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Jehnny Beth e Mike Patton transformam “Look at me” em um ataque aos falsos messias

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Jehnny Beth (capa do single Look at me)

Você achava que Jehnny Beth e Mike Patton (Fantomas / Faith No More), musicalmente falando, formavam um par perfeito? Nós também – e eles também, pelo visto. Tanto que Jehnny acaba de lançar Look at me, sua música nova, com participação de Mike. É o primeiro single dela após o lançamento daquele que o Pop Fantasma considera “o” disco internacional de 2025, You heartbreaker, you. E já ganhou um clipe, dirigido pela própria Jehnny e inspirado pelo filme Taxi driver, de Martin Scorcese (a personagem maníaca e solitária dela seria um espelho do problemático Travis Bickle, interpretado por Robert de Niro).

Misturando punk, trap, dubstep e tudo que possa soar mais e mais perturbador, Look at me é uma desomenagem àquele mano (ou àquela mana) que se vende como coach e faz palestras (com lotação esgotada) que não passam de uma mistura de nada com porra alguma. É “sobre os vendedores de verdade modernos, que compartilham suas opiniões online sobre como ‘se aprimorar’, dando uma ilusão de controle — mas tudo o que eles realmente querem é ser o centro das atenções”, conforme a própria Jehnny contou ao NME. “É uma canção sobre enganadores e o efeito que eles têm sobre aqueles suscetíveis à sedução sinistra de ideologias enganosas”, completa.

Indo na contramão dos clipes simples e feitos-para-o-YouTube dos dias de hoje, Jehnny pinta o sete em Look at me, e só não pinta o oito porque faltou tinta na caneta: ela posa de vampira, dorme no cinema, estraga uma cerimônia de casamento tentando agarrar a noiva, faz topless (casto) e dá uns pegas, com direito a beijos nada técnicos, em uma dezena de pessoas. Mike Patton surge com uns dreads, apenas em vídeo, e está a cara do Marcelo D2 (!).

“Quando Johnny (Hostile, o parceiro dela) e eu escrevemos Look at me, tivemos a ideia de uma música em duas partes”, explica Beth. “Quando Mike enviou os vocais, foi como escolher doces em uma loja de doces; ele tinha um milhão de ideias, foi impressionante”.

Sim, e tudo em Look at me é impressionante. Olha aí.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Capa do single

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Mombojó inicia nova fase com “É o poder da dança” e clipe em Super 8

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Mombojó (Foto: Luiz da Fonte / Still do clipede É o Poder da Dança)

RESENHA: Mombojó lança clipe de É o poder da dança, filmado em 16mm e Super 8, e abre caminho para álbum inédito que chega no fim de abril.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Luiz da Fonte (Still do clipe)

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Seis anos depois do último disco de inéditas, o Mombojó começa a mostrar o caminho do próximo álbum. A banda pernambucana lançou há alguns dias o single É o poder da dança, que ganha agora um clipe que traduz bem o espírito do novo momento do grupo. O vídeo, dirigido por Luiz da Fonte, foi filmado em 16mm e Super 8 e aposta numa estética granulada, solar e quase ritualística, cheia de movimento e presença.

A ideia da música surgiu de forma simples, segundo a própria banda, quase como uma cantiga de roda. A inspiração inicial veio de grupos vocais brasileiros como Os Tincoãs, mas a faixa acabou ganhando novos contornos no estúdio, abrindo espaço para uma psicodelia pop que faz lembrar sons mais recentes, além da própria lisergia histórica de Pernambuco.

No clipe, essa mistura aparece em forma de imagens que valorizam a textura da película e a ideia de movimento coletivo sugerida pela música. Palavras atravessam a tela acompanhando a dança e a pulsação da faixa. Esse visual faz parte da nova identidade do grupo e foi desenvolvido por William Paiva, enquanto o figurino ficou a cargo de Carli Rosas, colaboradora antiga da banda.

A nova música abre os trabalhos de um álbum novo e autoral que chega no fim de abril. Para quem acompanha o Mombojó desde o começo, é mais um capítulo de uma trajetória que começou no Recife no início dos anos 2000 e sempre misturou rock, eletrônica e referências da música brasileira com um espírito experimental bem próprio.

Desde o debut Nadadenovo (2004), o grupo foi expandindo essa ideia em discos como Homem-Espuma, Amigo do tempo e Alexandre, além de projetos mais recentes como Deságua e Carne de caju, este dedicado à obra de Alceu Valença. Agora, É o poder da dança aponta para mais uma fase curiosa dessa história.

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Snooper volta às origens e lança as demos do álbum “Worldwide” em clima de fita K7

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Snooper libera no Bandcamp as demos lo-fi de Worldwide, gravadas em casa em fita K7. O pacote inclui faixa inédita e extras que não estão no Spotify.

RESUMO: Snooper libera no Bandcamp as demos lo-fi de Worldwide, gravadas em casa em fita K7. O pacote inclui faixa inédita e extras que não estão no Spotify.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução Bandcamp

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“Todas as demos do Worldwide (+ uma música inédita) estão agora no Bandcamp ❤️ Nem sempre é fácil para mim dizer o que penso no momento (especialmente com um microfone na mão), mas estou tão grata pela oportunidade de encontrar a minha voz através desta música. Estes foram todos gravados em Nashville, Tennessee num Tascam 488 & 388 na minha casa. Gosto da forma como soam porque me sinto mais confortável naquele espaço ❤️”.

O recado é de Blair Tramel, a vocalista da banda de egg punk Snooper, que publicou este texto no Instagram para anunciar que o duo soltou as versões cruas das faixas de Worldwide, segundo álbum. Tudo gravado, como ela própria faz questão de dizer, no calor do analógico – mais do que isso, foi em K7, de forma totalmente caseira.

Worldwide, aliás, foi resenhado pela gente aqui. As demos que brotaram agora vêm com títulos em letra maiúscula, algumas abreviações (Come together, a versão dos Beatles, virou CT) e coisas bem mais próximas do lo-fi querido – Blockhead, por exemplo, parece um K7 de 1985 que ficou guardado no armário da avó de Blair. The long way, a música nova, é um punk rock que soa como a mescla exata de Ramones e Blondie.

Um detalhe: no Spotify, o disco ressurge com o nome de Worldwide on tape. No Bandcamp, é Worldwide demos mesmo, com direito a duas vinhetas bônus que não existem nas demais plataformas. O disco tem capa imitando uma fita demo, e ganha lançamento também em (você duvidava?) fita K7.

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O que Interpol e Deftones explicam sobre o som de hoje

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O que Interpol e Deftones explicam sobre o som de hoje

Tem Interpol e Deftones no Lollapalooza Brasil no próximo fim de semana – e tem também Turnstile, que acabou não sendo citado no título deste texto, mas também é uma das faces da moeda (uma moeda de três faces?) do som de 2025 e 2026. E não apenas do rock. Afinal, Deftones era uma banda escutada até mesmo por artistas que hoje fazem rap, trap ou música eletrônica.

Mas antes de tudo: se você olhar especificamente para o rock de agora, dá para notar uma mudança de prioridades. Hoje ele parece muito mais interessado em clima e textura do que em riff memorável ou virtuosismo. Em certo sentido, é quase o oposto do rock dos anos 1990 ou 2000. E tanto o Deftones quanto o Interpol foram bandas que ensinaram a muita gente – ainda adolescente lá por 2002 ou 2003 – que intensidade e atmosfera também fazem parte do jogo.

Por acaso, o Interpol é convidado especial do Deftones num giro pela Oceania que rola em maio, do qual participa também a intensa Ecca Vandal, do single Bleach. E Chino Moreno, cantor do Deftones, ama a estreia do Interpol, Turn on the bright lights (2002). “Toda grande banda tem aquele momento na carreira em que tudo se encaixa e tudo funciona perfeitamente. Não há uma música ruim naquele disco” (fonte: Numetal Agenda). Em SP, nesta quinta (19), tem side show do Lolla com Interpol e Viagra Boys.

Sem isso, fica difícil entender fenômenos recentes como Black Country, New Road ou a onda de dream pop e shoegaze que atravessa boa parte do rock e até do pop atuais. O Deftones, por exemplo, fez algo que hoje parece natural, mas na época não era: colocou coisas bem diferentes no mesmo lugar. Guitarras pesadas, camadas atmosféricas, vocais que alternam agressividade e delicadeza. E tudo isso com uma dinâmica emocional bem clara – músicas que começam flutuando e de repente explodem em peso.

O Interpol mostrou outra saída possível. Como fazer rock de guitarras com elegância e clima num momento em que o formato clássico de banda já parecia meio gasto. Claro que havia ali uma herança forte de nomes como Joy Division e The Chameleons. Mas o Interpol reorganizou esse vocabulário para uma geração que estava chegando.

Isso conversa bastante com outra característica do rock atual: a mistura de estilos. A atmosfera herdada do pós-punk funciona bem com synths, eletrônica ou estética indie. Ao mesmo tempo, o Deftones acabou virando uma ponte improvável entre metal, shoegaze e dream pop. Quando essas portas se abrem, as bandas passam a circular entre estilos com muito mais liberdade.

Tem também um fator geracional bem simples. Muita gente que está lançando discos hoje tem entre 25 e 40 anos. Ou seja: cresceu ouvindo música no começo dos anos 2000 – exatamente quando Deftones e Interpol estavam no auge criativo. O impacto de discos como White pony (2000) ou Turn on the bright lights (2002) acabou virando referência formativa para essa turma. É o mesmo mecanismo que fez tantas bandas dos anos 1990 reverenciarem The Velvet Underground ou The Stooges.

E tem um detalhe importante nessa história: essas bandas envelheceram bem. Diferente de muito nu metal ou de parte do indie da mesma época, o som delas não ficou preso a um truque de produção específico. O Deftones mistura peso, ambiência e melodia; o Interpol trabalha com estruturas simples, guitarras angulares e um clima urbano sombrio. São fórmulas relativamente fáceis de reaproveitar sem virar paródia.

Basta olhar em volta: quantos discos com essa cara você ouviu só no ano passado? O próprio álbum mais recente do Turnstile, Never enough, aponta nessa direção – mais um sinal de que o mapa do rock atual ainda passa, de um jeito ou de outro, por essas duas bandas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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