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Cultura Pop

Sabe That’s Good, do Devo, que tá sendo usada num comercial de banco? O clipe dela foi censurado em 1982

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Sabe That's Good, do Devo, que tá sendo usada num comercial de banco? O clipe dela foi censurado em 1982

Uma das bandas mais críticas e irônicas da história do rock está, quem diria, ajudando a vender um serviço bancário. Tem uma propaganda de banco usando That’s good, do Devo, como jingle.

Sabe That's Good, do Devo, que tá sendo usada num comercial de banco? O clipe dela foi censurado em 1982

Analisando bem – e levando em conta que tanto a banda como possivelmente os criadores do comercial têm senso de humor – não se trata de uma escolha equivocada. That’s good zoa a ambição e o consumismo desenfreados. A letra, diz o autor Gerald (ou Jerry) Casale, fala sobre “a ambiguidade de todo mundo querer o que você quer. E como todo mundo vai querer uma coisa que todo mundo quer?”. Olha a música aí embaixo.

A música é um dos destaques do quinto disco do Devo, Oh, no! It’s Devo!, de 1982. Na época, a sonoridade do grupo estava localizada entre o synthpop e a new wave. E o novo disco mexia com uns demônios bem bizarros. A faixa I desire, por exemplo, teve sua letra baseada num poema escrito por John Hinckley, o sujeito que, num lance bizarro para tentar impressionar a atriz Jodie Foster, tentou assassinar o presidente Ronald Reagan.

Big mess era inspirada na história de uma série de cartas enviadas a um programa de TV de Los Angeles. Todas escritas por um sujeito que usava o codinome de Cowboy Kim, e que se dizia apresentador de rádio.

Havia um ingrediente muito importante nessa virada de mesa do Devo, que dizia ter feito um disco como se fossem “palhaços fascistas”. E era o esfacelamento da relação outrora prolífica da banda com a MTV. Pouco antes de Oh, no! It’s Devo!, eles e a emissora viviam em lua-de-mel, com os clipes do disco Freedom of choice (1980) – como o do hit Whip it – em alta rotação no canal. Os vídeos eram todos bolados pelo próprio grupo.

Só que essa fase durou pouco. Jerry Casale reclamou em entrevista reproduzida no livro Devo’s freedom of choice, de Evie Nagy, que depois que a MTV ganhou mais audiência em todos os Estados Unidos, a programação da emissora passou a ficar amarrada ao Top 40. “Eles ganharam um conjunto de regras como o do Talibã”, contou. “Começaram a jogar nossos clipes para tarde da noite. Ou quando chegávamos com novos vídeos, eles começavam a querer dizer à gente o que fazer”.

Outro membro dos dois “casais de irmãos” da banda, Mark Mothersbaugh, diz também que a grande diferença entre os clipes do Devo e o de outros artistas, era que estes eram feitos como se fossem grandes comerciais dos discos que as gravadoras tentavam vender. No mais, como completou Jerry no mesmo livro, “nós já fazíamos vídeos antes da MTV, então não vamos deixar de fazer”.

Pois a relação da banda com o canal sofreria um abalo daqueles justamente por causa do clipe da bancária That’s good. A implicância do canal rolou, entre outras coisas, por causa de uma cena pra lá de duvidosa (é lá pelos 58 segundos do vídeo) em que, numa animação, uma batata frita aparece entrando no buraco de uma rosquinha. Nesse momento, corta para uma mulher seminua jogando os cabelos para trás.

Parecia brincadeira, mas foi o que aconteceu. O grupo recebeu um telefonema indignado de um executivo da MTV dizendo que, se a banda quisesse usar a cena da modelo no clipe, teria que optar entre cortar a rosquinha ou a batata frita do clipe. Tudo porque a atriz convidada parecia muito felizinha com a situação e as referências sexuais eram evidentes.

“Eu cheguei a alegar: ‘E se deixássemos a batata frita e a rosquinha, e quando cortasse para a modelo, ela estivesse triste?'”, zoou Jerry. “O cara me respondeu: ‘Tá bom, seu espertinho'”. Jerry argumentou que a emissora exibia a todo momento clipes nos quais o sexismo era bem mais evidente – como os de Billy Idol. “Não estamos falando deles, e sim de vocês”, disse o cara.

A relação da banda tanto com a MTV quanto com o mainstream da música seguiria numa sucessão de altos e baixos, com grandes hits e clipes – e o rígido controle de qualidade do Devo sempre na frente. Mais recentemente, um diretor chamado Tony Pemberton vem se dedicando a um documentário sobre a banda, Are we not men?, que começou a ser feito em 2012, passou por um processo de crowdfunding e até hoje não foi terminado. O trailer tá aí (e aqui tem uma resenha de um sujeito que diz ter visto uma das versões do doc – e diz que “não é um filme muito legal”).

E já que você chegou até aqui, pega o Devo tocando Blockhead num programa de TV em 1980.

 

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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