Cultura Pop
R.I.P. Johnny Hansen – conheça oito canções do Harry

Aparentemente existiam dois Johnny Hansen. O músico santista, guitarrista, tecladista e cantor da pioneira banda Harry (voltada para a mistura de pós-punk e sons eletrônicos), que saiu de cena devido a problemas cardíacos nesta sexta (7), era conhecido por seus posts polêmicos e incisivos nas redes sociais – especialmente em comunidades como a da revista Bizz, que ele frequentava desde a época do Orkut. Já quem o conheceu de perto, fala sobre o cara gente boa, amigo, sensível, bastante culto, grande músico, detentor de um conhecimento bizarro sobre rock e música em geral. As duas facetas se misturavam não apenas em conversas ou papos virtuais, como também em entrevistas (em 1988, falando justamente à Bizz, espetou os Paralamas do Sucesso dizendo que a banda “imitava o Police e depois falou: ‘Ah, descobri o Gilberto Gil na minha vida'”). E divertiam muita gente.
Já quem apenas se limitou a ouvir o Harry, lembra do bom gosto e do pioneirismo do grupo, que cantava em inglês nos anos 1980, quando isso ainda não era padrão nem entre bandas brasileiras de heavy metal (o clássico disco “Fairy tales”, lançado em 1988 pelo selo WopBop) e fazia misturas de guitarras pesadas e sons digitais quando ninguém fazia isso por aqui. Se você nunca ouviu nada da banda nem de Hansen, que tal dar uma conferida nas oito músicas abaixo? (e aqui tem uma excelente entrevista com Hansen, no zine Mofo).
“CAOS”. Surgido em 1985, o Harry já pensava em cantar em inglês desde o início – só que no rock nacional da época, o padrão era cantar em português. Em 1986, quando lançaram o primeiro EP, “Caos”, tinham na formação a vocalista Denise Tesluki, que fazia as letras na nossa língua. O som era mais para o pós-punk do que para o eletrônico.
“ADEPTOS”. Outra música muito boa do EP do Harry, quase um shoegaze antes do termo se popularizar no Brasil.
“LYCANTHROPIA”. Se o rock nacional um dia teve uma banda totalmente nos conformes com os padrões do rock gringo do seu tempo, essa banda se chamou Harry. Essa música, uma das melhores de “Fairy tales”, jogava sujeira na “dance music” de 1987/1988.
https://www.youtube.com/watch?v=dUecItxxl_I
“GENEBRA”. No antigo programa “Boca livre”, Kid Vinil apresenta “o Harry e sua parafernália eletrônica” e a bela “Genebra”, que sairia em alguns meses em “Fairy tales”.
“THE BEAST INSIDE”. Outra grande música de “Fairy tales”. Citação ao clássico do terror “O exorcista” na frase “the pig is mine”
“VESSELS TOWN”. Pouco antes do estouro do grunge e do rock alternativo dos anos 1990, o Harry vinha com um terceiro disco, “Vessels town”, mesclando eletrônicos e guitarras bastante pesadas – como as da faixa-título, que faz referência à cidade de Santos (a “cidade das embarcações” do nome do álbum).
“STORIES”. Outra mistura pioneira de rock e eletrônicos. Também do “Vessels town”.
“SKY WILL BE GREY”. Em 2014, Hansen e seus amigos do Harry regravaram todo o disco “Fairy tales”, só que dessa vez em versão 100% rock’n roll, sem sintetizadores – era o “Electric fairy tales”. Ficou muito bonito.
Por último, pegue aí de brinde entrevistas de Hansen em época bem diferentes de sua vida e carreira. O músico – que estava gravando material novo da banda – aparece num programa de TV falando do CD “Chemical archives” (1994) e contando sobre a história da música eletrônica.
Um papo bem engraçado com Hansen no Vitrola Verde, do entrevistador Cesar Gavin (o papo inclui algumas das histórias inacreditáveis que ele contava na antiga comunidade da Bizz no Orkut).
R.I.P. Johnny Hansen
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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