Radar
Radar: Capim Cósmico, Inimigos do Rei, Thiago Oceano, Narval – e mais!

Semana encerrada, que fez fez, quem não fez não fez – certo? Ih, nada disso. O Radar nacional de hoje acaba de sair, e se deixar, a gente já sai preparando os da semana que vem hoje mesmo, nacional e internacional. Abrimos com o som psicodélico e montanhês do Capim Cósmico, mas na nossa lista de hoje, tem até um clássico nacional dos anos 1980 que tá de volta. Ouça no último volume.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Capim Cósmico): Divulgação
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CAPIM CÓSMICO, “MAIS UM DIA”. Essa banda vem lá de Paraisópolis – não a favela em São Paulo, mas uma cidade no meio das montanhas mineiras. O Capim Cósmico define seu som como “uma jornada sonora” referenciada na psicodelia mineira e no som lisérgico de lá de fora. Em Mais um dia, vão brotando sons ligados a Beatles, Weezer e ao britpop. Já a letra fala sobre aquele momento da vida em que tudo parece igual, a rotina é sempre a mesma e a gente acorda só no piloto automático todos os dias. Além das “pequenas tentativas de consolo que sustentam a vida comum”.
INIMIGOS DO REI, “MEDO”. E não é que a banda de músicas como Adelaide e Uma barata chamada Kafka voltou? Luiz Nicolau (voz), Lourival Franco (teclados), Marcelo Crelier (baixo), Celão Marques (bateria) e Marcus Lyrio (guitarra) estão preparando o show Vem Kafka comigo e aderem a um som com teclados à frente e vibe hard rock. Na letra, o grupo admite um sentimento bem brasileiro: o maior medo não é do fim do mundo, mas do fim do mês e da falta de grana (e dos boletos a pagar) que vão surgindo.
Luiz Nicolau diz que a música foi feita há vinte anos. “Eu começava meu segundo casamento, morava em apartamento alugado e minha filha estudava em faculdade particular. Ou seja, o fim do mês era um medo bem real”, conta.
THIAGO OCEANO, “SILÊNCIO HOSTIL”. ““Essa canção foi fruto de várias conversas e de uma percepção de saudade que permeava as palavras, além do silêncio que ela precisou encarar. Como amigo, eu queria fazer muito mais do que apenas ouvir. Salvar os nossos amigos da tristeza é a nossa utopia. Mas só consegui ir até onde me foi permitido”, conta o músico e cantor Thiago Oceano, que fez a balada Silêncio hostil tentando ver as coisas pela perspectiva de uma amiga que andava mergulhada na tristeza.
“Essa canção, e algumas outras que virão, são um registro desses passos”, conta ele, que lançou primeiro a música no Bandcamp só para apoiadores, e agora solta a faixa nas demais plataformas.
NARVAL, “TASSO”. No novo single, Tasso, essa banda de Campinas une música bedroom (foi gravada no Sótão Records, “ou seja, a gente mesmo”, como brincam) com pós-punk e noções sonoras de shoegaze: guitarras à frente, vocais desesperados e teclados que dão um clima meio gelado à música. Já a letra é inspirada na novela de ficção científica Segunda variedade, de Philip K. Dick, em que, após uma guerra atômica, robôs que haviam sido originalmente criados para matar começam a se passar por seres humanos (o filme Screamers – Assassinos cibernéticos, dirigido por Christian Duguay e lançado em 1995, veio desse conto aí).
NAIMACULADA E GASTAÇÃO INFINITA, “SAI DA NOIA”. Essas duas bandas se unem em um single novo que fala sobre como muitas vezes a gente se deixa levar pelo excesso de pensamentos e acaba se dispersando.
“Musicalmente, a faixa vai em direção à sonoridade do punk, indie e garage rock, com uma sonoridade mais contemporânea, como por exemplo King Gizzard, Strokes, Daughters e Os Fonsecas”, conta Iago Tartaglia, vocalista do Gastação Infinita. O som da música é o mais lo-fi possível: parece que tudo vem de vozes na sua cabeça, como se rolasse um estranho duelo psicológico entre as forças da noia e as forças que querem acabar com ela.
PABLO VERMELL E LIVIA, “EN MI CUARTO – LOW PROFILE”. O single marca o encontro do cantor e compositor de Santos (SP) com a cantora indie argentina – a faixa vai estar na versão deluxe do álbum Futuro presente, lançado ano passado por Pablo (e resenhado aqui). Low profile, que no original em português já estava no repertório do álbum do cantor (e agora ganha o acréscimo do En mi cuarto, em espanhol), é uma balada pop, referenciada em artistas como Mac deMarco, cuja letra fala sobre como hoje em dia, com esse excesso de redes sociais e demandas digitais, não há nada mais cool do que ficar no seu cantinho e largar a exposição de lado. E o encontro de Pablo e Livia ganhou também um clipe realizado entre Brasil e Argentina.
Radar
Radar: Reptile Tile, Dark Archer, Hallucinophonics – e mais sons do Groover

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Reptile Tile.
O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Reptile Tile): Divulgação
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REPTILE TILE feat PERIOD BOMB, “ISLE OF BLAME”. Acompanhado da musicista Camila Alvarez (responsável pelo ruidoso e feminista projeto Period Bomb), lá vem o Reptile Tile investindo na psicodelia jazzy, com um clipe que poderia ter sido feito em 1988 pelo seu sobrinho com uma câmera portátil. O tema de Isle of blame é bastante atual: “para onde vai toda a culpa quando alguém não é capaz de refletir sobre si?”. Looking for Leandro, o álbum do Reptile Tile, sai neste ano.
DARK ARCHER, “ZERO TO SIXTY” / “THE UNDYING”. Com um EP recém-lançado chamado Signal / Flesh, esse projeto de Atlanta investe em música pesada, sombria e reflexiva, entre o metal e o rock alternativo. The undying fala sobre “como o poder manipula crenças, obediência e divisão ao longo do tempo” e Zero to sixty comenta a respeito da “tensão entre empurrar e puxar, impulso e estagnação”. Temas como ruptura, ansiedade moderna e cultura da aceleração estão entre os preferidos do Dark Archer.
MOSQUITO CONTROL MUSIC, “WE CAME TO PLAY”. Criado quando os co-produtores Tim Ganard e Bruce Bouillet ouviram uma playlist com hits do ano de 1989 (e com faixas de artistas como Egyptian Lover, New Order e The Cult), o MCM surgiu com a ideia de lembrar o espírito dessa época, mas sempre criando coisas novas em cima. We came to play mistura breakbeat e rock olhando direto para as pistas dos anos 80 e 90. Tem vocoder robótico, clima de electro à la Kraftwerk e um clipe que usa imagens de O senhor das moscas. Nostalgia de pista, mas com guitarras na frente.
HALLUCINOPHONICS, “AFTERNOON OF ACID RAIN”. Trazendo em seu som lembranças de bandas como Pink Floyd, Tame Impala e Porcupine Tree, o Hallucinophonics lançou recentemente o álbum Falling, além de alguns singles em separado. Um deles, o psicodélico Afternoon of acid rain, tem o melhor clipe feito em IA que você vai ver – geralmente IA acaba sendo usada para fazer clipes horrorosos, e no caso deles, tá bem profissional. O som, nessa música, lembra um The Hollies mais modernizado.
NADÏ, “PSYKANYKO”. O Nadï, cujo nome significa é “a corrente, o rio”, é um trio de rock de Gers, no Sudoeste da França. Eles definem sua música como “ora calma, ora selvagem, mesclando ritmos intensos, riffs marcantes e melodias ricas”, e fazem um som que mistura elementos de art rock e progressivo – como no single Psykaniko, presente em seu álbum Fenderis (2025).
ZENTOY, “VELVET DREAM”. Esse músico da Bélgica jura que seu novo single, Velvet dream, tem esse clima psicodélico e eletrônico feito da forma mais orgânica possível: nada de samples ou de IA, tudo tocado de verdade, e tudo dando a ideia de estar dentro de um sonho, como diz a letra. A faixa ganhou três versões (single, instrumental e radio mix), e cada uma delas ganha um clipe diferente. “Convidamos três diretores, enviando a eles um roteiro idêntico, a fim de adicionar uma dimensão onírica extra e ver para qual universo particular sua criatividade poderia transportar cada versão da música “, conta Zentoy.
ALEPH NAUGHT AND THE NULL SET, “DYING IS EASY, LIVING IS HARD”. “Em parte, me inspirei no livro Sobre a morte e o morrer, de Elizabeth Kübler-Ross. E essa música foi parcialmente inspirada no meu filho, que tem fibrose cística e quase morreu pelo menos seis vezes – para ele, teria sido mais fácil morrer, e em uma ocasião precisei convencê-lo a não interromper o tratamento. Afinal, morrer é fácil, viver é difícil”, conta Aleph Naught, definindo da melhor maneira seu single de nove minutos (!), com referências de rock progressivo e metal. Five stages, o álbum novo, está nas plataformas desde dezembro, e vale a conferida.
TENSIXTIES, “ALL PENT UP” / “SUMMER’S GONE”. Mesmo com um “sixties” encartado no nome, esse projeto musical faz mesmo é som ligado aos anos 1980, 1990 e 2000: LCD Soundsystem, New Order e Talking Heads estão entre as influências desse grupo, que já surgiu há um bom tempo no underground de Buenos Aires, encerrou atividades e voltou já com três singles lançados – os dois mais recentes estão aí. All pent up é mais agitada e Summer’s gone abre com cara de pop adulto e sofisticado, mas embarca no indie rock depois.
FORGOTTEN GARDEN, “OVERLORD”. Parece até um tema tradicional, de origem folk, que virou rock – mas a música nova desse projeto criado pelo músico escocês Danny Elliott (com a portuguesa Inês Rebelo nos vocais) fala mesmo é de “dinheiro, poder, ganância e engano — e sobre como isso pode corromper um indivíduo”. O som fica entre o folk, o soft rock e o progressivo, mas com referências confessas de bandas como The Cure.
SANCHO VILLA, “HERE TONIGHT”. A ideia desse grupo do Texas é misturar rock clássico, toques de blues e jazz, e alguma coisa latina que vai surgindo devagar nas músicas, nem que seja em algumas linhas vocais – como é o caso desse single Here tonight, que faz parte do álbum Serenade & run, lançado no ano passado. Uma das grandes inspirações do grupo é um valor musical clássico do Texas – ninguém menos que o saudoso Roky Erickson.
Radar
Radar: Estéreo Boutique, Nina Maia e Thalin, Lúcio Maia, Juliano Gauche – e mais!

Pop Fantasma em dia com o rock nacional: esse som do Estéreo Boutique que abre a seção saiu… hoje! Além deles, novidades de Nina Maia e Thalin, Lúcio Maia, Juliano Gauche e outros nomes surgem por aqui hoje. Escute tudo no volume máximo para os vizinhos conhecerem.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Estéreo Boutique): Marina Letizia / Divulgação
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ESTÉREO BOUTIQUE, “OUTROS TONS”. “Ficamos uns bons 30 minutos procurando diferentes ideias melódicas e rítmicas até encontrarmos o riff principal. Depois organizamos o arranjo para chegar no produto final, o objetivo era manter o pulso e a energia mas ainda conseguir navegar pelas diferentes partes sem deixar virar uma grande parede de ideias desconexas”, revela a banda paulista Estéreo Boutique sobre seu novo single, Outros tons, que estreia hoje nas plataformas e adianta o EP Meias verdades, previsto para sair ainda no primeiro semestre de 2026.
A nova música da banda une indie rock, tino pop e sons eletrônicos à moda de grupos como Death Cab For Cutie, e à moda dos grupos que recordam os áureos tempos do pós-punk – mas com direito a surpresinhas na melodia e no andamento. O EP, por sua vez, vai ganhar o nome Meias verdades por causa da diversidade de visões no grupo. “Mesmo dentro da banda temos divergências sobre os significados e sentimentos de cada faixa, abraçando a falta dessa verdade absoluta”, contam.
NINA MAIA, THALIN E SHIRTS, “ANDO VAGANDO”. Parceria da cantora com o rapper e músico (um dos responsáveis pelo disco Maria Esmeralda), com produção de Shirts, Ando vagando poderia até ser uma música mais pop e dançante – mas a ideia aqui é soar como uma imagem vista de longe, uma cena que acaba hipnotizando quem observa, como a própria letra da canção já faz, em meio a versos como “vou encarar como se fosse fé / vou encarar como se fosse fato / como quem erra o jogo / como é de fato”. Uma música feita mais para sentir do que apenas ouvir, e que gira em torno da mescla de samba, rap e MPB anos 1970.
LÚCIO MAIA, “TÁBUA DAS HORAS”. Fundador da Nação Zumbi e ex-guitarrista da banda pernambucana, Lúcio lança seu novo single, Tábua das horas, que sai em seguida a Fetish motel, o anterior. Com a fluidez típica do som de Lúcio, a música cria uma espécie de “encontro imaginário entre Luiz Gonzaga e Lee Perry” (definição do músico) conduzido pela guitarra hipnótica do músico e pela mixagem de Mario Caldato Jr.
O encontro musical que Lúcio criou é bem verdadeiro: reggae e baião são estilos que volta e meia se encontram naturalmente, tanto no som de bandas de reggae quanto de forró. No caso de Tábua das horas, o guitarrista praticamente criou um tema de amanhecer psicodélico, como se um disco voador pousasse em plena praia. Tem que ouvir – e em 16 de abril sai Lúcio Maia, próximo álbum solo do músico.
JULIANO GAUCHE, “JESUS CRISTO X BELZEBU” (CLIPE). “Voltei a ter orgulho de fazer rock no Brasil ouvindo a discografia do Júpiter Maçã. Comprei um pedal de distorção depois disso, e deixei fluir“, diz Juliano, que depois de lançar discos mais introspectivos, decidiu mandar bala no peso e voltar a fazer uma música mais associada ao rock.
O cantor e compositor nascido em Mantena (MG), e crescido em Ecoporanga (ES) prepara para 31 de março seu quinto álbum, A balada do bicho de luz, e abre os trabalhos com o clipe de Jesus Cristo x Belzebu, gravado e editado por ele mesmo, e que traz basicamente Gauche fritando em meio a glitches e mudanças de coloração, além de algumas cenas que entram quase como interferência. O som lembra bastante Lou Reed, David Bowie e (claro) Júpiter.
FLÁVIO VASCONCELOS feat CEUMAR, “JATOBÁ PERI”. Que beleza essa música – e provavelmente o disco de Flávio, que vem por aí (e irá se chamar também Jatobá Peri) vem no mesmo clima. Depois de um primeiro single mais direto e romântico, ele mergulha aqui num som mais denso e orquestral, inspirado em vivências no campo. A faixa fala das memórias de um sítio no qual Flávio viveu (e que se chama justamente Jatobá Peri) e recorda um incêndio real que destruiu parte do lugar, mas aponta para reconstrução. Com participação de Ceumar, a faixa parte de uma cadência de baião no violão, e vai ganhando arranjos de cordas.
SEU CALIXTO, “GAIVOTAS”. Essa banda de Salvador une ritmos brasileiros, climas latinos, reggae e rock no novo single, Gaivotas. Uma música de execução e arranjos simples, com guitarra, baixo, bateria e percussão, num clima tão rock clássico quanto dançante, lembrando bandas como Red Hot Chili Peppers e Sublime no tom das guitarras. O grupo existe desde 2023 e vem lançando uma série de singles, como Águas do bem, Deixa estar e Preciso viver melhor, além do EP de estreia Morejam (2023). Um dos elogios costumeiramente feitos ao Seu Calixto é com relação às letras do grupo, sempre repletas de imagens curiosas e poéticas.
Radar
Radar: Anna Calvi e Matt Berninger, Not My Wife, Flair – e mais!

Que curiosidade pela música que falta do EP colaborativo da Anna Calvi. Enquanto Is this all there is?, o EP, não sai, curta aqui a faixa-título que ela lançou ao lado de Matt Berninger (The National). Além dela, vamos das sensações indie a novidades que possivelmente você nunca ouviu falar, aqui no Radar de hoje.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Anna Calvi e Matt Berninger): Scarlett Carlos Clark / Divulgação
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ANNA CALVI E MATT BERNINGER, “IS THIS ALL THERE IS?”. Se você não está curioso ou curiosa sobre o EP de Anna Calvi que sai nesta sexta, Is this all there is?, é porque você ainda não leu nada a respeito. Se bem que agora só falta mesmo uma das faixas ser lançada, porque três delas, gravadas ao lado de Iggy Pop, Perfume Genius e Matt Berninger (The National), já estão nas plataformas. A faixa-título, gravada ao lado de Matt, é emoção pura.
“Essa música fala sobre a coragem necessária para ter esperança. É a disposição de fazer perguntas, mesmo sabendo que você nunca terá uma resposta definitiva… O tom da voz do Matt tem uma qualidade épica, quase ancestral, que pareceu perfeita para uma música que levanta uma questão existencial tão profunda. Nós dois estamos buscando respostas – juntos e, ao mesmo tempo, sempre separados, o que eu acho lindo. Ele traz uma intimidade para a música que eu jamais poderia ter imaginado”, conta Anna Calvi.
Ah: a tal faixa que falta sair é uma parceria de Anna com Laurie Anderson. Mas essa beleza provavelmente vai ficar para sexta-feira.
NOT MY WIFE, “HOME ALONE”. Se alguém puder me explicar qual é a desse grupo misteriosíssimo, que só tem este single, e em cujo Spotify se anuncia usando apenas a frase “I’m embarassed now”, agradeço. O Not My Wife faz um pós-punk ótimo, que parece dever tanto aos anos 2000 quanto a The Cure, e à busca do grupo de Robert Smith por sons cheios de climas. O universo indie britânico já viu shows lotados dessa banda em casas de shows (eles mostram isso no instagram deles) e deve haver mais fãs do NMW do que você imagina. Corra atrás desse grupo antes que todo mundo conheça eles!
FLAIR, “NAUSEA”. Essa banda escocesa volta com Nausea, novo single que antecipa o EP For lack of a better word, previsto para julho. O grupo de Glasgow aposta num pós-indie tenso e cheio de reverb, com guitarras afiadas e clima claustrofóbico. A faixa fala de pensamentos em espiral e da estranha sensação de perder o controle – um som cru, pegajoso e bastante intenso (dá só uma olhada nas guitarras da faixa).
“Essa música surgiu durante algumas sessões de estúdio bem sombrias no inverno de Glasgow, no fim de 2025. A música reflete as pressões internas que enfrentávamos naquele momento”, conta o vocalista e letrista Tony Collum.
OUTLAW CARTIER, “LIL RUNAWAY”. Esse projeto é criação de um músico da Filadélfia que já foi conhecido pelo nome artistico Chxrles. Como Outlaw Cartier, ele se dedica a um misto de pós-punk e darkwave que tem influências até de hip hop (Drake, Post Malone) sem deixar de lado o amor pelo som de bandas como The Cure. A letra do single de estreia, Lil runaway, fala de fuga, coração partido e da tentativa de anestesiar problemas enquanto se busca algum sentido no meio do caos. É a primeira amostra de um trabalho mais introspectivo que vem por aí.
WHITE REAPER, “MOLD”. Ano passado, o WR lançou o disco Only slightly empty – que foi resenhado pela gente aqui. Dessa vez, o disco sai em versão expandida, com o nome mudado para Only slightly expanded, contendo lados B inéditos, incluindo o single lançado por eles no mês passado, Need, e mais duas músicas novas, Mold e No counter. Mold merece destaque pela sonoridade pós-punk e ruidosa, embora nem seja uma música turbulenta – é na verdade uma canção bem melódica em alto volume.
CAMERON DALLAS, “CATCH!” / “HEY, MISTER!”. Cameron é influenciador digital e veio de uma geração de “figuras” da internet que usava a rede de vídeos curtos Vine (lembra disso?). De uns tempos para cá, ele vem investindo nas carreiras de cantor e ator, e tem gravado bastante. Só em 2026, até agora, são três álbuns, Catch!, Running wild e Saturdays, que sai em abril (epa, dá um disco e uns quebrados por mês). Os singles Catch! e Hey, mister! trazem Cameron investindo numa espécie de emo-techno, com teclados, programações, vocais com autotune e um clima herdado tanto do punk-pop quanto do trap. O que mais vem por aí?


































