Connect with us

Cultura Pop

Trompe Le Monde: 30 coisas que você não sabe sobre o disco dos Pixies de 1991

Published

on

Trompe Le Monde: 24 coisas que você não sabe sobre o disco dos Pixies de 1991
Trompe Le Monde: 24 coisas que você não sabe sobre o disco dos Pixies de 1991

Em 1990, quando os Pixies lançaram seu quarto LP, Bossanova, surgiu um papo de que o disco seguinte de Black Francis (voz, guitarra), Kim Deal (voz, baixo), David Lovering (bateria) e Joey Santiago (guitarra) seria todo de heavy metal. Não foi bem assim: Trompe le monde (1991), que acabou sendo o último álbum da banda em sua fase inicial – até que resolvessem voltar em algum momento da década passada – era basicamente um disco de punk rock, com toques de psicodelia e muito da mão pop-rock que surgiria nos primeiros discos solo de Francis, já com o nome de Frank Black.

De qualquer jeito, um resultado musical que tem tudo a ver com um ano, 1991, em que se diz que os Estados Unidos finalmente entenderam o punk. No caso dos Pixies, a migração para um som mais porradeiro deu em riffaramas como a faixa-título, o funk-rock de U-Mass, o power pop de Palace of the brine, o AC/DC protopunk de Palace of sound, a suíte gritalhona The sad punk e muitas outras. Como se trata de um dos discos preferidos do POP FANTASMA, decidimos relembrar 30 fatos ligados à história do álbum. Ouça o disco e pega aí as infos. De heavy metal, só mesmo as fofocas sobre o álbum…

QUASE DEU MERDA. Uma semana antes da turma entrar em estúdio para fazer Trompe le monde com o produtor Gil Norton, Black Francis deu um ataque e demitiu a baixista Kim Deal. Norton lembra ter ouvido falar que Kim tomou uns gorós a mais, deu uma entrevista para uma rádio desancando publicamente o vocalista, Francis ouviu o bate papo e ficou puto. Depois de muita insistência por parte do produtor, o cantor desistiu da ideia e Kim ficou.

NA ESTRADA COM OS PIXIES. O disco foi começado no mesmo estúdio que a banda havia feito Bossanova, o Master Control, em Burbank. Faltavam letras e vocais e a banda deixou o trabalho para cair numa turnê. Norton fuçou no cangote do grupo enquanto excursionavam: agendou datas em Londres, no Blackwing, e em Paris, no Des Dames, para a banda completar o trabalho.

BLACKWING. Construído numa igreja abandonada no sudoeste de Londres, o Blackwing tinha se notabilizado como uma das usinas de força do tecnopop e do rock experimental dos anos 1980. Discos de Yazoo, Depeche Mode, Fad Gadget, Dead Can Dance e vários álbuns do selo Mute Records saíram de lá.

DES DAMES. O estúdio Des Dames por sua vez, era uma espécie de Abbey Road (construído na Rua Des Dames, em Paris) da Philips francesa. De lá saíram álbuns de Paul Mauriat, Serge Gainsbourg e vários nomes do pop do país. O local também era uma preferência de artistas americanos e britânicos em turnê pela França. Em 1984 Gil já havia comandado as gravações de Ocean rain, disco do Echo & The Bunnymen, na mesma casa.

ALIÁS E A PROPÓSITO. De passagem por Paris em 1970, os Mutantes gravaram o disco Tecnicolor no Des Dames. Essas sessões foram parar no quarto disco da banda, Jardim elétrico, em 1971. O nome do estúdio aparece na contracapa do disco.

EM CIMA DA HORA. Sem tempo para maiores maquiagens, os Pixies faziam músicas pouco antes delas serem gravadas, num clima bem mais experimental e rascunhado que nos discos anteriores. Por causa disso, Norton e o técnico de som Steve Haigler passaram boa parte do tempo gravando faixas de bateria e baixo para músicas que não tinham a menor ideia de como ficariam, já que Francis não terminava as letras nem as ideias principais das melodias.

FALANDO NISSO. Trompe le monde foi gravado praticamente com a banda separada. Os músicos nem se cruzavam no estúdio. Coube à equipe reduzidíssima (produtor e engenheiro de som) fazer o meio de campo, já que o grupo mal se comunicava.

DAS ANTIGAS. Os Pixies resolveram resgatar uma música do comecinho da banda para o disco. Subbacultcha estava na demo Purple tape, gravada em 1987, e que gerou o EP Come on pilgrim. Mas permanecia inédita. Testemunhas afirmam que muita coisa do disco vinha também de coisas que estavam guardadas havia anos no armário de Black Francis, incluídas aí canções como Planet of sound e U-Mass.

REFERÊNCIA. Em Planet of sound, Black Francis fala em “a terra do Classical gas“. É uma referência a esse tema instrumental composto e gravado por Mason Williams em 1968, e que se tornaria popularíssimo nos Estados Unidos.

CADÊ A KIM?. Kim Deal estava bem insatisfeita com o fato de Trompe estar em vias de se tornar quase um disco solo de Francis, sem muito espaço para suas colaborações. Black Francis, além dos vocais gritados, fazia vozes bem parecidas com as da baixista em quase todas as músicas – Trompe le monde, a faixa título, parecia cantada por ela, mas não era. Gil Norton ficou particularmente aborrecido com o fato de Bird dream of the Olympus Mons, que originalmente iria para a voz dela, ter sido cantada por Francis. Foi o que bastou para cortar de vez o tesão da baixista.

U-MASS. A música U-Mass era uma brincadeira com os tempos em que Black Francis passou estudando antropologia na Universidade de Massachussets (que é realmente abreviada para U-Mass ou UMass). Foi lá que ele conheceu Joey Santiago, que estudava economia. Ambos deixaram seus cursos no segundo ano.

ALIÁS, Joey deu uma entrevista a um jornal da universidade faz pouco tempo e disse que essa música, bem como outras da banda, não faz referência a nada exato. “Em U-Mass, Charles (Black Francis, cujo nome verdadeiro é Charles Thompson) não estava falando da vida no campus. Assistir a todos aqueles fodidos na época, como os ??direitistas militantes, era educativo. Foi uma grande surpresa”.

JESUS & MARY CHAIN. Trompe le monde se tornou popular por causa de uma releitura, a de Head on, do Jesus & Mary Chain. Norton lembra que ao terminar essa música, Tanya Donelly, da banda Throwing Muses e das Breeders, pintou no estúdio. Com a chegada dela, uma turma da gravadora 4AD acabou indo à casa de Norton para uma festinha. O produtor lembra de ter ficado sem graça quando viu ninguém menos que Jim Reid, do Jesus, aparecer lá. “Tinha acabado de mixar a regravação de uma música dele, e nem o conhecia”, brincou.

SOZINHO. Testemunhas lembram que, no fim da gravação de Trompe le monde, ainda que a 4AD tivesse os Pixies como topo de linha, estava claro que era o fim. Tinha sido planejado que o staff da gravadora iria ao estúdio para levar todo mundo para jantar e encerrar a gravação. Ninguém apareceu, e os outros integrantes da banda deixaram Francis sozinho lá, decidindo os últimos detalhes.

CLIPE E SINGLE. Caciques da 4AD e da Elektra (que distribuía o selo indie) apostavam inicialmente em Alec Eiffel como clipe. Peter Lubin, A&R do selo, peitou geral e escolheu Head on. E acabou tendo uma missão daquelas: convencer os Pixies, que detestavam fazer clipes, a fazer um clipe da música. Black Francis disse que faria se fosse tudo ao vivo, em só um take, no tempo de duração da faixa.

CLIPE E SINGLE II. O resultado das discussões para Head on, você viu bastante na MTV entre 1991 e 1992: Lubin deu a ideia de dividir a banda em vários blocos, capturados por doze câmeras, como se fossem uma espécie de cubo mágico em que pescoços e articulações eram deixados de lado. Até chegar nesse resultado – produzido musicalmente por Scott Litt – Lubin teve que argumentar por algumas horas com Black Francis, com quem teve um encontro num restaurante chinês na Flórida. E a gravadora precisou despejar uma carreta de grana em técnico de som e de imagem para que tudo saísse visualmente perfeito. Deu certo, já que a MTV adorou o vídeo.

MAS ainda assim Alec Eiffel ganhou clipe. 

CASO DE AMOR. Só para ficar claro: a Elektra, que distribuía a 4AD, amava os Pixies. Mas estava cada vez mais sem paciência com as teimosias deles.

EU VENHO DE LONGE. Eric Drew Feldman, que tocou teclados no disco (e em alguns shows da época), foi baixista de Captain Beefheart And His Magic Band em 1976, e tocou também com Pere Ubu. Seu irmão Jeff tocou tablas em Space (I believe in) e Lovely day. O emprego seguinte de Eric foi como produtor e músico do próprio Frank Black. Eric aparece como figurante de luxo no clipe de Alec Eiffel, que você viu lá em cima.

NO BRASIL. Trompe le monde não foi lançado de imediato no Brasil. Só anos depois a Roadrunner Records lançou o disco aqui, e já em CD.

NADA DE IMPRENSA. Durante a divulgação de Trompe, Francis se recusou a dar entrevistas. Esnobou até mesmo uma capa da Time out, o que deixou a 4AD e a Elektra bastante putas.

NARC. Durante a gravação de Trompe le monde, ao que consta, Frank Black ficou meio obcecado com NARC, jogo lançado em 1988 que servia como uma espécie de veículo jogável da guerra anti-drogas empreendida pelo governo Ronald Reagan – que tinha lançado a campanha “diga não às drogas”. No game, o jogador investia violentamente contra qualquer ser humano ligado ao narcotráfico: usuários, aviões, traficantes etc. Ficou tão maluco pelo assunto que os Pixies gravaram a música do game, Theme from NARC, para o single de Planet of sound. 

O AUTOR. Black Francis teria dito a um fanzine (o Dangerous Minds resgatou essa) que “Theme from NARC não tem realmente um refrão. Eu pensei que era muito legal, porque a progressão de acordes é completamente fodida. Não é uma progressão padrão do rock ‘n’ roll”. O compositor da canção, Brian Schmidt, trabalha há mais de três décadas fazendo trilhas para games e ficou surpreso de saber, por um amigo, da versão dos Pixies. 

ALIÁS E A PROPÓSITO, pega logo aí tudo o que saiu nos singles de Trompe le monde. O de Planet of sound trazia Theme from NARC, Build high (de Black Francis) e Evil hearted you (antiga canção dos Yardbirds, composta por Graham Gouldman, que depois seria integrante do 10cc). Na sequência, tinha o single de Alec Eiffel. A versão francesa tinha outra canção do disco, Motorway to Roswell, e mais Planet of sound gravada ao vivo na Brixton Academy em 26 de julho de 1991, e Tame (de Doolittle), gravada no mesmo show. A britânica trazia só Motorway. O CD single americano vinha com Alec, uma versão instrumental de Letter to Memphis (do Trompe) e… Build high e Evil hearted you. Letter to Memphis, com vocais, viria isolada num single posterior. Head on, o último da série, repetia as versões ao vivo de Planet of sound e Tame, e tinha Debaser (do Doolittle) gravada ao vivo em Chicago em 9 de agosto de 1989.

NIRVANA. O trio liderado por Kurt Cobain estava para lançar seu disco de maior sucesso, Nevermind, naquela época. Havia certa expectativa para que eles abrissem os shows da turnê dos Pixies. Não aconteceu, até porque enquanto os Pixies se recolhiam, o Nirvana se tornou uma banda poderosíssima em pouco tempo.

SHOW DUPLO. Quem acabou abrindo vários shows para os Pixies foi justamente o Pere Ubu, banda na qual o tecladista Eric Drew Feldman ainda tocava por aqueles tempos. A sugestão foi do próprio Black Francis. Feldman tocou nos dois shows e não deixou o palco durante mais de duas horas.

E O U2? Os Pixies seguiram na turnê de Trompe le monde e, você deve lembrar, abriram para o U2, que divulgava Achtung baby com a Zoo TV Tour. Quem não ficou muito satisfeita com a chance foi Kim Deal, que reclamou de tocar para “lugares vazios, com as pessoas procurando suas cadeiras. Elas iam lá para ver o U2 e éramos a porra da banda de abertura”.

GLÓRIA A DEUS. Por causa da turnê com o U2, Francis acabou tendo uma oportunidade que jamais imaginaria: conhecer Larry Norman, o músico cristão que inspirou o título do disco Come on pilgrim. Larry era autor de um polêmico disco de psicodelia cristã, Upon this rock (1969) e em 1972 participou de um inimaginável “Woodstock de Cristo”, a Explo 72 (da qual o POP FANTASMA falou aqui). O encontro entre Norman e Francis teria acontecido em Sacramento, durante a turnê, e rolou por uma razão básica: boa parte da equipe do U2 é formada por cristãos, que conheciam o músico e sabiam que Francis era fã.

BASTIDORES. O U2 tinha uma porrada de camarins à disposição durante a turnê. Os pobres Pixies tinham que se vestir no tour bus, o que dava certa vergonha aos músicos. Num determinado momento, os quatro não se aguentaram e colaram um cartaz no ônibus: “Não entre, estamos usando nosso tour bus como camarim”. Deu certo: a turma do U2 passou lá, viu o aviso e arrumou um camarim decente para o grupo nas arenas. Pode parecer pouco, mas deu uma melhorada na combalida autoestima do quarteto.

ALIÁS E A PROPÓSITO. Esse texto foi motivado por esse vídeo maravilhoso dos Pixies no Dennis Miller Show, tocando Head on, Bird dream e Planet of sound.

Infos do livro Fool the world: The oral history of a band called Pixies, de Josh Frank e Caryn Ganz, em boa parte desse texto.

Cultura Pop

Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

Published

on

Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

RESUMO: Billy Corgan e Butch Vig retomam a parceria de Gish e Siamese dream em Black stars, faixa da trilha de Jogos vorazes. Um reencontro com o produtor que ajudou a criar o som do Smashing Pumpkins. Relembre o histórico.

Texto: Ricardo Schott – Fotos: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Imagine você entrar num estúdio com Billy Corgan, no começo dos anos 1990, e descobrir que ele quer gravar uma música com dezenas de guitarras. E que, se uma delas não soar exatamente como ele imaginou, vai ter que fazer tudo de novo. Agora imagine que o produtor, em vez de mandar o sujeito sossegar, acha a ideia ótima. Pois era mais ou menos assim que funcionava a parceria entre o Smashing Pumpkins e Butch Vig. E, 33 anos depois, os dois resolveram repetir a experiência.

A novidade é Black stars, música lançada nesta sexta-feira (16) e incluída na trilha sonora de Jogos vorazes: Amanhecer na colheita. A trilha completa sai em 13 de novembro, uma semana antes da estreia do filme. É a primeira gravação lançada pelo Smashing Pumpkins com produção de Vig desde o álbum Siamese dream, de 1993. A faixa também entrou no repertório da atual turnê Rats in the cage.

A história dos dois começou em 1990, quando o Smashing Pumpkins gravou Tristessa, compacto lançado pela Sub Pop, sob a produção dele. Isso foi antes de Vig produzir Nevermind, do Nirvana (1991). Corgan gostou do cara logo de primeira. Numa entrevista à Tape Op, contou que o produtor não tinha pose, trabalhava pra caramba e não se assustava com as ideias que ele e o baterista Jimmy Chamberlin levavam para o estúdio. Pelo contrário: parecia gostar da complicação.

Foi assim que chegaram a Gish (1991), álbum de estreia da banda, primeiro no qual trabalharam juntos. Corgan queria um disco com peso, psicodelia, melodias bonitas e guitarras aparecendo de todos os lados – um baita rock de arena, com ambiência, totalmente o oposto daquela onda da época, de simplesmente colocar quatro músicos numa sala e apertar o botão de gravar. Vig comprou a ideia e ajudou a organizar tudo aquilo. Dá para ouvir o resultado em Siva, Rhinoceros e Daydream, três músicas bem diferentes que parecem fazer parte do mesmo universo.

Só que os dois tinham um problema: não sabiam a hora de parar. Corgan contou à Rolling Stone italiana que Vig pegava pesado com afinação, ritmo e vocais. Fazia Billy cantar a mesma parte tantas vezes que ele começava a achar que não sabia cantar. O engraçado é que, olhando para trás, o vocalista reconhece que aquela cobrança fez toda a diferença.

Em Siamese dream (1993), o segundo disco, a situação ficou ainda mais complicada. A banda já tinha uma gravadora grande esperando resultados, Billy passava por uma fase emocional difícil e os integrantes não se entendiam nada bem. Foram gravar em Atlanta, mas os problemas viajaram com a banda nas malas.

Corgan acabou tocando praticamente todas as guitarras e boa parte dos baixos. Algumas músicas ganharam tantas camadas que Vig precisava descobrir como fazer tudo caber na mixagem. Era guitarra em cima de guitarra, com mais uma guitarra aparecendo quando você achava que já tinha acabado. E, se alguma coisa não estivesse perfeita, lá iam eles gravar de novo. O disco demorou, custou caro e deu um trabalhão. Só que saiu dali Siamese dream, com Cherub rock, Today, Disarm e vários clássicos.

Corgan nunca escondeu o quanto Vig foi importante. Nos textos da reedição de Siamese dream, em 2011, escreveu: “Butch me apoiou o tempo todo nessa visão maluca”. E completou: “Butch era a única pessoa que poderia ter feito aquele disco conosco, porque o respeitávamos tanto que queríamos estar à altura dos padrões elevados dele”.

Mas aí chegou a hora de fazer o duplo Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), e Billy resolveu mudar tudo. Chamou Flood e Alan Moulder para produzir, porque queria sair daquela maneira de trabalhar. Numa entrevista ao Grammy.com, explicou que Vig havia ajudado a construir uma versão quase idealizada do Smashing Pumpkins. Flood queria outra coisa: ouvir a banda como ela realmente soaria nos shows.

E não, a troca não aconteceu por causa de alguma briga. Em 2011, perguntaram a Corgan se ele toparia trabalhar novamente com Vig. “Eu amo Butch e temos uma relação muito boa. Adoraria. Ele provavelmente é uma das únicas pessoas com quem eu voltaria a entrar em estúdio”, respondeu. Vig também sempre pareceu adorar Corgan, embora já tenha declarado algumas vezes que o músico foi “um pentelho” no estúdio (quem conhece a história de Billy sabe que isso é um nome até carinhoso).

Pois bem: demorou 15 anos para aquela declaração virar realidade. Black stars coloca novamente os dois no estúdio, agora com décadas de experiência acumulada e sem a obrigação de repetir o que fizeram em 1993.

Ainda não há indicação de que a parceria vá render um álbum inteiro. Por enquanto, é uma música para uma trilha sonora. Mas já dá para imaginar a cena: Billy aparece com uma ideia complicada, Butch escuta, pensa um pouco e resolve que dá para melhorar. E lá vem outra guitarra…

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Cultura Pop

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

Published

on

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

Published

on

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Acompanhe pos RSS