano, em que a voz dela lembra a de Rite Lee – e em que climas lembrando Kraftwerk, blues, jazz, dream pop e até uma versão drum n’ bass do Pink Floyd vão se seguindo.
- Ouvimos: Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – Música do esquecimento
- Ouvimos: Jup do Bairro – Juízo final
O passeio pelo hotel continua com a bossa pop e jazzística de 2001, com a vibração meio Secos & Molhados, meio Melody’s Echo Chamber de La femme, a onda dream pop e sexy de Dentro de mim (cuja melodia, em alguns momentos, chega a lembrar uma trilha de filme antigo da Disney) e um experimentalismo sonoro próximo do pós-punk em Te quero fora (com Lucas Silveira, do Fresno) e na balada melancólica e ruidosa Ruído branco. Já Lagosta, ostra, ruídos de mastigação abrem a declamação jazz-punk de Jup do Bairro e YMA sobre alimentos caros em pratos fundos de metal, luxos vetados para muita gente, e que na verdade escondem lixos.
Existe um lado pop-clássico em Sentimental palace, e ele surge em faixas como Passageira S. (que soa como uma Marina Lima mutante), no clima doce e tranquilo de Rita, com participação de Sophia Chablau, e no som beatle-britpop de O anjo cometa, que encerra o disco com emanações de John Lennon e até de pop triste setentista, daqueles que iriam parar rapidamente numa trilha de novela.
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Crítica
Ouvimos: Jubba & Samyr – “Até que foi bom, sabe?”

RESENHA: Dividido entre São Paulo e Paraíba, o duo Jubba e Samyr reúne em Até que foi bom, sabe? slowcore, soul, trip hop, city pop, folk-rock e trap em um álbum experimental sobre perdas, obsessões e recomeços.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 23 de março de 2026
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Dupla dividida entre São Paulo e Paraíba, Jubba e Samyr decidiram fundir sonoridades e experiências de vida nos climas experimentais e psicodélicos do álbum Até que foi bom, sabe?. Um disco que já começa entre estalos que lembram um disco de vinil, partindo depois para a balada slowcore + soul Quando tudo ficou leve, eu quase flutuei – com toques de guitarra a lembrar um Pink Floyd vaporwave. E para o trip hop cheio de estranhezas de Desassossego, falando do sonho tenso com um amor que já se foi.
O disco é dividido em faixas com letra e vocal, e temas intermediários, como o city pop sombrio de 2406, o charminho lo-fi de K e o instrumental noturno e tranquilo de Vila Aurora. A união de estilos dos dois traz músicas como o folk-rock espacial e lisérgico de Coração de aço (cuja letra fala sobre a primazia de corações fortes e vencedores), o trap loucão de Cicatrizes e obsessões, o instrumental voador e urbano de Onsra.
Até que foi bom, sabe? chega ao fim com o bilhete triste de Dissolução, emoldurado por uma espécie de ambient guitarrístico. E com os quase seis minutos de Inércia, um trip hop que fala em ciclos fechados e recomeços, mas sem deixar a deprê ir embora.
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Crítica
Ouvimos: Septik – “World of turmoil” (EP)

RESENHA: No novo EP, World of turmoil, o Septik mistura crossover, thrash metal, punk e metalcore em faixas rápidas e agressivas, com referências a Megadeth, Sepultura, Ratos de Porão e Metallica.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: REDSUN Records
Lançamento: 27 de agosto de 2026
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Com um álbum e alguns EPs e singles na bagagem, o Septik vem de Houston e aposta em sons extremamente rápidos, agressivos e ríspidos em seu novo EP, World of turmoil. Mesmo podendo ser definida como “crossover”, pelo cruzamento entre metal e punk a banda tem até alguma ligação com climas mais clássicos do metal, embora vá fundo numa receita anárquica para unir tudo.
Tipo na curta Oblivion, que abre em clima de metalzão, tem algo de Megadeth (a banda de Dave Mustaine volta e meia surge como referência em algumas guitarras do disco) mas encerra com arrotos, lamentos e um clima de possessão demoníaca. Mind the silence tem algo de rap nos vocais e ganha até certo suingue, com uma cara punk vindo depois. A faixa-título tem vocais rappeados e um clima meio metalcore.
O final de World of oblivion expõe influências de Sepultura e Ratos de Porão, e do metal dos anos 1990 em geral – Without a trace tem muito de Dead embryonic cells, do Sepultura. Dá até para ver algo de Metallica no refrão de Vanish point, embora a principal onda da música seja ter um beat quase punk, bem ágil. Como o rock dos anos 1990 tem se tornado o paraíso idealizado de um monte de bandas e artistas (do rock e do pop), normal o metal ir pelo mesmo caminho. No caso do Septik, vem dando certo.
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Crítica
Ouvimos: Elli Ott- “The how to sing tape”

RESENHA: No álbum The how to sing tape, Elli Ott explora cordas, objetos e falhas de gravação para criar uma mistura de folk, ruído e experimentação, entre o meditativo e o caótico.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 7,5
Gravadora: Bud Tapes
Lançamento: 21 de julho de 2026
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Ligado ao selo de K7s Drongo Tapes, de Seattle, Elliott Hansen – o popular Elli Ott – é um cara do ruído e da tentativa-e-erro. The how to sing tape, disco lançado também em fita K7, é quase um Quinteto Violado de um cara só, mas voltado menos para o tocar violão e mais para o “violar tocão”.
Ele fricciona vários objetos contra as cordas e faz uma espécie de ruído falsamente meditativo, em faixas como How to sing, a cantada e letrada Will I have to beg you for it? e Meditation on the little black cat (nessa, as cordas do instrumento parecem se romper e causam pequenas rupturas na própria faixa – e em alguns momentos, as cordas parecem estar sendo tocadas por algo operado com pedal).
Essa experimentação aparentemente sem nenhum mapa transforma o instrumento numa interferência (Pumpkin center lament pt 1) e vai seguindo até chegar a algo quase meditativo (Shrimplicity, Untitled). O lado mais “musical” do disco passa por temas folk tocados com certa delicadeza (Dr Olive’s dream e a luminosa Long sea, que chega a lembrar coisas de bandas como Hot Tuna). Uma viagem válida.
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