Em Israel desde os anos 1970 tinha cinema no estilo “picardias estudantis”, embora muita gente fora de lá não soubesse. Lemon popsicle (Picolé de limão) foi lançado em 1978, teve direção de Boaz Davidson e fez bastante sucesso no país. Rendeu (a fonte é a Wikipedia, já aviso) cerca de 12.500.000 libras locais em seu lançamento. Boaz, que vinha do cinema cult e da televisão, chamou a atenção no meio cinematográfico a ponto de se mandar para os Estados Unidos pouco depois, e dirigir filmes lá.

O filme se passa nos anos 1950 e a premissa é absurdamente simples. E envolve, como é comum nesse tipo de comédia romântica, um “cara legal”. É Benzi (interpretado por Yftach Katzur), amigo de Momo e Yudale, que se apaixona pela bela garota nova da escola: Nili, papel de Anat Atzmon.

Momo, o pegador da turma, chama a atenção da garota, que se apaixona por ele. Nili tem a primeira relação sexual da vida com Momo, engravida dele (!) e o rapaz desaparece. Benzi, gente boa, e apaixonado pela menina, vai lá oferecer seu apoio, esperando que ela se apaixone por ele. Acaba até financiando o aborto dela, e se envolvendo romanticamente. Não dá muito certo: no final (vou contar, dane-se) Benzi é convidado para o aniversário da garota e a encontra aos beijos com o macho-alfa Momo. A cena é tristíssima para o rapaz.

O final tá aí.

O filme comoveu tanta gente que ganhou até uma série de sequências, também dirigidas por Boaz. Uma delas foi a comedinha de verão Shifshuf naim, de 1981, que é considerada o voluem 3 da franquia Lemon popsicle. Para surpresa dos espectadores, não rolou climão entre Benzi e Momo e a amizade do trio continuou nesse filme. No roteiro, o grupo tenta decidir o que é melhor: enganar várias garotas e trocar de namorada toda hora, ou manter um namoro fixo.

Logo depois, falei lá em cima, Boaz Davidson se mudou para os Estados Unidos e começou a dirigir filmes por lá. E se você achou tudo de Lemon popsicle muito parecido com um clássico da Sessão das dez do SBT nos anos 1980, está certíssimo. Um dos primeiros jobs de Boaz ao chegar nos EUA foi dirigir uma versão americana de seu próprio filme. Saiu então O último americano virgem (1982) com os nomes Benzi, Momo, Yudale e Nili trocados para Gary, Rick, David e Karen. É o daquele final triste que você lembra.

Diz aqui que Lemon popsicle foi lançado em VHS no Brasil com o nome de Ritmo alucinante. Nunca tinha ouvido falar nisso.

Além dos nomes e do local, tinha outras diferenças entre Lemon e O último…. Este se passava nos anos 1980 mesmo, em vez de três décadas antes. A trilha tinha bandas recentes como Tommy Tutone, U2 (I will follow toca no momento em que o gente-boaça Gary é visto vendendo objetos pessoais para pagar o aborto de Karen), The Police, Devo e outros. O sucesso de Lemon não se repetiu em O último americano virgem, por sinal. A crítica dos Estados Unidos meteu o pau na produção, relegando-a ao universo dos filmes B.

Nenhum dos atores de O último americano virgem conseguiu fazer muito sucesso depois do filme. O intérprete do pobre virgem Gary, Lawrence Monoson, talvez tenha sido o mais bem sucedido, com aparições em séries de TV até bem conhecidas. Um blog chamado Cidadão Quem apurou os passos dos quatro principais atores e descobriu que, pelo menos até 2017, todos eram amigos de Facebook (!) e viviam se marcando em fotos novas e antigas.