Crítica
Ouvimos: Nina Camillo, “Nascente” (EP)

- Nascente é o primeiro EP de Nina Camillo, formado por “músicas autorais que vieram em uma determinada época com uma cara que considerei muito original minha. Quis abraçar isso” (disse ela em entrevista ao site Música Pavê).
- O disco é formado por composições dela, todas produzidas e arranjadas por ela e Tiago Frúgoli. Nomes como Hiatus Kaiyote, Erykah Badu e artistas brasileiros de jazz foram referências para as músicas e arranjos.
- Entre os músicos que participam da gravação, estão o próprio Tiago (piano elétrico), Noa Stroeter (baixo), Sidmar Vieira (trompete), Vitor Cabral (bateria) e Maiara Moraes (flauta).
Trabalhando nos territórios do neo-soul e do jazz misturado com música brasileira, Nina Camillo impressiona em seu EP de estreia pela qualidade dos vocais, sobrepostos em vários momentos, e quase sempre construindo outras melodias dentro da melodia.
Nascente é a cara do primeiro repertório dela, com músicas que contam sua história como compositora (o que ela revelou numa entrevista ao site Música Pavê) e passam a mostrar sua cara como arranjadora e produtora – ela fez os arranjos vocais e cuidou da produção ao lado de Tiago Frúgoli, e o EP trabalha numa área em que design musical e texturas musicais se tornam outros instrumentos.
Boa parte do repertório é discreto e pode parecer até minimalista, apesar do cuidado com o uso de instrumentos como piano Rhodes, metais e flauta. A introdução com a vinheta Vim de lá é MPB jazzística e tropicalista herdada de Marcos Valle e Dori Caymmi – um som que retorna na instrumentação simples e, ao mesmo tempo cheia de detalhes, de Só dá você.
Vem pro céu é soul-jazz-r&b de quem ouviu até funk feminino dos anos 2010. Chegando perto do fim, Bem te vi, já abre com metais e com uma sequência boa de baixo e voz, partindo para uma bossa latina que lembra João Donato. A praieira Sobre fugir, um samba com leve andamento de ciranda, fecha o ciclo do disco, encerrando tudo com diálogo entre metais e voz.
Nota: 8
Gravadora: Independente.
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Crítica
Ouvimos: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

RESENHA: Makeshift Art Bar mistura jungle, industrial, ska e eletrônica pesada em Marionette, EP intenso, caótico e cheio de tensão.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Heist or Hit
Lançamento: 26 de junho de 2026
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Vindo da Irlanda do Norte, o Makeshift Art Bar é uma banda interessada em porrada, caos e ousadia: Marionette, o segundo EP, une sons eletrônicos e peso sem soar parecido com o Ministry ou com qualquer outra banda craque do estilo.
O som de faixas como Chocolate é basicamente um jungle distorcido e imagético, gravado como se fosse uma trilha de filme – dá para imaginar uma pista de dança escura bombando. Crows é um blues industrial porradeiro, em que o ritmo parece dado por várias correntes rangendo, enquanto a letra fala sobre incertezas e falta de paz.
- Ouvimos: Data Animal – Future of ghosts
Marionette é um EP curtinho, com duas faixas em cada metade. Discipline tem ares de Laibach e de Alien Sex Fiend – une música sombria, clima hi-energy, peso e ondas de pavor. Servant, no final, é um ska demoníaco e pesado, em que temas como controle mental e manipulação se tornam cada vez mais apavorantes.
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Crítica
Ouvimos: Bleeder – “Marble station” (EP)

RESENHA: Bleeder une pós-punk, post-rock e experimentalismo em Marble station, EP que transforma duas covers em viagens sonoras densas e sombrias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Escho
Lançamento: 5 de junho de 2026
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Direto da Dinamarca, o Bleeder é o projeto musical de Peter Peter, mais conhecido como autor de trilhas de filmes de ação e crime. No EP Marble station, ele se cerca de amigos, como Elias Ronnelfelt (do Iceage), para unir pós-punk e experimentalismo roqueiro histórico.
Marble station tem quatro faixas, mas o clima é de ocupação sonora, abrindo com a faixa-título. São nove minutos de música em que as guitarras vão tomando conta de um jeitão até meio emo – mas com piano luminoso e clima perdido, quase de post-rock, em que o peso vai chegando aos poucos. Here comes the dead, a outra autoral do álbum, é metal post-rock, em clima sombrio e sonhador.
O repertório de Marble station é complementado por duas covers. Boy / girl, de Lydia Lunch, vira hardcore ruidoso e eletrônico, com ares de Ministry, mas ganhando até uma percussão. If not this time, música da pioneira banda experimental estadunidense Fifty Foot Hose, é psicodelia sombria sessentista. Loucura sonora mapeada.
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Crítica
Ouvimos: Jokas – “Ispiridiguiberto”

RESENHA: All Jokers vira Jokas e lança Ispiridiguiberto. São 16 minutos de punk e hardcore irônicos, pesados e maduros, entre zoeira, crítica e boas melodias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Lixo-O-Rama Discos
Lançamento: 28 de junho de 2026
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Falamos outro dia de um álbum de onze minutos, mas tá aí a banda paulista Jokas quase na mesma linha. Ispiridiguiberto, o primeiro álbum do grupo, tem oito faixas e uma duração pouca coisa menos extravagante (16 minutos) que Magazine, o tal disco curto do YHWH Nailgun. O Jokas, que vem de Campinas (SP), é “das antigas”: é o clássico grupo punk All Jokers com outro nome, mas com a mesma receita irônica e ruidosa.
Ispiridiguiberto, primeiro álbum com o nome novo, oscila entre punk californiano e hardcore para falar de vida no limite (Vida de doidão), ruindades do mundo (Fuck this shit, a faixa-título), amores (She couldn’t wait, em clima meio The Clash, meio NOFX). Tem zoeira em tom surf-punk, A bosta, e hardcore em clima guerrilheiro, Come join us – completando com a beleza punk de Goodbye, grey sky e Sweet perfection. Som com peso, vocais bacanas e maturidade nas composições.
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