Connect with us

Cultura Pop

Legend: a coletânea de Bob Marley que (nem) todo mundo ama

Published

on

Legend: a coletânea de Bob Marley que (nem) todo mundo ama

Em maio de 1984, três anos após a morte de Bob Marley (ocorrida há exatos 40 anos), o nome “reggae” passava a fazer parte do dia a dia de muita gente que mal conhecia o estilo musical. Isso porque as gravadoras Island e Tuff Gong colocavam nas lojas o álbum Legend – The best of Bob Marley and The Wailers. Um disco que você pode nunca nem sequer ter tido em casa, mas com certeza já viu a capa. Olha aí ó.

Legend: a coletânea de Bob Marley que (nem) todo mundo ama

Não era um disco de inéditas nem de sobras de estúdio: tratava-se de uma coletânea de peso, com todos os singles Top 40 de Bob Marley. Entre as faixas, músicas que você já escutou como Is this love, Buffalo soldier, Is this love e várias outras. Além de algumas músicas dos dois primeiros discos do contrato com a Island, Catch a fire (1973) e Burnin‘ (1973), creditadas apenas aos Wailers e ainda contando com Peter Tosh.

No Brasil, Legend saiu pela Warner. E pegou uma época em que havia culto ao reggae por aqui, mas ele ainda não era um fenômeno de mercado. Aliás, não no eixo Rio-São Paulo, que sempre achou que mandava no gosto do país inteiro. Isso porque no Maranhão, onde o reggae sempre se deu bem, ele já tocava em festas e algumas rádios fazia um tempinho. Só que em plena cultura do rock no país, emissoras como a Fluminense FM provocavam ojeriza em roqueiros radicais quando tocavam clássicos do estilo musical (o assunto ocupa algumas páginas do livro A onda maldita, de Luiz Antonio Mello).

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Bunny Wailer saiu dos Wailers

Aliás, Legend também aproveitou-se de outra tendência da época: a produção de diferentes conteúdos para suportes diferentes. No disco original as músicas apareciam nas versões single, com tempo reduzido. Algumas (poucas) faixas surgiam em versões remix. Mas esses remixes foram substituídos pelos originais em algumas edições ao redor do mundo. A fita K7 também trazia duas músicas a mais, Punky reggae party e Easy skanking, totalizando 16 faixas. Já o CD expandido lançado em 2002 trazia vários remixes num segundo disco.

Advertisement

Enfim, tudo considerado, Legend marcou época e ajudou bastante a criar a imagem de que havia um excelente momento para o reggae no mercado, mesmo que muita gente já curtisse o estilo musical havia anos. O tal “excelente momento”, diga-se, veio muito da aceitação do estilo por fãs de rock e new wave, apesar de até o próprio Bob dizer que punk e reggae eram coirmãos.

No Brasil, particularmente, havia versões em português de músicas de Bob Marley desde a década anterior, gravadas por Baby Consuelo e Gilberto Gil. Bob também viera ao país em 1980, com muita repercussão (especialmente porque a ditadura proibira o jamaicano de cantar). Nessa época da chegada de Marley aqui, ficou famosa também a edição brasileira do disco Kaya, de 1977, com contracapa pelada – deixaram só os nomes das músicas e cortaram o arbusto de maconha do layout. Antes, o disco havia saído aqui com capa normal. Já em 2014, saiu uma edição de 30 anos do disco, remasterizada em estéreo e 5.1 surround pelo produtor Bob Clearmountain.

>>> Veja também no POP FANTASMA: E a fase reggae de Serge Gainsbourg?

Detalhe que apesar do grande sucesso (Legend é o disco de reggae mais vendido de todos os tempos, com mais de 12 milhões de cópias só nos EUA), ele não é unanimidade entre fãs do estilo, não. Apesar de o repertório ter I shot the sheriff e Get up, stand up, não faltaram críticos musicais dizendo que o lado mais revolucionário de Marley ficara de fora do disco, e que o repertório havia sido montado de propósito para atrair plateias brancas, ou fãs ocasionais e não-politizados do estilo.

Advertisement

Na época, houve certa diferença conceitual entre Chris Blackwell, dono da gravadora Island, e Dave Robinson, ex-sócio do selo Stiff e homem-de-frente da Island no Reino Unido. Blackwell sempre valorizou o lado revolucionário, porta-voz, de Marley. Robinson, responsável por escolher as músicas do disco, admitiu numa reportagem da LA Weekly que tentou vender Bob para o público branco. E, por extensão, para pessoas conservadoras que possivelmente se sentiam assustadas com a imagem de “maconheiro” do cantor.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Rockers: reggae na tela grande

De qualquer jeito Legend surgiu porque Robinson tinha ficado chocado com uma descoberta. O executivo pegou um boletim de vendas da Island e viu que Bob Marley estava bem longe de ser um grande vendedor de discos. Mais: Charly Prevost, diretor da Island noa EUA, disse que até então quem sustentava a caixinha de fim de ano dos funcionários da gravadora eram nomes como U2 e Robert Palmer. Com problemas conceituais bizarros ou não, partindo de uma premissa bunda-mole ou não, Legend projetou muito o nome de Bob Marley. Aliás, fez muita gente ouvir reggae. Inclusive várias bandas ruins e despolitizadas que abraçaram o gênero musical, ao redor do mundo.

Advertisement

Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

Published

on

Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

Advertisement

“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

 

 

Advertisement
Continue Reading

Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

Published

on

Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

Advertisement

Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

Continue Reading

Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

Published

on

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

Advertisement

“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Trending