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Cultura Pop

Quarenta clássicos pop da música infantil

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Quarenta clássicos pop da música infantil

Arca de noé (1980/1981) é um puta disco. A trilha de Sítio do Pica-Pau Amarelo (1977) também. Mas não há nada deles aqui, porque de modo geral, eles são álbuns que trazem a fina flor da MPB fazendo música infantil. A lua, hit do MPB 4, é pop pra burro – mas também ficou de fora. Na lista abaixo, em comemoração ao Dia da Criança, quarenta hits e não-hits dos tempos em que fãs dos Beatles, gente ligada em novidades pop, em rock dos anos 50/60/70/80, cantores mirins, astros da TV, etc, dominaram as paradas fazendo som para a criançada e para os pré-adolescentes. Curte aí. Leia e ouça.

“FUNGA FUNGA” – TRIO SONECA (Vila Sésamo, Som Livre, 1974). Convidados para fazer a trilha do programa infantil Vila Sésamo, Marcos Valle e o irmão letrista Paulo Sergio Valle tiveram reuniões com vários psicólogos e pedagogos. “A ideia era que o disco tivesse uma mensagem como: ‘Acredite em você, você pode derrubar a ditadura!’”, contou. Depois, trancou-se num estúdio caseiro com alguns músicos (o baixista Novelli entre eles). E de lá saiu com várias músicas que pouco lembravam seu passado na bossa nova – a inspiração parecia vir dos Beatles e do soul, em músicas como essa.

“A LENDA DA CONCHINHA” – VELUDO AZUL (O mundo é da criança, Som Livre, 1977). Sucesso entre pais e filhos no fim dos anos 70 (até por vir com um pôster cheio de desenhos de animais), esse disco gravado por um grupo de proveta da Som Livre tinha O pato (hit de João Gilberto) em versão samba-rock, Papai Walt Disney (hit infantil do Grupo Farroupilha) em tons psicodélicos e, fechando, a alegre releitura desse sucesso de Celly Campello.

“NÃO EMPURRE, NÃO FORCE” – A PATOTINHA (Ao sucesso com a Patotinha, RCA, 1980). No quarto álbum, o grupo infantil de proveta vinha com alguns sucessos infantis misturados com versões de disco music e até alguns hits adultos regravados (coisas como Abri a porta, de A Cor do Som, e Menino do Rio, de Caetano Veloso). A versão de Don’t push, don’t force it, de Leon Haywood, vinha com o subtítulo Melô dos patins e versos formidáveis como “estamos de patins/se você nos empurra/acho que vamos cair”.

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“RAIMUNDO QUER VOAR” – DANIEL AZULAY (Turma do lambe-lambe, CBS, 1980). Bem antes de começar a compor com Ronaldo Bastos, o cantor, compositor e guitarrista Celso Fonseca ajudou a dar cara soul-pop ao primeiro álbum do desenhista Azulay feito para o programa Turma do lambe lambe (Rede Bandeirantes).

“O ELEFANTE” – ROBERTINHO DE RECIFE (Satisfação, Philips, 1981). Em shows do projeto metaleiro Metal Mania e do neoclássico-rocker Rapsódia rock, o herói da guitarra pernambucano precisava aturar um monte de gente na plateia berrando “toca O elefante!”. Perdido num dos álbuns mais roqueiros do músico, esse tema infantil com corinho de crianças marcou época.

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“MEU BUMERANGUE NÃO QUER MAIS VOLTAR” – ERASMO CARLOS (Amar pra viver ou morrer de amor, Polydor, 1982). Animado com a vida em família, Erasmo Carlos já havia conquistado o público infantil com a animada Pega na mentira, em 1981. Meu bumerangue… foi logo adotada pelas crianças e até regravada pela Xuxa no disco Xuxa e seus amigos, de 1985. O sucesso com a molecada fez Erasmo ser convidado para o filme O cavalinho azul (1984), baseado em peça de Maria Clara Machado.

“BRINCADEIRAS DE CRIANÇA” – BOZO (Bozo, RCA, 1982). Que John Lennon revire-se na tumba e Paul McCartney chame os advogados: o Bozo (sim, o próprio) gravou uma versão de Ob-la-di, Ob-la-da, dos Beatles, em seu primeiro álbum…

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“NARIZINHO” – BOZO (Bozo, RCA, 1982) … e, mais pop que isso impossível: gravou uma marchinha de carnaval que tem o “patrão” Silvio Santos como um dos autores. Narizinho observa que “criança que gosta do Bozo é muito feliz/criança que gosta do Bozo sabe onde tem o nariz” (sic).

“O INCRÍVEL HULK” – JUNINHO BILL (Festival Internacional da Criança, RCA, 1983). Você não deve lembrar, mas Juninho, depois um dos integrantes do Trem da Alegria, começou sua carreira com essa música, no álbum do festival criado pelo SBT – e que também lançou as carreiras, em separado, de Patricia Marx (então conhecida como Patricia Marques) e Luciano. O disco vendeu bem e algumas músicas pegaram mais do que praga de piolho em jardim de infância.

“ROCK DA LANCHONETE” – LUCIANO DI FRANCO (Festival Internacional da Criança, RCA, 1983). Parece que seu toca-discos está com a rotação acelerada, mas é só o então petiz Luciano, futuro Trem da Alegria, fazendo sua estreia em disco no mesmo festival que lançou Juninho Bill.

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“LINDO BALÃO AZUL” – MORAES MOREIRA, BABY CONSUELO, BEBEL GILBERTO, RICARDO GRAÇA MELLO (Pirlimpimpim, Som Livre, 1983). Meio sumido do circo pop havia alguns anos (“minha crise do segundo disco foi a do segundo, do terceiro e do quarto”, disse), Guilherme Arantes voltava como compositor de música infantil, graças a esse hit…

“BRINCAR DE VIVER” – MARIA BETHÂNIA (Plunct plact zuuum, Som Livre, 1983). … e a esse, com letra escrita por Guilherme em cima de um tema musical do jazzista britânico Jon Lucien, e que encerrava um dos principais especiais infantis da Globo dos anos 80.

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“O CARIMBADOR MALUCO” – RAUL SEIXAS (Plunct plact zuuum, Som Livre, 1983). Após dois anos tentando, Kika Seixas, então esposa de Raul, conseguiu reposicioná-lo no mercado, com um disco pela Eldorado (Raul Seixas, do mesmo ano) e uma participação de peso em Plunct, cantando o tema de abertura. A inspiração da letra veio de um texto do anarquista francês Pierre-Jouseph Proudhon (que falava em “ser governado é: ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude”).

“SUPERFANTÁSTICO” – TURMA DO BALÃO MÁGICO E DJAVAN (Turma do Balão Mágico, CBS, 1983). Composta inicialmente para Roberto Carlos gravar com a Turma (o primeiro verso deveria ter sido “Roberto Carlos amigo/que bom estar contigo/em nosso balão”), acabou nas vozes dos meninos Tobi, Mike e Simony, e na de Djavan. E virou um dos maiores hits do grupo infantil, inclusive graças ao arranjo de cordas feito pelo mago dos estúdios Lincoln Olivetti.

“É DE CHOCOLATE” – ROBERTINHO DE RECIFE, PATRICIA, LUCIANO E EMILINHA (Clube da criança, RCA, 1984). O sucesso com O elefante credenciou Robertinho e sua guitarra para mais serviços no mercado da música infantil. Esse hit da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas pôs em clipe no Fantástico (e no programa de Xuxa na Manchete, Clube da criança) Patricia Marx e Luciano Nassyn, que entrariam no grupo Trem da Alegria um ano depois.

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“VAMOS A LA PLAYA” – BOM BOM (Bom Bom, Epic/CBS, 1984). Hoje multi-instrumentista, produtor e professor de música, Sandro Haick, filho de Netinho (Incríveis, Casa das Máquinas) começou aos 12 anos tocando bateria nesse grupo, que fez sucesso com essa versão em português do duo italiano Righeira. O repertório do primeiro disco trazia de Leo Jaime a letras feitas pelo versionista oficial da Turma do Balão Mágico, Edgard Poças. Ninguém percebeu, mas apesar do alto astral da versão, o original de Vamos a la playa falava dos resultados altamente tóxicos de uma guerra nuclear (você já leu sobre isso no POP FANTASMA).

“XIXI NAS ESTRELAS” – GUILHERME ARANTES (Pirlimpimpim 2, Som Livre, 1984). Quando um conhecido compositor de música pop precisa fazer um disco infantil bacana, que marque época e venda discos, o que ele faz? Bom, a primeira providência de Guilherme Arantes ao ser convidado para escrever Pirlimpimpim 2 foi chamar Julio Barroso, da Gang 90, e o poeta Paulo Lemisnki para dividir as parcerias. O resultado foi uma verdadeira pérola maldita da música infantil oitentista. O hit do álbum, composto com Leminski, foi esse aí.

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“É TÃO LINDO” – TURMA DO BALÃO MÁGICO E ROBERTO CARLOS (Turma do Balão Mágico, 1984). Pronto: o Rei finalmente topou participar de uma gravação da Turma – na versão de It`s not easy, do filme da Disney Meu amigo dragão (Pete’s dragon, de 1977).

“SE ENAMORA” – TURMA DO BALÃO MÁGICO (Turma do Balão Mágico, 1984). Versionista de quase todo o repertório da Turma, Edgard Poças conseguiu realmente – e de forma assombrosa – entender o que se passava na cabeça de uma criança dos anos 80 que vivia as agonias de um amor platônico de escola. A música ainda faz muito marmanjo chorar.

“AGULHA NO PALHEIRO” – LUIZ MELODIA (A turma do Pererê, Som Livre, 1984). O especial infantil de Ziraldo, quando levado à tela da TV, trouxe a MPB de Gal Costa (na bela Grande final, de Moraes Moreira), o sertanejo de Sergio Reis (em Canção dos caçadores), um pop infantil que nem parece mas é de Raul Seixas (Canção do vento) e o tom black Rio da canção de Luiz Melodia, que fala da ida do índio Tininim para a cidade grande.

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“A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ADÃO E EVA” – BLITZ (Plunct plact zuuum II, Som Livre, 1984). A segunda parte do especial infantil falava, em sua maior parte, sobre vivências de pais separados e filhos alijados do próprio lar. Por algum motivo que não lembro mais qual é, o programa começava com essa música da Blitz que não havia sido incluída em disco nenhum do grupo e contava a história da criação do mundo com uma letra cheia de duplos e triplos sentidos (“Adão segura sua cobra/que eu tô com maçã de sobra pra dar”, cantavam as vocalistas). Até no Rock In Rio rolou.

“PAPAI SABE TUDO” – ERASMO CARLOS (Plunct plact zuuum II, Som Livre, 1984). Em alta com o público infantil e prestes a se tornar ele mesmo um pai separado, Erasmo falava sobre o drama do pai que cuidava da vida, da carreira e dos filhos pequenos, tudo ao mesmo tempo, nessa canção de Leo Jaime e Leandro (ex-João Penca e seus Miquinhos Amestrados).

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“SUBPRODUTO DE ROCK (GERAÇÃO DO ROCK)” – BARÃO VERMELHO (Plunct plact zuuum II, Som Livre, 1984). O clássico infantil do Barão com Cazuza se tornou popular a ponto de ser executado pela banda em seu show no Rock In Rio I, em 1985 – com um nada infantil “foda-se” anexado na letra.

“MEU URSINHO BLAU BLAU” – ABSYNTHO (Absyntho, RCA, 1984). Er… um estranho encontro entre música infantil + rock brasileiro dos anos 80 + glam rock + psicodelia (era uma banda com repertório infantil que adotou como nome uma bebida alcoólica – quer coisa mais psicodélica que isso?). Marcou época e é até hoje executada em festas Ploc. O vocalista Sylvinho, você deve saber, deve seu atual nome artístico (Sylvinho Blau Blau) ao hit.

“PLANETA MORTO” – TITÃS (A era dos Halley, Som Livre, 1985). A Globo pegou carona na cauda do cometa (ai) Halley, que seria avistado do Planeta Terra em 1986. E bolou esse especial, com participações de nomes como Barão Vermelho (em sua primeira aparição sem Cazuza, com Torre de babel), o ex-mutante Sergio Dias (Anos luz de amor), Baby Consuelo (a radiofônica Que delícia) e os Titãs a poucos meses de Cabeça dinossauro, com Planeta morto, que não apareceria em nenhum disco da banda.

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“O SENHOR DA GUERRA” – LEGIÃO URBANA (A era dos Halley, Som Livre, 1985). A Legião também participou do mesmo especial, com uma música que parece um outtake do primeiro disco. O senhor da guerra ficou de fora da discografia do grupo – apenas em Música para acampamentos (1991) surgiria uma versão gravada ao vivo e com o nome mudado para A canção do senhor da guerra. Durante as gravações do vídeo, segundo o guitarrista Dado Villa-Lobos, a banda se assustou bastante com o estilo mandão do diretor Augusto Cesar Vanucci e odiou o figurino (no qual nem apitaram).

“EU NÃO RANGO” – ULTRAJE A RIGOR (Os Trapalhões no rabo do cometa, WEA, 1986). Brigados, os Trapalhões toparam fazer um filme em parceria com a Mauricio de Sousa Produções, em que boa parte do trabalho seria feita em desenho animado. Na trilha, vigorava o rock nacional, com músicas inéditas de Premeditando o Breque (O bruxo e o passarinho), Ira! (1914) e uma versão especial de Eu me amo (Ultraje A Rigor) com o nome modificado para Eu não rango – por causa de uma cena em que um Didi pré-histórico saía buscando comida, sem sucesso, no tempo das cavernas.

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“HE-MAN” – TREM DA ALEGRIA (Trem da alegria, RCA, 1986). Michael Sullivan e Paulo Massadas, autores da música, lançaram de vez seus tentáculos para cima do público infantil com essa canção, um estranho e feliz encontro entre metal farofa e trilhas de seriados japoneses. “Das músicas que fiz, é uma das que mais gosto”, chegou a afirmar Sullivan. A gravação envolveu uma trabalheira brutal que incluiu o uso de uma orquestra de cordas apenas para dar uma “sombra” na música – coberta depois com uma camada de sintetizadores.

“FERA NENÉM” – TREM DA ALEGRIA E EVANDRO MESQUITA (Trem da Alegria, RCA, 1986). Mais rock nacional na farra da música infantil dos 80: o ex-O Terço Vinicius Cantuária e o ex-Blitz Evandro Mesquita compuseram essa, cantada por Juninho Bill e que, bem, chocou algumas pessoas por causa dos versos “brinco de médico, ninguém é de ferro” e “acordo feliz quando sonho com a Xuxa”. Ora, vejam só…

“TE CUIDA MEU BEM” – PATRICIA (Patricia, RCA, 1986). Antes, bem antes de descobrir o pop adulto e a música eletrônica, Patricia Marx fazia um raro mix “adolescente-adulto”, influenciado por jovem guarda, soul e bossa nova. A fofa Te cuida meu bem, de Michel Sullivan e Paulo Massadas, foi regravada em ritmo de funk recentemente por MC Marcinho com outra letra e nome modificado para Garota nota cem.

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“MIRAGEM VIAGEM” – XUXA (Xou da Xuxa, Som Livre, 1986). Um dos letristas oficiais do Clube da Esquina, responsável pela produção de vários discos de Milton Nascimento, Ronaldo Bastos verteu para o português Black orchid, de Stevie Wonder – da trilha do documentário The secret life of plants, de 1979.

“SHE-RA” – XUXA (Xou da Xuxa, Som Livre, 1986). Joe Euthanazia, parceiro de Neusinha Brizola em Mintchura (e que teve sucessos solo como Me leva pra casa) e Tavinho Paes, parceiro de Lobão (em Rádio blá) e Arnaldo Brandão (em Totalmente demais, do Hanoi Hanoi, e na própria Rádio blá), inacreditavelmente, compuseram um dos maiores hits da Rainha dos Baixinhos. Segundo Tavinho, a música não foi uma encomenda: inicialmente era uma bossa nova feita para sua filha, Dianna. Por causa dessa música, Joe e Tavinho ganharam US$ 15 mil e foram imediatamente para Nova York gastar o dinheiro.

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“AS CRIANÇAS E OS ANIMAIS” – ABELHUDOS (Patrulha do coração, EMI, 1987). Formado por dois filhos de Renato Corrêa, dos Golden Boys, esse grupo soava como uma Turma do Balão Mágico mais “crescida” (os integrantes tocavam instrumentos de verdade), pré-adolescente e, graças à influência paterna, mais pós-jovemguardista. Isso tocou muito em rádio.

“CORAÇÃO DE PAPELÃO” – JAIRZINHO E SIMONY (Jairzinho e Simony, CBS, 1987). A versão para Puppy love, de Paul Anka, foi feita por (adivinhe quem?) Edgard Poças. Fez sucesso estrondoso e reabilitou por uns tempos a carreira dos dois ex-A Turma do Balão Mágico. O único disco da dupla tinha ainda participações de Gal Costa (em Oi mundo), Tim Maia (A voz do trovão), a ex-cantora do Metrô, Virginie (numa versão de O vira, do Secos & Molhados) e muitas músicas feitas por Paul Mounsey, um compositor escocês que vivia no Brasil na época e hoje se dedica a trilhas de cinema em Los Angeles.

“PRA VER SE COLA” – TREM DA ALEGRIA (Trem da alegria, RCA, 1988). Marcou as infâncias de muita gente que acabou de passar dos trinta – inclusive a de Marcelo Camelo, que chegou a cantar a música com o Los Hermanos num Luau MTV do grupo.

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“DIA DE PARAÍSO” – ABELHUDOS (Dia de paraíso, EMI, 1988). Boa parte do material do terceiro disco dos Abelhudos foi composto por vários autores ao lado do letrista Claudio Rabello – aquele mesmo, de Muito estranho, de Dalto. Essa, de Rabello e Erich Bulling, levou o trio infantil para apresentações no Cassino do Chacrinha, no Clube do Bolinha, no Xou da Xuxa, no Globo de Ouro

“BRUXINHA” – A NOVA TURMA DO BALÃO MÁGICO (A Nova Turma do Balão Mágico, CBS, 1988). Balão Mágico, o programa, saiu do ar em 1986 e deu lugar ao Xou da Xuxa. O antigo quarteto (com Jairzinho) se separou e cada um foi tratar da sua vida. Mas a CBS não perdeu a oportunidade e, sob o mesmo nome, juntou dois anos depois Rodrigo Camargo e as gêmeas Natanna e Tuanny, filhas da cantora Adriana. O grande hit foi esse. Em outras faixas, Edgard Poças, versionista dos primeiros discos, subia de posto e virava co-autor, mas sem muitos sucessos.

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“VOU DE TÁXI” – ANGÉLICA (Angélica, CBS, 1988). A versão em português de Joe le taxi, gravada por Vanessa Paradis, foi feita por Byafra e Aloysio Reis mantendo um pouco do tema original (táxis, enfim). “Lembro que o Aloysio chegou em casa dizendo que ia estrear uma lourinha na Rede Manchete. Ele estava chegando de Paris e disse que tinha uma música arrebentando por lá. Era Joe le taxi, da Vanessa Paradis, que falava de uma menina apaixonada pelo motorista de táxi que ia buscá-la na casa dela”, relatou Byafra aqui.

“NÃO FAZ MAL (TÔ CARENTE MAS TÔ LEGAL)” – MARA (Deixa a vida rolar, EMI, 1990). Os créditos dos discos da apresentador e cantora assustam: músicas inéditas de Cecelo Frony, Baby do Brasil, Caramez (ex-empresário e amigo dos Novos Baianos), Fábio Fonseca. Esse hit adolescente foi feito pela dupla de jurados do Astros, Thomas Roth e Arnaldo Saccomani. E você conhece.

“NANA NENÉM” – RAIMUNDOS (single, Warner, 1998). “Quem não calar a boca/vai entrar na chinela”. Os Raimundos, ainda com Rodolfo no vocal, mantinham a fama casca-grossa gravando um jingle para o chinelo Rider que virou hit infantil e saiu em CD-single, com Reggae do manero de b-side. Aparentemente, na época, ninguém se chocou com a letra. A empresa também não se importou muito com o fato de a música fazer referência a usos bem pouco ortodoxos e mais inapropriados de seu produto.

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Cinema

Toomorrow: quando Olivia Newton-John fez um musical espacial “jovem”

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Toomorrow: quando Olivia Newton-John fez um musical espacial "jovem"

Fãs de Olivia Newton-John (que saiu de cena nos últimos dias) deram uma reclamada, com razão, quando viram nas redes sociais um bando de gente que só lembrou da fase Physical da cantora. Ou de clássicos da telinha como Grease e Xanadu, surgidos de uma fase em que Olivia já era tudo, menos um rosto novo. Antes disso, ela já vinha gravando discos na onda do country pop e do folk desde 1971, tinha conseguido o primeiro disco de ouro em 1975 com o sexto álbum, Clearly love, e vinha fazendo filmes desde o começo da década.

Um filme bem interessante que Olivia fez, e que está inteiro no YouTube (pelo menos por enquanto), tem um plot bem curioso, e ainda por cima rendeu um trilha sonora que prometia. Aliás, o próprio filme foi uma promessa – que não rolou. Toomorrow, dirigido por Val Guest, saiu em 27 de agosto de 1970 no Reino Unido, e tinha a cantora como protagonista. Olivia fazia uma personagem chamada Olivia, que era a líder de um grupo pop (cujo nome era Toomorrow) que era observado de longe por extraterrestres, e acabava sendo abduzido.

Além da cantora, o grupo tinha Karl Chambers (bateria), Ben Thomas (voz, guitarra) e Vic Cooper (teclados). Essa turma, que mantinha a banda como uma forma de financiar os estudos, acabava envolvida numa trama que misturava musical, ficção científica e filme “jovem”, com direito a cenas de protestos estudantis e sit-ins alegres. Se você nunca viu, nem ouviu falar e tem curiosidade, segue aí.

Toomorrow não chegou a ser um grande sucess… não, pensando bem foi um retumbante fracasso. O filme teve problemas desde o começo porque sua dupla de produtores começou trabalhando direitinho e depois passou a se odiar. Os dois eram ninguém menos que Harry Saltzman, que produziu filmes de James Bond, e Don Kirshner, que foi o primeiro produtor dos Monkees. Nessa época inicial, problemas com o roteiro, que nunca ficava do jeito que a dupla e o diretor queriam, e problemas maiores ainda com grana (Guest diz nunca ter sido pago pelo filme) melecaram o processo ainda mais. Olivia chegou a afirmar que o filme “pelo menos valeu a experiência”.

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No fim das contas, Toomorrow foi exibido por apenas uma semana em Londres, e ressurgiria anos depois em exibições especiais, além de seu lançamento em DVD. O mais curioso é que o filme teve até uma trilha sonora, lançada pela RCA. Apesar de ser uma trilha, era creditada à banda Toomorrow, que não existia na prática. Esse disco, um não-marco do pop gostosinho, está até no Spotify.

A tal trilha saiu em 1970, junto do não-lançamento do filme, e honrava bem um projeto que, de certa forma, havia começado com a ideia torta de ser um Monkees de luxo da nova década. Don Kirshner atuou como supervisor musical (todo o material foi publicado em sua editora) e tanto as composições das faixas quanto a produção do LP são creditadas ao cantor e compositor Ritchie Adams e ao produtor Mark Barkan. Chegaram a sair mais duas faixas do Toomorrow num single, também de 1970, lançado pela Decca – a capinha do disco anunciava até pôsteres do grupo.

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Cultura Pop

Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

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Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

Tá faltando gente pra fazer isso com os programas de música do Brasil – ok, dá mais trabalho, enfim. Lá fora tem uma turma bastante dedicada a recordar os bons tempos do 120 minutes, programa “de música alternativa” da MTV que misturava novos lançamentos, entrevistas, bate-papos reveladores e apresentadores especiais (gente como Lou Reed e Henry Rollins).

O programa durou de 1986 a 2000 (foi encerrado pelo canal sem alarde) e foi substituído por um programa análogo chamado Subterranean, além de dois retornos à telinha, no canal associado MTV 2. Entre os apresentadores titulares, gente como JJ Jackson, Martha Quinn e Adam Curry. Agora, a lista de músicas que foram lançadas pela atração e que hoje são tidas e havidas como clássicos, assusta. Tem Smells like teen spirit (Nirvana), Under the milky way (The Church), Kool thing (Sonic Youth), Mandinka (Sinead O’Connor), World shut your mouth (Julian Cope), Seattle (Public Image Ltd), Just like heaven (The Cure) e outras, umas mais, outras menos conhecidas.

A novidade é que um sujeito chamado Chris Reynolds subiu no YouTube uma playlist chamada 120 minutes full archive, com supostamente todos os clipes que foram lançados pela atração.

E uma radialista chamada Tyler Marie criou um site que traz tudo (ou quase tudo) sobre o programa: quem apresentou cada edição, os convidados, os clipes que foram apresentados, etc. “A partir de nossa página inicial , você pode navegar por 27 anos de playlists de 120 Minutos da MTV e seu sucessor, Subterranean“, explica ela. “Este projeto começou em 2003 como o site não-oficial do 120 Minutes, quando o programa ainda estava no ar na MTV2. Surgimos com a ideia de postar a playlist toda semana, porque a MTV não o fazia”, completa.

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Aqui no Pop Fantasma, a gente já recordou o dia, em 1986, que Lou Reed foi um dos apresentadores do programa. Só que chegou usando óculos escuros quase cobrindo o rosto todo, falando com voz grave, de cara amarrada, e disposto quase a encher um convidado da atração de porrada – ninguém menos que Mark Josephson, um dos criadores do New Music Seminar, painel de música que serviu de modelo para vários music conferences ao redor do mundo, reunindo bandas, novos artistas, CEOs de gravadoras, gente de mídia, etc. Mas ele também deu uma de fan boy quando entrevistou a iniciante Suzanne Vega e apresentou clipes.

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Cinema

Tangarella: uma pornochanchada com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

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A carreira de Jô Soares como ator incluiu um filme que pediu para ser trash e ficou três vezes na fila: Tangarella, a tanga de cristal era uma pornochanchada soft lançada em 1976, dirigida e escrita por Lula Campello Torres, e que tinha o humorista interpretando uma espécie de mordomo trapalhão (Erasmo), meio viciado em participar de concursos, que trabalhava para uma família disfuncional e falida, e que complementava a renda trabalhando como consultor sentimental numa revista.

A grande curiosidade é a participação de ninguém menos que Paulo Coelho (!), naquele que talvez seja seu único papel no cinema, interpretando Avelar, um garotão meio vida-torta. Numa das cenas, Paulo aparece sentadão numa poltrona, lendo um exemplar da revista Vampirella. Por acaso, Cachorro urubu, parceria dele com Raul Seixas, aparece na trilha do filme (na interpretação de Raul no disco Krig ha bandolo, de 1973).

Tangarella: pornochanchada de 1975 com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

A tal família esquisita era o prato principal do filme. Lucio Tangarella (Jardel Filho), um marido abusivo, viciado em jogo, violento com a mulher e a filha, Sandra – que assiste a todas as brigas dos pais. Ele fica viúvo e casa-se com Luísa Maria (Lidia Mattos), uma dondoca também viúva, que tem três filhos, Âncora (Regina Torres), Alvorada (Fanny Rose) e o tal Avelar. Sem grana por causa do vício em jogo do marido, Luisa sai em busca de um empregado que não saiba fazer nada direito, para que ela possa pagar bem pouco a ele. Erasmo, que mal consegue carregar objetos sem se atrapalhar, é contratado.

O que a madame não contava era que Lucio desaparecesse e deixasse a esposa com o três filhos, com o mordomo e… com a filha Sandra, já adolescente (e interpretada por Alcione Mazzeo). Ela sofre bullying da família e é tratada como uma criada. Até que surge na história um garotão interiorano, rico e meio outsider, Muniz Palacio (interpretado pelo designer de capas de discos e editor do jornal alternativo Presença, Antonio Henrique Nitzche) e algumas coisas mudam.

Tangarella foi lançado discretamente, em cinemas do Rio e de São Paulo, e foi considerado um filme “leve”, liberado para jovens de 14 anos. É uma produção que dá vontade de socar as paredes de tão trash, mas é um filme bem legal – aliás é uma boa indicação para quem curte ver imagens antigas do Rio de Janeiro, já que aparecem lugares como a Lapa, o Largo da Carioca, o Túnel do Pasmado (mesmo local em que o personagem de Roberto Carlos já havia entrado com um helicóptero no filme Em ritmo de aventura, de 1967) e até o Carnaval carioca (que dá sentido à tal “tanga de cristal” do título).

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Lula Campello Torres é um cineasta sobre o qual há bem pouca informação – na Globo, em 1991, ele escreveu uma minissérie chamada Meu marido, ao lado de Euclydes Marinho, que foi assistente de direção em Tangarella. O filme foi todo montado como se fosse uma espécie de documentário ou novelinha de rádio “com imagens”, já que um narrador (Aloysio Oliveira, dublador de filmes da Disney e criador do selo bossa-nova Elenco) vai explicando toda a história. As aparições do já saudoso Jô Soares são quase sempre de rolar de rir, especialmente quando ele participa de uma maratona de corredores sambistas, ou quando se veste de fada madrinha para ajudar Sandra.

Pega aí antes que tirem do YouTube.

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