Connect with us

Cultura Pop

Irene Granchi: histórias de discos voadores em fita K7

Published

on

Popular em reportagens sobre ufologia exibidas na TV nos anos 1980 (em programas como Fantástico, Documento especial e Globo Repórter) a pesquisadora alemã Irene Granchi (1913-2010) havia se radicado no Brasil bem jovem, ao casar-se com o musicólogo italiano Marco Granchi. Já morando no país, teve uma experiência que mudaria sua vida. Em Vassouras (RJ), em junho de 1947, avistou, no céu, um objeto circular, voando, no formato de uma “tampa de panela”. Enfim, um dos discos voadores que tanta gente via na época.

“Não podia ser um avião, helicóptero, ou pipa. Pensei: não é deste mundo e não terei paz enquanto não souber o máximo a respeito disso”, contou. Irene acabou se interessando bastante pelo assunto. Aliás, a ponto de se tornar uma das maiores autoridades em ufologia do Brasil. Também teve a sorte de começar a estudar isso bem no coração da chamada “era de ouro” da ufologia. Que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, com vários casos de avistamentos.

No mesmo ano em que ela viu o tal objeto em Vassouras, um americano chamado Kenneth Arnold entraria para a história por ser a primeira pessoa a ver um objeto voador não identificado. Os quais denominou imediatamente de “flying saucers”, pires voadores, por causa do seu formato. Daí para a frente, haveria casos de avistamentos até mesmo em Washington, capital dos Estados Unidos, por cima do capitólio. Cidades do interior de São Paulo e lugares aprazíveis da região Centro-Oeste também virariam polos preferenciais de avistamento de OVNIs.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Elvira Pagã e Tarso de Castro em 1985

Olha aí Irene como uma das entrevistadas de uma reportagem bem interessante do Fantástico, em 1995 (narrada por ninguém menos que Lima Duarte) sobre o assunto. Irene, para estudar melhor os assuntos ufológicos, montou no Rio o Centro de Investigação sobre a Natureza dos Extraterrestres (CISNE). A entidade dava cursos, palestras e fazia eventos a respeito do tema. Mas também tentava ir além do simplismo dos “discos voadores”.

Nos anos 1980, teve início uma espécie de onda retrô-hippie-espiritualista no Brasil. Aliás, com direito a programas como o 3ª visão, da Band, que chegou a entrevistar até mesmo o hoje canceladíssimo e condenado médium João de Deus.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Aquela época em que Pelé foi ator de novela

E aí acontece que a ufologia entra no meio desse bolo todo, com aparições no tal programa da Band. Em 1987, rolou uma página inteira na revista Domingo, do Jornal do Brasil, misturando no mesmo balaio pais de santo, parapsicólogos, músicos étnicos. Dentre esses últimos, Maria Emília Mendonça, que gravou um LP chamado Os anéis de Urano, com “uma viagem pelas sonoridades da Via Láctea”.

Irene Granchi estava lá, e o texto anunciava que ela estava lançando uma fita (à venda por CZ$ 200). Que aliás trazia depoimentos de gente que “já viu disco voador, viajou neles e até fez amor com uma marciana”, afirmam lá. Os tais seres extraterrestres “são todos hippies – quando falam, dizem sempre que vieram em missão de paz e amor”.

E uma novidade para quem curte ufologia é que a tal fita de Irene está no YouTube. O material é narrado como se fosse um audiodocumentário (enfim, vale por um “avô” dos podcasts) e tem, além das histórias de Irene, os tais depoimentos de gente que viu OVNIs. Incluindo um caso de avistamento no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Uma quadrilha de extraterrestres narrada na fita trazia homens com “cabeça bem feita, não era aqueles cabeção (sic) grande não”, que vestiam uma espécie de capacete romano. “Queixo, eu afirmo que eles têm, porque eu vi”, afirma o avistador, que também diz que a turma carregava um mapa da cidade de Itaperuna (RJ).

Aliás, quem curte temas ligados à contracultura tem mais um motivo para adorar a fitinha de Irene Granchi: o texto é de ninguém menos que Luiz Carlos Maciel.

 

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

Published

on

George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Published

on

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Published

on

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS

14 Flamingos (Foto: Divulgação)
Radar11 horas ago

Radar: 14 Flamingos, Beatriz Amélia, Dromeda – e mais sons do Groover

NightNight (Foto: Divulgação)
Urgente14 horas ago

NightNight: baixista do The Wants lança projeto de som eletrônico dark

Lúcio Maia. Foto: João Liberato / Divulgação
Urgente17 horas ago

Lúcio Maia anuncia novo álbum e lança o instrumental psicodélico “Fetish motel”

Em Existence is bliss, o Deadletter mistura pós-punk, stoner e jazz torto, entre peso, teatralidade e ecos de Brian Eno e Peter Hammill.
Crítica18 horas ago

Ouvimos: Deadletter – “Existence is bliss”

Gary Wilson transforma esquisitice em arte: No álbum lo-fi Come on, Mary, mistura soul, psicodelia e yacht rock com memórias de tempos idos.
Crítica18 horas ago

Ouvimos: Gary Wilson – “Come on, Mary”

No EP Neurose, a banda Madremonte faz punk garageiro cru, entre Ramones, Iggy e letras irônicas do cotidiano.
Crítica18 horas ago

Ouvimos: Madremonte – “Neurose” (EP)

Em Broto, João Pedro Cé mistura samba, reggae, jazz e psicodelia afro-brasileira num clima solar, com ecos de Nação Zumbi e liberdade ritual.
Crítica18 horas ago

Ouvimos: João Pedro Cé – “Broto”

O mistério do 1+1+1: um “projeto solo” japonês de grunge lo-fi
Urgente20 horas ago

O mistério do 1+1+1: um “projeto solo” japonês de grunge lo-fi

Pedro Salvador (Foto: Cristal Luz / Divulgação)
Radar1 dia ago

Radar: Pedro Salvador, Cleozinhu, Paula Cardeal, Quedalivre, Abissal, Kuczynski

Capa do livro The third eye: Early photographs, com as fotos de George Harrison
Urgente2 dias ago

Fotos do beatle George em livro. Juliana Hatfield lança disco surpresa. Flor ET solta session em vídeo.

The romantic aposta no soul vintage à la Marvin Gaye e Jackson 5. Soa déjà-vu? E muito - mas Bruno Mars convence até repetindo fórmulas.
Crítica2 dias ago

Ouvimos: Bruno Mars – “The romantic”

Hoodoo telemetry traz Vernon Reid solto entre jazz, psicodelia, rock e lo-fi, num caos criativo que soa como mixtape mental e cinematográfica.
Crítica2 dias ago

Ouvimos: Vernon Reid – “Hoodoo telemetry”

Em Bem vindos de volta, Mahmundi retoma a fase indie com alt pop autoral, experimental e dançante, entre psicodelia e clima pop-rock.
Crítica2 dias ago

Ouvimos: Mahmundi – “Bem vindos de volta”

Phosphorecence mistura eletrônica, noise e pós-punk, com ecos de New Order e shoegaze em clima dançante e hipnótico.
Crítica2 dias ago

Ouvimos: An Ocean Of Embers – “Phosphorecence” (EP)

Gaby Amarantos lança "Rock doido" em vinil e transforma fase premiada em registro físico
Urgente2 dias ago

Gaby Amarantos lança “Rock doido” em vinil e transforma fase premiada em registro físico

Foto (Temples): Jimmy Fontaine / Divulgação
Radar2 dias ago

Radar: Temples, Guided By Voices, The Claypool Lennon Delirium, Astra Vaga, The New Pornographers, Morrissey

Marina Lima (foto: Andre Hawk)
Urgente2 dias ago

Marina Lima revela capa e tracklist de “Ópera grunkie”, seu próximo álbum

Turnstile grava Stone Roses para rádio australiana – e ficou bonito!
Urgente3 dias ago

Turnstile grava Stone Roses para rádio australiana – e ficou bonito!