Cultura Pop
Never Mind The Buzzcocks: quiz musical cheio de maldade na BBC

Parecia improvável que o sucesso chegaria para um game show com um nome imbecil como Never mind The Buzzcocks (sim, uma mistura de dois grandes nomes do punk britânico: os Sex Pistols, do disco Never mind the bullocks, e os Buzzcocks). Mas a atração durou quase 20 anos (!) na grade da BBC 2. E deixou saudades: quando o canal anunciou que o programa sairia do ar, um monte de gente começou a twittar momentos inesquecíveis da atração, ou a simplesmente lamentar o término.
Durante essas duas décadas (foi de 1996 a 2015), o Never mind the Buzzcocks mostrou competições musicais entre artistas como Amy Winehouse (em dois momentos: primeiro em começo de carreira e depois já famosa), Slash, Lemmy Kilmister, Ed Sheeran, Preston (da banda Ordinary Boys) e muitos outros.
O mais legal do programa era que a grade era tão criativa que seria impossível imaginar a atração sendo exibida por um canal “normal” nos dias de hoje. Primeiro, porque os artistas precisavam testar seus conhecimentos musicais numa era pós-MTV: num dos quadros, eles tinham que adivinhar o que acontecia em clipes após o apresentador interromper a exibição.
Em outros momentos, a coisa ficava meio caótica. Num quadro do comecinho da série, I fighted the law (uma zoação com I fought the law, gravada pelo Clash, claro), os convidados precisavam adivinhar, a partir de uma lista, em que problemas legais, processos ou prisões uma determinada estrela pop esteve envolvida, e se eles venceram ou perderam o caso.
Em outros momentos, os popstars precisavam adivinhar trechos das suas próprias letras, ou das letras de outros artistas. Certa vez, Slash se enrolou para continuar o verso “take me down to the paradise city” (de Paradise city, do Guns N Roses) e riu do próprio rolo. Em outro momento, uma jovial Amy Winehouse, em começo de carreira, teve que fazer o solo de guitarra de Mr Blue Sky, da Electric Light Orchestra, com a boca.
Esses dois momentos você acha no vídeo abaixo.
O Never mind The Buzzcocks envolveu artistas inimagináveis em polêmicas, hum, inesperadas, em vários momentos. Lemmy Kilmister, do Motörhead, esteve lá logo no comecinho da atração, numa fase em que o cantor e baixista andava mais gordinho e sem barba. O que passou para a história como fato é que Lemmy detestou as piadas dirigidas a ele na atração, e saiu puto do programa. No vídeo abaixo, o apresentador Mark Lamarr consegue deixar o lider do Motörhead visivelmente constrangido.
Huey Morgan, vocalista dos Fun Young Criminals (lembra de Scooby Snacks?), participou da rodada de perguntas em que uns artistas precisavam adivinhar os próximos versos de algumas músicas. Ficou meio puto de não adivinhar trechos das próprias letras e… espatifou uma caneca na bancada, só de raiva. Foi mais um walk on (gente que abandonou a atração por causa de uma encrenca qualquer e saiu saída e batida) célebre do Never mind the buzzcocks.
O canal tirou o programa do ar em 2015 avisando que “viriam novas formas de entretenimento no futuro”. O Never mind the Buzzcocks, além dos momentos engraçados, ainda exibiu uma situação que muita gente maluca vê como o momento em que Amy Winehouse previu a própria morte.
Em 2006, lançando o disco Back to black e já transformada na personagem Amy Winehouse (com penteado honeycomb e visual matador), ela foi ao Never mind the Buzzcocks, pediu uma bebida no ar e ouviu do apresentador Simon Amstell a frase: “Você quer que a gente fique aqui enquanto você bebe até morrer, que nem o Pete Doherty?”. A cantora avisou que iria encontrar com Doherty naquele mesmo dia para compor. Ouviu de Amstell na sequência: “Ele quer vender drogas para você. Não chegue perto dele”, disse ele, que sugeriu a Amy um trabalho em dupla com Katie Melua, cantora pop nascida na Georgia e radicada na Inglaterra.
Amy, com uma sinceridade que hoje em dia daria uma baita merda para a cantora de You know I’m no good, responde que preferia pegar aids felina do que fazer qualquer coisa com a colega. Lá pelas tantas, Amy chegou a falar que a “antiga Amy estava morta”.
Epa, chegaram a fazer um abaixo-assinado para a BBC voltar com o Never mind the Buzzcocks. Mas não deu muito certo, não.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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