Cultura Pop
Estão jogando vídeos do “Snub TV” no YouTube

Programas cultuados de TV dos anos 1970, 1980 e 1990 estão ressurgindo aos poucos no YouTube. Falamos outro dia aqui do Media Blitz, que teve alguns vídeos jogados no site. E o The Guardian foi atrás das histórias do Snub TV, programa que teve duas etapas. A primeira, que foi pro ar há trinta anos, era totalmente na base do “faça você mesmo”, e foi até 1989. Depois disso, o programa acabou chamando a atenção de Janet Street-Porter, chefe do setor de programas jovens da BBC. Uma nova fase começou: o Snub TV passou a ir ao ar pela BBC 2 (ficou nessa até 1991) e foi o primeiro lugar em que muita gente conheceu bandas como The Fall, Ultra Vivid Scene, Cramps, Dinosaur Jr e outras.
Olha aí as recordações do melhor de 1989 do programa. Tem Dinosaur Jr tocando Freak scene (foi filmado no jardim de John Robb, cantor da banda Membranes e jornalista, diz o texto do The Guardian)., um papo amalucado com o New Order em que o vocalista Bernard Sumner chama Bono Vox, do U2, de “o cara do bongô”, e mais apresentações de The Fall, Happy Mondays, Stone Roses, Ultra Vivid Scene, 808 State com MC Tunes e do Fatima Mansions (banda irlandesa fundada pelo cantor e tecladista Cathal Coughlan, que foi do Microdisney).
O programa foi criado pela dupla Pete “Pinko” Fowler e Brenda Kelly, ele jornalista de música, ela cinegrafista que trabalhava para o selo Rough Trade. O programa era barato no começo (chegou a custar uma média de 700 libras por episódio) e sempre foi feito com sérias restrições. A equipe tinha duas pessoas. “Entregávamos a fita um dia antes da transmissão, mas já rolou de entregarmos horas antes”, diz Fowler ao Guardian. Muitas vezes, os produtores seque sabiam quem iria aparecer no programa na data. Uma inovação é que o Snub TV não tinha nem um apresentador. “Os programas têm essa tendência de acabarem sendo sobre quem está apresentando. E aí você ganha essa cultura de celebridades, como acontece com o Jools Holland”, continou Fowler. “Eu odiava aquela coisa de apresentador-celebridade. E isso diminui a música”.
Isso aí é o Primal Scream, os Pale Saints e o Loop em 1990, no programa. Os Pale Saints aparecem num showcase do selo 4AD na França – Vaughan Olivier, artista gráfico do selo, fez o logo do programa. Você ainda pega uma entrevista com a turma da Kreisler Orchestra, lançamento de um subselo da Factory dedicado à música clássica (teve isso!). Robert Hampson, cantor do Loop (uma banda indie pouco lembrada, aliás), também bate um papo com o programa.
Que tal um pouco mais de peso? O vídeo abaixo termina com o grindcore do Napalm Death. Mas tem também The Fall tocando e dando entrevista, e um clipe do Adult Net, entre outras atrações.
Mais peso ainda? O papo com o Napalm Death aparece junto com o som do Extreme Noise Terror.
O sonho de Fowler era lançar momentos da Snub TV em DVD, e ele esteve bem perto de fazer isso. O problema é que o dinheiro de direitos autorais é quase impeditivo, o que acabou melando tudo. “Adoraria fazer uma sequência de oito horas do programa, para que todo mundo visse coisas nunca vistas”, diz Fowler. Uma das lembranças mais queridas do produtor, por sinal, não está (ainda) no YouTube: ele levou o produtor Steve Albini, um dos reis do barulho no rock, para entrevistar o papa do jornalista gonzo, Hunter S. Thompson. Deu certo, e não deu. “Jo, minha namorada, foi comigo e precisou beber uma toranja raspada, cheia de vodca dentro, e isso antes que ele deixasse a gete filmá-lo. Ficamos lá a noite toda, com Hunter mexendo em armas e fazendo outras coisas, enquanto Steve tentava entrevistá-lo”, lembrou ao Guardian.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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