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Cultura Pop

Os curtas do Donovan

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Os curtas do Donovan

Recentemente lembrado aqui pelo POP FANTASMA com um textinho simpático, o escocês Donovan, rei do folk celta dos anos 1960, foi um pioneiro dos clipes. Só que isso acontecia quando esses artigos promocionais se chamavam apenas “promos” e geralmente eram feitos em película mesmo. E obedeciam mais a ditames do cinema do que de qualquer coisa – enfim, sequer havia uma estética de clipes na época.

Em 1966, ele já estava fazendo um fofíssimo clipe para Sunshine Superman, no qual aparece fazendo carinho num gato e soltando pipa (!).

Em 1967, já um cantor de sucesso, Donovan se deixou levar pela febre de Sgt Pepper’s e lançou um ambicioso disco duplo, A gift from a flower to a garden. Na verdade, era um box set com dois discos separados, Wear your love like heaven, e o álbum para crianças For little ones. Curiosamente, a vontade do cantor em abraçar o público infantil vinha de um certo desencanto com os maiores combustíveis da psicodelia, já que tinha visto vários amigos usuários de maconha e ácido caírem na heroína e na speed. Mesmo o disco “adulto” falava mais de meditação do que de petiscos lisérgicos.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Harry Nilsson, pioneiro dos remixes

Só que foi aí que ele decidiu fazer do disco uma espécie de lançamento “multimídia”, com um curta-metragem. Wear your love like heaven, o filme, saiu em 1967. A direção era de Karl Ferris. O filme trazia proto-clipes de quatro músicas: Three king fishers (do disco Sunshine Superman), Oh Gosh, Wear your love like heaven (ambas de Wear your love…) e Ferris wheel  (igualmente de Sunshine…). Wear… misturava imagens em preto e branco (na primeira música) e a cores (no resto), e trazia Donovan, junto com uma turma, mexendo nuns panos que lembravam os parangolés de Hélio Oiticica.

O mercado de música para crianças deixou Donovan feliz da vida. Tanto que o rei do folk celta lançou em 1971 HMS Donovan, álbum duplo lançado só na Inglaterra (pelo selo Dawn Records, etiqueta “progressiva” da Pye Records). O lançamento marcou o reencontro de Donovan com seu ex-produtor Mickie Most (com quem ele havia brigado), mas representou o pior resultado de vendas da carreira do cantor.

E mesmo com os resultados ruins, lá foi Donovan investir em mais um “projeto multimídia”, mandando fazer um curta-metragem com três canções do filme. In an old-fashioned picture book foi feito em 1971 com três músicas do disco, Jabberwocky, Winter has gone e a faixa-título do filme.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando John Lennon tentou defender um assassino

John Byrne (creditado como Patrick) fez o desenhos do filme. Aliás, na verdade, esse curta era apenas um piloto de um filme maior (que não foi lançado) chamado Tales of Tangle. O filme contaria as aventuras de “uma garota de 14 anos (a Tangle do título) que mora em uma ilha deserta onde um dia um avião cai. Os sobreviventes são Fili, uma estrela pop que redescobre seu gosto pelo canto, uma aproveitadora que quer vender a ilha em lotes separados e Jennifer (agente de Fili) que tem problemas para viver sem seu cabeleireiro e esteticista” (tirado daqui).

In an old-fashioned picture book também foi jogado no YouTube. Uma das crianças que aparece no filme é Julian, filho de Linda Lawrence (mulher de Donovan) e o stone morto Brian Jones.

 

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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