Cultura Pop
Rolou aniversário de Honey’s Dead, do Jesus and Mary Chain

A revista Spin definiu Honey’s dead, quarto disco do Jesus and Mary Chain (lançado em 22 de março de 1992) com frases como “agora o Jesus é a banda de rock de estádio que sempre quis ser”. Também disse que uma das coisas mais interessantes a respeito do álbum é que ele não parecia de jeito algum um disco dos irmãos Jim e William Reid.
Bom, era por aí mesmo: o disco já abria com Reverence, uma música pesada, suja, mas dançante e cheia de programações – era como uma revisão eletrônica do Sonic Youth e do próprio Jesus. Teenage lust, a canção seguinte, soava quase como um Stooges ou Black Sabbath dançante, com direito a várias guitarras mixadas e ao que parecia ser o barulho de um esmeril (!) no final. Far gone and out, até hoje uma das músicas mais conhecidas do Jesus, era o segundo single: uma canção bastante cantarolável, pouco menos barulhenta e igualmente dançável.
Não era a primeira vez que o grupo tentava algo dançante. Em entrevistas, a banda se defendia citando Sidewalking, do disco Automatic, de 1989, e revelava que durante o estouro da dance music, tinha se sentido ligeiramente ameaçada, como se o tipo de som que eles faziam estivesse fora de moda. De qualquer jeito, tinha mais detalhes nisso aí: 1) era a primeira vez na história da banda em que batidas e barulhos apareciam muito bem incluídos num conceito; 2) era o primeiro disco do Jesus nos anos 1990, e em especial, era um álbum lançado bem na época do estouro do grunge e da descoberta do “rock alternativo” pela grande mídia; 3) para os brasileiros, havia algo mais: Honey’s dead era o primeiro disco lançado aqui direto em CD (mídia-xodó da época) e o primeiro álbum da banda pós-MTV Brasil.
Em Honey’s dead, a banda voltava como um trio (Steve Monti estava na bateria e aparecia até na foto da contracapa). E, pelo menos na interpretação de vários resenhistas, queria desdizer tudo o que tinha dito antes – o título lembra o primeiro hit, Just like honey. De fato, as músicas altamente influenciadas pela união de Beach Boys e Velvet Underground davam pouco as caras no novo disco, embora o lado pop de Honey’s dead ainda tivesse muito de Phil Spector (Almost gold, mexe daqui e mexe dali, é o maior exemplo disso).
Um lado quase folk começava a aparecer na banda, graças ao excesso de músicas cujo esqueleto se resolvia com voz e violão (Sundown e até a pesada Catchfire, por exemplo). O lado polêmico ficava por conta da letra de Reverence, a do “quero morrer como Jesus Cristo/quero morrer numa cama de pregos/quero morrer como JFK/quero morrer nos EUA”. A música virou o primeiro single do disco, foi banida no Top of the pops (o Globo de Ouro da BBC, que nunca gostou de mexer em vespeiro) e… surpresa: foi descoberta pelas emissoras alternativas dos EUA. Jim, por sua vez, contava à Bizz que preferia evitar associações do nome da banda com imagens cristãs. “Mas não há nada melhor do que um crucifixo: existe algo de incrível em um homem numa cruz”, contou.
Honey’s dead ajudou na descoberta do Jesus & Mary Chain por uma nova geração de admiradores – inclusive uma turma que jamais se arriscaria na plateia da banda, na época em que os irmãos Reid levavam garrafas de vidro na cabeça ao fazerem apresentações curtíssimas para “fãs” revoltados. O grupo também voltava com (er) ares empreendedores: lançava a turnê Rollercoaster, com Dinosaur Jr, My Bloody Valentine e do Blur. Um giro do barulho. que teve duas fases, entre março e abril, e outubro e novembro de 1992, e que a banda negava ser inspirado no Lollapalooza, onde haviam tocado um ano antes.
Cultura Pop
R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.
“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)
O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).
A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).
Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.
A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.
E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.







































