Muita gente não se lembrava disso, mas Robert Crumb, em 1989, já chamava a atenção para Donald Trump em uma de suas histórias em quadrinhos. Desenhou uma HQ em que chamava o atual presidente dos Estados Unidos de “um dos homens mais malignos que existem”.

O criador de Fritz The Cat apareceu na semana passada no Conversa com Bial e ainda comentou que não tem visto melhora alguma na sociedade americana. “Trump parece um imperador romano decadente. Li o livro dele, A arte da negociação. Era repulsivo. As atitudes dele eram detestáveis. E li em jornais esquerdistas sobre o comportamento imobiliário dele em Nova York”, disse o quadrinista, achado por Bial e sua produção morando no Sul da França com Aline Kominsky, sua mulher há 47 anos – e parceira em alguma histórias. Jogaram a entrevista inteira no YouTube, com participações (à distância, nos estúdios Globo) de Rogério de Campos, diretor editorial, e Camilo Solano, quadrinista.

Crumb faz anti-defesa do politicamente correto e diz que foi atacado na internet, por pessoas de ambos os espectros (esquerda e direita). “Falam que o #MeToo devia me perseguir, que a Amazon deveria me boicotar”, explica. Aline conta sobre seu trabalho, sobre a parceria com Crumb e dá depoimentos sobre o marido. “Acho que as pessoas têm deficiência de humor porque não têm costume de ler sátiras em quadrinhos. Ele gosta de provocar e instigar nos trabalhos, mas não na vida. Isso é uma coisa boa”, conta.