Cultura Pop
Quando os Residents deram uma coletiva de imprensa e não abriram a boca (?)

O grupo americano de música de vanguarda e excentricidades artísticas The Residents nunca focou em apresentações ao vivo. O forte da banda sempre foi o estúdio, desde o começo. Quando precisavam tirar fotos, era com todo mundo disfarçado com aquelas máscaras de globo ocular. Só em junho de 1976 rolou um show na Califórnia, e parecia que não ia acontecer mais nada depois disso. Até que em 1982, com o lançamento do primeiro sampler (o EM-U Emulator, teclado cujos sons podiam ser gravados em floppy disks), o grupo se animou para fazer nada menos que sua primeira turnê.
A ideia pareceu legal no começo, mas depois foi levando a banda à loucura. O grupo gastou uma baita grana, teve montes de problemas de manutenção, viu gente importante abandonar o barco (inclusive o maior investidor dos Residents, o empresário John Kennedy) e acabou tendo que acionar amigos e parentes para ajudar a custear gastos exorbitantes do giro. A gravadora fundada pela banda, Ralph Records, esteve sob risco de falir por causa dos altos custos. Na real o grupo tinha tão pouca logística interna para fazer uma turnê que até mesmo problemas bem banais (como a divisão entre maconheiros e não-maconheiros) causou rachas na galera. A ponto de precisarem fazer dois ônibus de excursão para separar o único odiador da fumaça (o mestre de cerimônias Penn Jillette) e colocá-lo sozinho.
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A Mole Show, essa tal única turnê do grupo, ajudava a divulgar os dois primeiros discos da chamada “trilogia Mole” (inspirada em livros como As vinhas da ira, de John Steinbeck). E vinha numa época em que os Residents, pode acreditar, estavam habitando uma espécie de underground luxuoso. Os discos independentes e corrosivos da banda vendiam bem e sustentavam a gravadora do grupo de boaça. O grupo conseguiu sucesso de público nas primeiras apresentações e contava com a presença de Bill Gerber, um ex-executivo do Devo, como gerente de turnê. E conseguiram encerrar o giro com um show num festival de música de vanguarda, o New Music America, cuja quinta edição rolou entre 7 e 17 de outubro de 1983 em Washington, DC. O show da banda no evento rolou em 7 de outubro de 1983 e se tornou conhecido entre fãs como Uncle Sam Mole show.
E, aliás, uma curiosidade a respeito desse show é que os Residentes, para divulgá-lo, fizeram uma coletiva de imprensa totalmente muda.
Os Residents compareceram com as roupas de palco, na escada do Lincoln Memorial, atenderam os jornalistas que se interessaram em saber qual era a daquele grupo, mas não abriram a boca. Uma assessora de imprensa (ou algo parecido) do grupo respondeu todo mundo e cochichava com os músicos quando tinha dúvidas.
No tal papo, a assessora dizia que a banda tinha dificuldade de se definir e que a música tinha “muitas plataformas” e anunciava que o show seria exclusivo para a data, já que era a primeira vez que os Residents tocavam naquela região. O grupo também não sabia quando viria o terceiro disco da tal trilogia (e que acabou nunca sendo lançado, tornando a Mole trilogy um caso raro de trilogia de dois discos).
“Interessante. Esse show foi pirateado?”, você pode estar se perguntando. Mas claro que sim. Pega aí.
Tem uns trechinhos da apresentação em vídeo aqui.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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