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Nattiva: banda gaúcha lança última gravação feita com tecladista que morreu em acidente de carro

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Nattiva: banda gaúcha lança última gravação feita com tecladista que morreu em acidente de carro

A banda gaúcha Nattiva decidiu renascer após a morte do tecladista Pietro Dessotti num acidente de carro, e põe nas plataformas digitais a última gravação do grupo feita com o músico. Todo lugar, a música, vem acompanhada de um videoclipe produzido pela LG Música e roteirizado pelo vocalista Gui Bertollo.

“”O clipe é dedicado aos nossos amigos Pietro, seu irmão Lorenzo e namorada Daniele, que também partiram e faziam parte do vínculo da banda desde o início. É uma homenagem feita com muito amor e com a participação de seus amigos e familiares. Tem o objetivo de exaltar a vida e as boas recordações que tivemos com eles, e celebrar os momentos de muita alegria que vivemos juntos nessa passagem”, explica o vocalista.

O clipe da faixa abre com o teclado de Pietro, com uma faixa onde se lê “pra sempre”. A música é um rock influenciado por reggae, mas também por samba e ritmos brasileiros em geral – a banda cita nomes como Mutantes, Novos Baianos e Chico Science, além de nomes mais recentes como Braza, Baiana System e The Baggios. “É essa alma ‘tropical brasilis’, de diversidade e miscigenação cultural, que une várias vertentes, do rock, samba, mpb, reggae, rap, em uma coisa só”, conta Bertollo.

A música foi composta em 2018 quando o grupo ainda não existia de fato e era uma turma de amigos que se juntava para fazer um som. “Essa música veio com muita espontaneidade, sentimento e verdade. Ela fala sobre a busca pela felicidade e a ‘luz’ num sentido existencial e contemplativo da vida. É sobre aquela força interior que nos faz ter a sagacidade de viver, de correr atrás dos sonhos, de se aventurar em busca de mais, mas com gratidão e amor pelo que já foi e o que é”, conta o vocalista.

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Crítica

Ouvimos: Jensen McRae, “I don’t know how but they found me!”

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Ouvimos: Jensen McRae, “I don’t know how but they found me!”

Tem algo de Taylor Swift na música de Jensen McRae – ainda que a influência não seja óbvia e as duas personagens sejam bastante diferentes em quase tudo, mas as motivações até que se parecem. Jensen é uma criadora de conteúdo que também compõe e faz discos, um tipo de artista ao qual provavelmente todo mundo vai ter que se acostumar nos próximos anos: ela faz podcast, posta vídeos, tem newsletter no Substack e é bastante atenta à sua própria vida – tão atenta que sabe que muita coisa que ela vive pode virar conteúdo, texto, música.

Quase da mesma forma que Taylor se acostumou a transformar sua vida em pop confessional, Jensen vem se acostumando a levar seu dia a dia para seu som (que por acaso é bem próximo do soft rock, do folk e de qualquer estilo que renda canções de rodinha de violão). Daí um monte de ex-namorados escrotos acabam sendo brindados com as letras autobiográficas (ou autoficcionais) de I don’t know how but they found me!, segundo álbum de Jensen.

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Vá lá que algumas (poucas) letras de Jensen chegam a assustar de tão ingênuas. The rearranger é um soft rock que bate fundo naquela velha história do macho que tem uma ficante para cuidar dele e não promete nada a ela. I can change him é soft pop batido na guitarra (melodia boa, por sinal) com Jensen apostando que vai promover mudanças na mente do namorado cabeça-dura.

Savannah, um pop-folk gostosinho e deprê, e Let me be wrong, country rock que abre com batida marcial a la U2, já lidam com emoções “de gente grande”, e escolhas que precisam ser feitas na hora que têm que ser feitas – e deixam marcas. I don’t do drugs, por sua vez, é uma balada espirituosa sobre um namoro que só acabou para uma das partes: “eu gostaria de culpar as drogas, mas não uso drogas / é uma fera que jurei que havia dominado / me curei, mas voltei”. Massachussetts, outra canção de dor de cornx e pé na bunda, tem aquela mesma cara de rock estradeiro e country que costuma dar certo nos dias de hoje – acabou viralizando no Tik Tok bem antes do disco sair. O alt-country Daffodils é uma cápsula do love bombing, do abuso nos relacionamentos.

O som de Jensen é fácil – extremamente fácil, o que não quer dizer que seja ruim, pelo contrário. É de fácil identificação, vai na correnteza do que vem dando certo, e traz a contação de histórias pessoais, ao lado da filiação pop-rock-folk, como principal arma. Dá pra dizer que tudo poderia ter virado crônicas para a newsletter dela, mas os textos ganharam acordes e melodias e escaparam da camisa-de-força do “conteúdo”. Se não ouviu ainda, corra atrás.

Nota: 8
Gravadora: Dead Oceans
Lançamento: 25 de abril de 2025.

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Crítica

Ouvimos: Billy Idol, “Dream into it”

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Ouvimos: Billy Idol, “Dream into it”

Tinha algo de mágico nos discos que Billy Idol lançou nos anos 1980 – por sinal, uma magia que dificilmente vai se repetir na música do mundo. O melhor escaninho para se colocar clássicos como Rebel yell é o da música pop. Mas era um pop de guitarras, vocais gritados e referências tanto do punk quanto do soul, que acabava agradando roqueiros (os menos radicais) e os fãs de música pop que gostavam de um som mais pesado. Nem todo mundo levava Billy a sério, mas era um cara que dependendo da música, poderia tocar na Fluminense FM e na Transamérica sem que ninguém saísse ofendido.

O mundo mudou, as definições ligadas a esse negócio chamado “música pop” mudaram junto, e se um cara surgisse hoje com hits como Dancing with myself e Eyes without a face na carteira, talvez fosse imediatamente infantilizado pelo mercado, ou jogado no escaninho do emo, ou descredibilizado. Vai daí que Dream into it, novo disco de Billy (cuja carreira discográfica vinha se resumindo a singles e EPs há alguns anos), em alguns momentos soa como o cantor tentando se despir da capa de popstar, pisando no chão e assumindo (ao que parece) que seu legado deu no punk pop, e não exatamente num pop com cara de malvado.

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A maldade de Dream into it está no próprio personagem do disco, digamos: o álbum inteiro fala da vida, paixão, ascensão e queda de Billy, pegando pesado em detalhes autobiográficos, e assumindo alguns erros bizarros, mas em clima de superação. Entre os melhores momentos, estão a lembrança do tempo da fome no pop-punk Dream into it, a dramaticidade do hard rock-punk Wildside (com Joan Jett) e a zoeira de 77 (com Avril Lavigne), uma música para beber, pegar a estrada e sair no tapa pelas ruas como os velhos punks.

Dream into it tem um Rebel yell próprio, que é Still dancing – a letra, por acaso, diz “eu ainda estou dançando / mas não estou mais sozinho”, fazendo referência a Dancing with myself. No punk romântico People I love, Billy ajoelha no milho: “preciso encontrar um jeito de parar de decepcionar as pessoas que amo / (…) eu sei que deveria me desculpar, mas não me lembro do que fiz ontem à noite / não sei como cheguei em casa, mas meu carro não está estacionado lá fora”. Um pop-punk de respeito é Gimme the weight, que relembra a roda-viva de drogas e reabilitações que Idol viveu nos anos 1990.

No fim das contas, Dream into it tem qualidades, mas não indica um recomeço ou uma continuação nos moldes do que acontece hoje com bandas como The Cure e Smashing Pumpkins. Já que Billy anda bastante mergulhado em sua própria história, seu lado misterioso e trevoso merece ser revisitado nos próximos discos – antes que ele comece a fazer feats com gente que ele deveria assustar.

Nota: 6,5
Gravadora: Dark Horse/BMG
Lançamento: 25 de abril de 2025.

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Crítica

Ouvimos: Self Esteem, “A complicated woman”

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Ouvimos: Self Esteem, “A complicated woman”

A “mulher complicada” do terceiro disco de Self Esteem (nome artístico da cantora e compositora britânica Rebecca Lucy Taylor) está mais para dedo na cara do que para tarja preta. A complicated woman é um álbum sobre liberdade: fazer o que se quer, sem pedir licença, esperar pelo melhor e celebrar vitórias. O som é uma dance music texturizada e trevosa, cheia de batidões, de referências de gospel e soul, destacando a boa voz da cantora.

Em faixas como Mother (“não sou sua mãe e nem você deveria querer que eu fosse”, “eu não sou sua terapeuta, você nem me paga o suficiente para isso”) machos escrotos são reduzidos a pó de merda. E na provocante e divertida 69, o sexo é tratado com criatividade: a letra rankeia posições sexuais e revela que Rebecca/Self Esteem não gosta de fazer, digamos, sexo oral recíproco (“é a única coisa que eu odeio / porque não consigo me concentrar”, avisa). I do and I don’t care une cordas, batidas, ruídos, vocal quase falado, e um coral que cresce no fim.

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O mesmo clima toma conta de faixas como If not now it’s soon, The deep blue okay, What now e Focus in power, voltadas para um pop próximo do gospel, e para corais que vão tomando conta da faixa aos poucos. The curse é um pop quase ambient, Logic, bitch! é um r&b provocador, Cheers to me é uma dance music de empoderamento cujo nome serve como grito de guerra.

Em A complicated woman tudo é muito bem produzido, e às vezes fica a leve impressão de que esse primeiro álbum verdadeiramente major de Self Esteem (ela gravava pela Fiction antes) tem mais discurso e produção do que canções verdadeiramente boas. De certa forma é por aí – e discos que marcam a chegada de um artista ao mainstream muitas vezes sofrem desse mal, do pé simultaneamente na ousadia e no mais-do-mesmo. Os próximos passos de Self Esteem dependem bastante de ousadia – dessa vez na parte musical.

Nota: 7
Gravadora: Polydor
Lançamento: 25 de abril de 2025

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