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Cultura Pop

Lembra da curtíssima fase punk do Ultravox?

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Lembra da curtíssima fase punk do Ultravox?

Se você está acostumado com o Ultravox (ou Ultravox!, como a banda assinava no começo) meio glam do epônimo primeiro disco (1977) ou com o tom new wave de discos como Systems of romance (1978) e Vienna (1980), teve ainda o período em que o grupo britânico foi mais conhecido como uma banda de canções pesadas e poucos acordes.

Lembra da curtíssima fase punk do Ultravox?

Essa fase, na verdade, se resumiu a algumas poucas músicas, numa época em que o Ultravox não era tão conhecido, vendia pouco e estava fazendo diversas experimentações musicais para tentar novas sonoridades. Foi aí que surgiu Young savage, compacto lançado em maio de 1977, entre o primeiro disco e Ha-ha-ha!, o segundo (que saiu em outubro daquele ano). O single mostrou, ainda que para poucos e bons fãs, uma faceta diferente do grupo.

Olha aí o Ultravox mostrando seu novo hit na TV alemã (por sinal, o Ultra era fanático pelas experimentações musicais alemãs a ponto de ter sido produzido por Conny Plank na fase pós-1977).

Young savage ficou tão ilustre que acabou incluída na coletânea brasileira A revista Pop apresenta o punk rock (1977). Mas acabou ficando de fora de Ha-ha-ha!, ainda um álbum de transição do grupo. Muito embora fosse um disco maluco a ponto de incluir canções lascadas como o single ROckwrok, e temas dançantes como The man who dies everyday.

Young savage é assinada pelos cinco integrantes do Ultravox em 1977: John Foxx (voz, guitarra), Billy Currie (teclados, violino), Stevie Shears (guitarra), Chris Cross (baixo, voz) e Warren Cann (bateria e vocais). O batera Warren contou certa vez que a canção não chega a ser autobiográfica, mas que a letra fala “do redemoinho em que estávamos todos inseridos naquela época” – enfim, quando a banda não era conhecida por ninguém, a pouca fama que arrumavam ia embora rápido e “tudo pode acontecer quando ninguém sabe seu nome”.

Lembra da curtíssima fase punk do Ultravox?

Não sorria, você está sendo filmado. O Ultravox em foto de divulgação.

 

“Não me lembro muito da gravação da faixa, mas era muito divertido tocá-la. A música era como pilotar uma Harley enorme – você sobe nela e mete bala até correr feito um alucinado”, lembra Warren, que tocando a canção, sentia necessidade de uma máscara de oxigênio, por causa das quantidades bíblicas de suor e fumaça que vinham da plateia, que só pulava. “Até os acessórios de metal dos nossos equipamentos ficavam enferrujados”. Não só isso: na época, o público tinha a estranha mania de cuspir nas bandas. Para mostrar que estavam adorando ou detestando o show – tanto fazia. “Sempre que tocávamos a música, rolava uma torrente de cusparadas. Estranho isso, mas essa prática nojenta era supostamente um elogio”.

Ok, nem sempre, já que o baterista se recorda de uma vez em que a plateia estava mais calma, mas havia um punk solitário na frente do palco destinando suas cusparadas ao baixista Chris Cross. Que estava fazendo os backing vocals (“young savaaaage/young savaaaage”) e corria o risco de levar saliva alheia e não-solicitada na boca. “Eu
não poderia ir lá e botar o cara pra correr, não queria parar de tocar. Daí joguei uma baqueta nele e foi direto no rosto do cara. Ele me viu e olhei feio pra ele, que sumiu na multidão. Chris não ficou sabendo disso por um tempo considerável”, brincou.

Aproveita e pega aí Ha-ha-ha!, o segundo do Ultravox (Ultravox!, enfim), com Young savage em duas versões, ao vivo e de estúdio, como bônus.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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