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Cultura Pop

“Nosso baterista sempre toca pelado” e outros hits bem estranhos da The West Coast Pop Art Experimental Band

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"Nosso baterista sempre toca pelado" e outros hits bem estranhos da The West Coast Pop Art Experimental Band

Formada em Los Angeles em 1965, a The West Coast Pop Art Experimental Band ganharia facilmente um concurso de bandas com nomes bizarros. Mas como se não bastasse, o grupo – que iniciou carreira com o nome de Laughing Wind, não menos esquisito – ainda por cima teve uma história das mais acidentadas. E tem em seu repertório músicas com nomes bem estranhos, e pretensamente “descontraídos”. Confira aí Suppose they gave a war and no one comes.

Essa é Tracy had a hard day sunday.

Essa é Until the poorest people have money to spend.

A banda arrumaria altos problemas hoje em dia por causa de Our drummer always plays in the nude (“nosso baterista sempre toca pelado”).

A história do grupo também é, digamos, sui generis. Originalmente, a The West Coast Pop Art Experimental Band (doravante chamada de TWCPAEB), era um trio formado por três garotos de vinte e poucos anos, Michael Lloyd, e os irmãos Danny e Shaun Harris, e tinha um nome mais maluco ainda: o tal do Laughing Wind, que falamos acima.

Os três foram apresentados pelo produtor Kim Fowley a um playboy trintão chamado Bob Markley, durante uma festa na casa de Bob em Beverly Hills. Markley, filho de um magnata do petróleo, aspirante a popstar e apresentador de TV, curtiu o som do grupo. Mais que isso: propôs financiar o Laughing Wind. Só que como não existe almoço grátis, em troca do patrocínio o grupo teria que aceitá-lo como cantor, percussionista, compositor e diretor artístico.

Markley, vá lá, conseguiu transformar o show do grupo numa experiência psicodélica. Seguidor das digressões poéticas de Jim Morrison, ele incrementava as apresentações com jogos de luzes, performances (ele era responsável pela área de “palavra falada” nos shows e discos) e uma certa atitude hipster – que incluiu a mudança do nome da banda para o bendito TWCPAEB.

Rolava também um certo ideal de transformar o grupo numa espécie de (muito entre aspas) “Velvet Underground da Costa Oeste”, o que incluía colocá-los num circuito que incluía bandas como Seeds e Mothers Of Invention, e a gravação de uma música de Frank Zappa no primeiro álbum, Help me! I’m a rock. Após um álbum gravado por um selinho criado por Markley, FiFo, o TWCPAEB foi contratado pela Reprise. Parecia que ia dar certo.

Deu por uns tempos. O conflito de gerações na banda já poderia ser evidente (Markley era dez anos mais velho que seus colegas de TWCPAEB), mas funcionava às avessas: eram os moleques Lloyd e os irmãos Harris que ficavam de saco cheio do comportamento frívolo e das palhaçadas e happenings do tiozão Markley. Como letrista, o vocalista do grupo era obcecado por temas como garotas (muito) jovens, fim da infância e perda da inocência. Em 1969, essa obsessão chegou ao ápice com Where’s my daddy?, o quinto disco do grupo: uma espécie de ópera-rock sobre uma garota sem-teto que vive um monte de situações deprimentes, e ainda é espancada e estuprada.

Na época, o contrato da banda com a Reprise já havia dançado e a banda estava num selinho pequeno chamado Amos. Os integrantes estavam começando a ficar de saco cheio das baixas vendas e do comportamento um tanto autoritário de Markley. O líder conseguiu convencer o trio a abandonar o The West Coast Pop Art Experimental Band e adotar simplesmente o nome… Markley, A Group. Sob esse nome, saiu um disco epônimo em 1970. Shaun Harris co-produziu o disco e Lloyd cantou boa parte das canções, além de tocar teclados. Mas todo mundo já estava de saco cheio e a banda pararia aí.

https://www.youtube.com/watch?v=EzAlZuBM9qw&list=PLF-92rCh83EoVI8UxanTiYW1rRpu9quyd

Saiu tem um tempinho uma matéria no The Guardian dizendo que o futuro de Markley após a banda não tinha sido dos melhores. O músico teria sido espancado em Chicago e, após a morte do pai, perdeu toda a sua fortuna. “Eu não sou muito interessado em religião”, chegou a afirmar Shaun Harris. “Mas se existe algo como karma, ele pode ser um garoto-propaganda disso”. O líder do grupo chegou a experimentar do veneno da cana por causa de envolvimento com garotas menores de idade e encrencas parecidas. Morreu em 2003, sumido do universo da música e, conta-se, totalmente fora da casinha.

Os outros integrantes do grupo foram montando outras bandas e criando novos projetos. O mais bem sucedido talvez tenha sido Michael Lloyd, que se tornou supervisor de trilhas de filmes (a de Dirty dancing foi concebida por ele) e também produziu discos de Belinda Carlisle e Shaun Cassidy, entre outros. Olha aí um papinho com ele.

 

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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