Enquanto no ano passado a maior galera comemorava os 40 anos do levante punk, uma turma numerosa fazia festa por causa de outro lançamento. O do primeiro disco gospel brasileiro a investir exclusivamente em material composto e produzido no Brasil. E  – o que pode soar bastante estranho para os fãs da música gospel feita hoje – um raro exemplo de disco que misturou samba, bossa nova e música pop ao segmento. Era De vento em popa, álbum do grupo paulistano Vencedores Por Cristo, lançado em 1977.

O grupo tinha sido fundado em 1968 por um pastor protestante americano chamado Jaime Kemp. Inicialmente não era uma banda, era uma missão formada por jovens universitários de várias denominações protestantes. Só que começaram a tocar juntos e a gravar desde aquela época – lançou vários singles e passou a investir em LPs autobancados a partir de 1971.

“O Vencedores por Cristo mudou a face do louvor nas igrejas evangélicas brasileiras. Não que a gente não gostasse dos hinos tradicionais. Mas uma música autenticamente brasileira, contemporânea, foi um instrumento poderoso para a evangelização”, chegou a afirmar Jaime a um site chamado Gospel Prime em 2017, quando o grupo fez um show no Rio e lançou um EP.

O som de De vento em popa, de fato, é… Bom, “original” é uma boa maneira de descrever uma banda cristã que, nos momentos mais bossa nova, lembra artistas como Abílio Manoel e MPB 4, e nas canções mais pop, parece grupos como Sá, Rodrix & Guarabyra e O Terço. As canções são boas a ponto de interessarem não-convertidos à religião (testamos). Por acaso, recentemente o material do disco foi jogado no Spotify e tem até a versão karaokê (“playback” mesmo, como eles chamam) como bônus.

E nesse vídeo aí tem um show do VPC (eles costumam ser chamados pela sigla sem problemas) no ano passado.