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Crítica

Ouvimos: Little Barrie e Malcolm Catto – “Electric war”

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Dupla Little Barrie volta a se reunir com o músico Malcolm Catto em Electric war, disco psicodélico, cru e vintage, que mistura blues-rock, soul, jazz e ecos sessentistas com pegada caseira.

RESENHA: Dupla Little Barrie volta a se reunir com o músico Malcolm Catto em Electric war, disco psicodélico, cru e vintage, que mistura blues-rock, soul, jazz e ecos sessentistas com pegada caseira.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Easy Eye Sound/Concord
Lançamento: 18 de abril de 2025.

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O Little Barrie, formado pelo guitarrista Barrie Cadogan e pelo baixista Lewis Wharton, já foi um trio, até a morte do baterista Virgil Howe em 2017. Em 2020, eles voltaram temporariamente à formação antiga gravando o álbum Quartermass seven ao lado do baterista e produtor Malcolm Catto – não foi uma “volta” de fato, porque assim como este novo disco Electric war, o trabalho é assinado como Little Barrie e Malcolm Catto. No geral, o conceito dos discos é unir o som lisérgico, experimental e sombrio de Lewis e Barrie à experiência de um batera acostumado a criar atmosferas psicodélicas com peles e pratos.

Sendo assim, prepare-se para ouvir um som explosivo, diretamente ligado aos anos 1960, mas com texturas atuais que lembram algo feito em casa, num estúdio pequeno e aconchegante. A faixa-título, um blues-rock das antigas, soa como a cozinha do Cream com Syd Barrett na guitarra. Zero sun une jazz e soul na equação musical. Spektator vai em frente com atmosfera mântrica, nos acordes e na batida. Creaky é definida pelos três como “uma caminhada plana e unidimensional por rochas desérticas genéricas” – na real, é um som que viaja entre uma sonoridade latina, meio Santana, e uma pegada suja, com microfonias e distorções.

  • Ouvimos: Grant-Lee Phillips – In the hour of dust

As maiores surpresas vêm em seguida. Said soul, vá lá, poderia ser gravada até por um grupo pop, mas aqui surge em estilo minimalista, com guitarra, baixo, bateria e eco, tudo bem esparso. Sick 8 é uma espécie de valsa noise-rock sessentista – lembra aquelas mesclas de rock e easy listening clássico que os Doors faziam, mas sem a mesma exuberância. My now é rock funkeado com argamassa hispânica, flamenca, que surge até na relação entre guitarra e bateria – é também psicodelia discreta, com eco na guitarra e no vocal.

Fechando, os seis minutos de Count of four, viagem sonora entre country, jazz e blues – ate que o vocal entra, e a atmosfera fica bem psicodélica e espacial, com direito a distorções e pegada garageira. Electric war tem um som que te pega pela hipnose musical.

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Crítica

Ouvimos: Anaïs Sylla – “Exil”

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Resenha: Anaïs Sylla – “Exil”

RESENHA: Em seu disco de estreia, Exil, Anaïs Sylla transforma a experiência do exílio em pop sofisticado, cruzando ritmos afro-caribenhos, reggae, r&b, ambient e folk malinês.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Alá Comunicação e Cultura
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Exil, nome do álbum de estreia da franco-suíça-senegalesa Anaïs Sylla, foi tirado de Exil, filme do cineasta Tony Gatlif – uma obra sobre pessoas errantes, que passam por culturas e identidades diferentes. Anaïs, radicada no Brasil, começou a pensar o disco na época da pandemia, quando o “exílio” que geralmente é feito entre países e novas culturas, virou uma obrigatoriedade que deveria ser vivida dentro de casa.

Acabou se tornando uma usina pessoal de criação rítmica e melódica, em que efeitos sonoros, violões, percussões e vocais macios unem-se em canções pop de clima afro e caribenho, como em Minha irmã (com Anelis Assumpção), Regard croisés, Rêver (com Jota.Pê e Caê) e o reggae De bouche à bouche. Em alguns momentos, Exil lembra o começo da carreira de Céu, mas com outras ideias rítmicas no lugar do samba-jazz eletrônico.

O som também abarca r&b ultratexturizado (Silhouette), um ambient viajante e leve (La mer) e o folk do Mali de Je chantrai pour toi (com Tiganá Santana). Exil traz tambem Anaïs lembrando do tempo em que cantou com João Donato na versão de Lugar comum em francês (Endroit commun), e fazendo pop sofisticado e marítimo em Traverséé.

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Crítica

Ouvimos: Rodrigo Brandão e Guilherme Granado – “Pequenas pirâmides” (EP)

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Resenha: Rodrigo Brandão e Guilherme Granado - "Pequenas pirâmides" (EP)

RESENHA: Em Pequenas pirâmides, Rodrigo Brandão e Guilherme Granado misturam spoken word, dub, psicodelia e krautrock para refletir sobre violência, cotidiano e a vida em São Paulo.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: YB Music
Lançamento: 20 de agosto de 2026

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Rodrigo Brandão é MC e artista de spoken word, e o músico e produtor Guilherme Granado é conhecido pelo trabalho em bandas como Hurtmold, São Paulo Underground e Exploding Star Orchestra. Pequenas pirâmides, EP do duo, mergulha na atualidade (nas letras) e num escapismo psicodélico (nas melodias e arranjos).

Não há feats, as três faixas surgem do encontro dos dois, e músicas como (Essa não é uma) canção de amor soam como uma performance musicada, como um jornal de rádio que observa minutos passando, dias voando, contas chegando e mundo sendo dominado pelo que há de pior.

For the children põe ambiência de dub em histórias de rua, infância, violência e família, narradas com vocal grave e esfumaçado (“nada de esconde-esconde quando o bicho pega-pega”, assevera a letra). São Paulo, estado de espírito, tem elementos de psicodelia, krautrock e clima realmente tenso, entre narrações, efeitos e versos que brincam com os sentidos de palavras como “estado” e “capital”. Brincadeira séria, apontando para o reacionarismo da megalópole.

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Crítica

Ouvimos: The Mystery Jets – “A hole to see the sky through”

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Resenha: The Mystery Jets – “A hole to see the sky through”

RESENHA: No oitavo álbum, A hole to see the sky through, o Mystery Jets mistura britpop, pós-punk, psicodelia, reggae-rock e country em um disco sobre luto, solidão e as mudanças inevitáveis da vida.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Fiction
Laançamento: 21 de agosto de 2026

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Tem uma coisa meio espacial, e meio guerreira, no som dos Mystery Jets – na verdade, uma das bandas britânicas que continuaram metendo marcha nos “valores” musicais do britpop, mesmo sendo uma banda dos anos 2000. A hole to see the sky through, oitavo álbum, e o primeiro pela Fiction, traz o grupo seguindo caminhos, digamos assim, mais variados musicalmente.

E olha que o disco dá um certo susto, com duas músicas de pouca tração. A parte I da faixa-título é uma visão “arena” de como uma banda de britpop faria uma canção “amiga”, enquanto Black sage, mesmo começando em tom distorcido e eletrônico, vai tanto na cola de bandas como Muse que fica difícil separar uma coisa da outra. Na real, o trio pseudoprogressivo é uma das bandas mais lembradas durante a audição de A hole – volta e meia os arranjos caminham para uma “evolução” que você imaginaria o Muse tendo em algum momento da história deles.

Observando o mundo pelo viés da solidão e da busca de conforto, o Mystery Jets chega a momentos de psicodelia quase beatle (a mais-ou-menos Doomsday waltz, que parece uma balada 60’s dos Bee Gees, mas com peso), invadem a área do pós-punk (na bela e gélida Godrays) e até a da onda baggy dos anos 1990 (Flea joint tem algo de Soup Dragons, com direito a um papinho apocalíptico no estilo dos Stone Roses, na letra: “tudo tem um começo e um fim / celebre a mudança, aceite a impermanência / liberte a terna perda da inocência”).

Quem é fã da banda e tem alguma desconfiança sobre o novo álbum, pode ficar tranquilo / tranquila. Na maioria das vezes esse clima de viagem sonora dá certo, e A hole até causa algumas surpresas, como Flea joint, e a balada reggae-rock tristinha Long lonely road – essa, com uma baita cara de futuro hit.

Tanto que o principal da “maturidade” sonora do grupo é a variedade do álbum, que passa também por baladas country (a triste Soul river) e mais sons “espaciais” e até meio progressivos de araque (Anagliypta). No geral, um disco em que o Mystery Jets decidiu olhar pra si próprio e para as experiências de luto, além das “trocas de pele” da vida.

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