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Ouvimos: Glover, “Dessa vez é de verdade” (EP)

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Ouvimos: Glover, “Dessa vez é de verdade” (EP)
  • Dessa vez é de verdade é o segundo EP do Glover, uma banda emo de Piracicaba (SP). O grupo é formado por Felipo Ivanes (guitarra), Leo Luca (bateria) e Otávio Aguiar (baixo).
  • O disco foi gravado no Casarão Music Studio, um misto de estúdio, casa de shows e selo musical na cidade da banda.

EP bem interessante lançado no meio do ano que só agora passou pelos nossos ouvidos, o disco do Glover associa-se à cena que trouxe de volta o emo nos Estados Unidos, no começo dos anos 2010. Uma galera mais achegada de estilos como math rock e pós-hardcore. E interessada em explorar andamentos variados, músicas com várias partes – além de letras mais dark, mais inconclusivas, dedicadas a vasculhar sentimentos que mal têm nome.

Dessa vez é de verdade fala, entre gritos e guitarras, sobre sentimentos da pandemia – e sobre aqueles momentos em que fugir e ficar parecem dar no mesmo – na faixa de abertura, Webamigos para sempre. A música tem continuidade em Indo embora sem avisar ninguém, um emo leve, com guitarras tranquilas e baixo, mais próximo do power pop, e transformando-se num pós-hardcore no final. Quebradinhas rítmicas surgem nas desilusões de Jazz clube. Já traumas e auto-descobertas tomam conta das letras das duas últimas faixas, Tranquilin e Desastrado, etc – esta, com algo de Charlie Brown Jr no começo, marcado por voz e guitarra, ganhando mais intensidade na sequência, especialmente em vocais e batidas.

Nota: 7,5
Gravadora: Casarão Records
Lançamento: 16 de junho de 2024.

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Ouvimos: Lisa SQ – “Reel me in”

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Reel me in, de Lisa SQ, mistura indie, power pop e jazz em “álbum-foto” sobre autoconhecimento: melancolia, lembranças doloridas e alguns climas solares.

RESENHA: Reel me in, de Lisa SQ, mistura indie, power pop e jazz em “álbum-foto” sobre autoconhecimento: melancolia, lembranças doloridas e alguns climas solares.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Hushmoney
Lançamento: 21 de novembro de 2025

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O primeiro álbum da canadense Lisa SQ é definido por ela como um “álbum de fotos sonoro”, que vem de uma tentativa de autoconhecimento durante o caos da juventude e das descobertas pessoais. Musicalmente, é uma união bacana e ágil de aclimatação indie, soft rock e power pop, cabendo até um pop sofisticado herdado do jazz e do gospel (na abertura, com a ótima Fumes).

A variedade do disco insere alguns climas solares em faixas como o power pop Cold little fingers e o samba-rock + ska Make it up to you (com teclados que dão certo clima de videogame à faixa). Lisa também dá uma craqueada na fórmula de Every breath you take (The Police) no arranjo e na melodia de Primitive us e vai para um lado mais tristonho na faixa-título, uma balada marcada por slide guitars e pelo clima estradeiro e desolado, quase folk rock.

Aliás, boa parte de Reel me in é marcada por vocais doloridos, vibrações art-pop e art-rock, e por letras absolutamente melancólicas, como se o mundo fosse se despedaçar a qualquer momento. É o caso de Teeth, canção entre o gospel e a economia de notas de Imagine (John Lennon), cuja letra vê o amor como a soma de um rolo compressor com a roda da fortuna.

Por acaso, Reel me in vai aderindo mais à introspecção conforme chega perto do fim, com o dream pop de Goodbye meadow, o híbrido blues-rock + shoegaze de Rubbing off on you (com os vocais de Lisa atirados numa onda lo-fi). Apology é uma balada sonhadora que lembra as covers baladeiras feitas pelos Beatles em seus primeiros álbuns – mas vai crescendo e ganha um beat eletrônico e tenso, além de uma vibe gospel que faz lembrar o Queen. Kicking ourselves encerra o disco no clima das músicas urbanas e desencantadas de Suzanne Vega.

Lisa não mentiu quando disse que mexeu em lembranças bem duvidosas do passado para fazer Reel me in – dá pra observar isso em letra, música e clima geral do disco. Mas tem um sol brilhando nas músicas. Também dá para perceber.

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Ouvimos: Rocket Rules – “Dearden’s number”

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Banda australiana Rocket Rules estreia com Dearden’s number: dream pop/shoegaze nostálgico, guitarras em nuvem, clima 60s/1985 e charme caseiro.

RESENHA: Banda australiana Rocket Rules estreia com Dearden’s number: dream pop/shoegaze nostálgico, guitarras em nuvem, clima 60s/1985 e charme caseiro.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Shore Dive
Lançamento: 23 de janeiro de 2026

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Vindo da Austrália, o Rocket Rules é uma banda novíssima, formada em 2024, e cujo núcleo duro consiste em duas pessoas: o músico e engenheiro de som / masterização Baxter Barnham, e a cantora Rachael Lam. Dearden’s number, o primeiro álbum, sai pelo selo britânico de dream pop + shoegaze Shore Dive e segue uma onda mais próxima até do começo do estilo, quando nomenclaturas como “jangle pop” eram bem mais comuns.

  • Ouvimos: Shampoo Tears – Lonely world (EP)

Tiptoe, a faixa de abertura, é bem ruidosa e evoca grupos como Slowdive e até Jesus and Mary Chain, mas no geral, Baxter e Rachael preferem deixar a banda trabalhando num clima sonhador e tranquilo, que faz lembrar tanto os anos 1960 quanto a Inglaterra de 1985. Faixas como Quicken e Chapel St, por exemplo, investem em mais melodia do que peso, apesar das guitarras em nuvem. City sleeps, In my room e a faixa-título põem teclados disputando atenção com guitarras, enquanto Sweetest thing é folk + dream pop.

O disco encerra com Daisy chain, faixa que aparece em versão demo gravada em 2023, unindo ruídos e guitarras batidas num som que parece ter sido gravado num quarto de hotel, de maneira despojada. O Rocket Rules ainda está em busca de sua identidade num estilo cheio de bandas, mas chega lembrando uma época legal do rock ruidoso.

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Ouvimos: Kamikaze – “X me out” (EP)

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Kamikaze, duo alemão, mistura pós-punk e krautrock em EP cru e estranho: riffs minimalistas, dreampop e letras desencantadas sobre erros e sonhos.

RESENHAS: Kamikaze, duo alemão, mistura pós-punk e krautrock em EP cru e estranho: riffs minimalistas, dreampop e letras desencantadas sobre erros e sonhos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 30 de janeiro de 2026

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Essa dupla de Düsseldorf, Alemanha, não parece disposta a facilitar o trabalho para quem busca o som deles nas plataformas – já que você vai ter que buscar por “kmikazemusic” no Spotify, por exemplo. O som, por sua vez, é uma mistura de pós-punk e krautrock, com arranjos conceitualmente desafinados (às vezes) e a busca por um pop ruidoso e soft, se é que é possível.

Vai daí que o Kamikaze é uma banda em busca da turma que curte sons estranhos: X me out, faixa-título do EP deles, tem um riff minimalista que lembra White Stripes enxertado (e repetido diversas vezes) num pós-punk prestes a disparar. Stop the sky é um pós-punk de guitarras limpas que renderia bastante com uma produção melhor – mas a vibe de demo do EP acaba ajudando a desencantada Hell, na qual Jessi (voz e guitarra) põe a turma da palestrinha pra correr (“meus erros são todos meus / você acha que conhece todos, mas não sabe de nada / não pode me falar sobre nada / você nem conhece o inferno”).

Dreamland, dream pop com guitarras circulares que lembram Smiths e The Sundays, encerra o disco com vocais quase falados e clima que vai do sonhador ao assustador: na letra, Jessi diz que os sonhos a fazem rir, a fazem chorar, e que ela dorme o dia inteiro e sonha à noite. Só que… “agora meus sonhos apavoram meus próprios sonhos / pode me dizer o que eles significam? / estou cansada dos meus sonhos / não sei o que fazer para realizá-los”. Eita.

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