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Crítica

Ouvimos: The Swell Season – “Forward”

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Depois de 15 anos, o Swell Season volta com Forward, um disco emotivo sobre tempo, perdas e recomeços, com folk belo e melancólico.

RESENHA: Depois de 15 anos, o Swell Season volta com Forward, um disco emotivo sobre tempo, perdas e recomeços, com folk belo e melancólico.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Secretly
Lançamento: 11 de julho de 2025

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Glen Hansard e Markéta Irglová, os dois do Swell Season, não lançavam discos juntos desde 2009 – e a carreira deles como dupla corria o risco de ter apenas dois álbuns. Pode ser que as vidas e desencontros pessoais tenham influenciado bastante em decisões tomadas pela banda. Num papo com o Huffington Post em 2011, Markéta falou sobre a separação/hiato por tempo indeterminado da dupla e contou também sobre eles terem mantido a amizade e a dupla de trabalho mesmo após a separação deles como casal. Revelou também que uma volta do Swell Season, por aqueles tempos, dependia bem mais de Glen do que dela. “Ele tem estado muito, muito ocupado desde que demos uma pausa na turnê”, contou.

Qualquer outra suposição a respeito do relacionamento dos dois é pura fofoca, claro – mas o Swell Season esperou até este ano para lançar um terceiro disco e retornar aos shows, ainda focando num folk mágico e embevecedor. Forward, o tal disco, mexe com uma noção de “daqui pra frente” que não deixa de sentir muito pelas mudanças causadas pelo tempo. Mesmo que abra com um ótimo folk que lembra bastante o estilo de Bruce Springsteen, Factory street bells, no qual Hansard canta para seu filho sobre ir ao trabalho, voltar para a casa e ouvir os sinos da fábrica tocando quando pai e filho estão juntos.

Esse momento de congelamento no tempo é seguido pela tristeza de People we used to be, balada de piano cantada por Markéta em que surgem versos como “não vou parar e só olhar a destruição de tudo que sonhei” e “as coisas já foram mais fáceis”. A deprê de Stuck in reverse, com metais, cordas e vocais rascantes de Glen, é a materialização desses desejos – tipo “voltar às coisas quando não eram tão duras” e coisas do tipo.

A partir daí você já percebeu que esse clima emotivo é um dos motores de Forward. I leave everything to you lembra a voz de Christine McVie no Fleetwood Mac, e lida com um clima solar, romântico, bonito e bem triste, com Markéta cantando coisas como “as coisas nunca são como imaginávamos” e “queria ter uma mente aberta em vez de deixar minhas emoções me cegarem”. O bittersweet mágico de Little sugar faz lembrar David Crosby. Pretty stories abre como uma valsa de amor (aliás de amor mal-sucedido) e depois se tona uma balada blues pesada e quase gospel sobre empoderamento pós-término.

Por acaso, a segunda metade de Forward se torna menos densa, e mais próxima do “daqui para a frente” preconizado pelo título. Great weight abre com metais que impressionam e ganha ar jazz-blues – depois se torna um blues-rock bem clássico, igualmente linkado com o jazz, com cordas e com certo ar de música francesa ou cigana. Já a balada Hundred words, no final, leva essa onda “positiva” e emocionada do disco para um lado meio cafona, que inclui algo parecido com um coral de crianças e uma letra que poderia ter sido gravada pela Xuxa no mesmo disco de Lua de cristal. Versos como “mantenha a fé / não feche o livro, continue lendo”, por sua vez, lembram coisa de pastor coach.

Resumindo: tem muita beleza em Forward. Tem também muita coisa que merecia uma edição na base do “diga isso sem dizer isso”, “mostre, não conte”. E tem momentos que merecem ser eternizados. Mesmo nesse desequilíbrio, o Swell Season sai da nova aventura valorizado.

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Crítica

Ouvimos: Codinome Winchester – “Rock ou nada” (EP)

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Resenha: Codinome Winchester – “Rock ou nada” (EP)

RESENHA: No novo EP, Rock ou nada, a banda sul-mato-grossense Codinome Winchester cruza pós-punk, ska-punk, noise rock e rock pesado, com letras entre o existencialismo, o protesto e a celebração.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Sonora Digital
Lançamento: 10 de setembro de 2026

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Banda de Campo Grande (MS), o Codinome Winchester faz do EP novo, Rock ou nada, uma declaração de princípios em tom próximo do pós-punk – ou de uma noção bem guitarrística de new wave, com letras que vão do existencialismo ao protesto. Ou que unem as duas coisas, como no inconformismo religioso de Eureka!, ska-punk com guitarras próximas do hard rock. Você também vai queimar, com vocais fortes, parede de guitarras e clima de viagem noise-rock lá pela metade, dá ao estresse do dia a dia uma imagem destruidora, que vai pondo fogo em tudo ao redor.

A segunda metade de Rock ou nada é bastante variada. Se você detesta bandas de rock que usam vocoder, autotune ou qualquer coisa do tipo, passe longe da terceira faixa – mas assim você vai perder a ótima A última polka, rock pesado e ligeiramente progressivo, com vocais eletrônicos e letra propondo uma visita quase surrealista ao Mato Grosso do Sul, em que o Pantanal e seus habitantes não estão para brincadeira. No final, tem até um samba-punk, a positiva O samba parou, com Mauricio Pereira soltando a voz. E com o grupo avisando que, apesar das dificuldades, a festa não acabou.

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Crítica

Ouvimos: Cobrafuma – “Droga total”

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RESENHA: Cobrafuma – “Droga total”

RESENHA: No álbum Droga total, o português Cobrafuma transforma raiva, abandono e precariedade em punk acelerado, misturando hardcore, thrash metal e rock’n’roll em 20 minutos de pancadaria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Lovers & Lollypops LDA
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Não tem como deixar passar uma banda com um nome desses, e com um disco desses – um álbum de 20 minutos que recentemente o Bandcamp definiu como “thrash metal, hardcore e rock n’ roll condensados” e “um ataque sonoro tão insidioso quanto robusto”. Já o Cobrafuma é uma banda punk do Porto (Portugal) cuja autodefinição é melhor ainda: “fumo denso, jogos de snooker em que ninguém mete a preta e mais de 666 cervejas entornadas entre o corpo, o chão, e o balcão”.

Droga total mergulha no dia a dia dos jovens da classe pobre, apertada, raivosa, cheia de traumas e medos. Mas faixas como o crossover Trabalho servem para várias existências, com versos como “o patrão tem que ruminar / és a roda desdentada que prometem engrenar / empanturrado de migalhas / e gargantas que cortar”, berrados com precisão de João Gordo e sotaque luso. Meninos das tochas une punk e palhetadas de metal para falar diretamente de abandono e descaso – enquanto a faixa-título, lembrando o D.R.I. de discos como Four of a kind (1988)M trata de abusos e mortes.

No geral, o Cobrafuma lembra uma banda punk dos anos 1980, com a mesma preocupação em demolir fronteiras entre punk e metal, e em cravar refrãos prontos para serem gritados (como em Hoje é dia e Quem é este man, faixas com solos que lembram até a fase Anarkophobia, dos Ratos de Porão, em 1991). Tiro no escuro abre em clima pesado e sombrio, mas emenda no punk. O final, com as palhetadas quase thrash metal de Humildade, põe algo próximo do otimismo no universo do grupo.

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Crítica

Ouvimos: Jewls – “NeverTheLess” (EP)

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Resenha: Jewls – “NeverTheLess” (EP)

RESENHA: No EP NeverTheLess, a alemã Jewls cruza pós-punk, guitarras atmosféricas, trip hop e shoegaze em canções sobre amores tóxicos e desencontros, com vocal rouco e misterioso.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Motor Entertaiment
Lançamento: 4 de setembro de 2026

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A palavra “nevertheless” significa “mesmo assim”, “no entanto” – e, no título do EP da alemã Jewls, ela surge dividida em três (o que dá um trocadilho torto, tipo “nunca + quanto menos”). O NeverTheLess de Jewls investe em pós-punk, guitarras atmosféricas, canções mais ou menos acessíveis, marcadas pelo vocal rouco, sexy e misterioso dela. E por um clima provocativo herdado de bandas como Garbage e Dry Cleaning.

Essa onda, misturada com climas herdados do pós-punk, dá as caras nas duas faixas de abertura, A rough inbetweener e em Easy rider – completando o cenário com os ruídos e rangidos de The crushed, nada levemente inspirada em Heart shaped box, do Nirvana. Spring once, canção melancólica aberta com voz e violão (e prosseguida em clima quase shoegaze), é o lado The Cure + Smashing Pumpkins do disco – encerrando com o trip hop ruidoso e distorcido da faixa-título.

Jewls, por sinal, fez de NeverTheLess um disco (vá lá) “romântico”, mas sem banalidades – as letras recorrem a imagens bem cruas e sarcásticas para falar de incompreensões, amores tóxicos e casualidades da vida romântica. Soa com cara própria a maior parte do tempo.

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