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Cinema

Ennio Morricone derrotando geral no xadrez

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Se você quisesse deixar feliz o grande compositor de trilhas sonoras Ennio Morricone (1928-2020), era só convidá-lo para… jogar xadrez. O autor de trilhas como as do filme Cinema Paradiso já tinha pensado seriamente em ser enxadrista profissional, passava o amor pelos tabuleiros da vida a seus filhos e costumava jogar com amigos diretores e músicos. Também já tinha jogado com uma turma bem amedrontadora no esporte.

Pelo menos foi a história que ele contou numa entrevista transcrita no livro Ennio Morricone in his own words, editado por Alessandro de Rosa. No papo, Ennio deu uma crescida para cima do cineasta americano Terence Malick, dizendo que já tinha jogado várias partidas com ele, “apesar de eu ser bem melhor do que ele”. Jogar com o compositor italiano Egisto Macchi, segundo ele, “era mais desafiador”. O mesmo acontecia quando o oponente era o compositor Aldo Clementi – que segundo o próprio, costumava ser parceiro de xadrez de ninguém menos que John Cage.

Num dia em que resolveu abusar da autoconfiança, Ennio decidiu chamar um dos maiores campeões do esporte, Boris Spassky, para uma partidinha inocente.

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“Foi o ponto mais alto da minha carreira como jogador de xadrez”, contou ele, que passou algumas horas ao lado do Grande Mestre em Turim, na Itália, diante de uma plateia (!). Deu mais ou menos certo. “Terminou empatado, e foi um grande jogo, de acordo com algumas pessoas que estavam assistindo. Depois ele confessou que não jogou de maneira tão dura. Foi mesmo, ou então não teria terminado daquela forma, mas fiquei orgulhoso de mim mesmo”.

A paixão pelo xadrez começou quando Ennio era criança e achou um livro de xadrez, que ficou estudando por uns tempos. Começou a convidar amigos de infância para jogar e a organizar campeonatos, até que seu pai percebeu que o xadrez atrapalhava seus estudos de música e acabou com a farra. Ele só foi voltar a jogar lá pelos 26, 27 anos. Morricone achava que mais violento que o xadrez, só o boxe. “Apesar disso, o xadrez é mais cavalheiresco e sofisticado”, explicou (ah, bom).

O compositor também garantiu que o xadrez havia inspirado a música que compôs para o filme Os oito odiados, de Quentin Tarantino (2015). “Quando peguei o script, reconheci a tensão que havia entre os personagens. Pensei naquilo como os sentimentos que alguém desenvolve durante uma partida de xadrez”.

(na foto lá de cima, Ennio é o da esquerda, ao lado de Franco Evangelisti e Egisto Macchi).

Via Chessbase.com

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Cinema

Jogaram “Vida sobre rodas”, doc sobre skate no Brasil, no YouTube

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Jogaram "Vida sobre rodas", doc sobre skate no Brasil, no YouTube

Até tirarem do ar (ou melhor, da web), Vida sobre rodas, documentário sobre a história do skate no Brasil, está no YouTube. Filmado a partir de 2004 e lançado em 2010, dirigido por Daniel Baccaro, o filme é um entretenimento bem interessante não apenas para skatistas como também para quem passou a amar o esporte desde este fim de semana. Conta a história do esporte desde o fim dos anos 1970, focando nas pistas de São Paulo, e dando especial atenção à movimentação dos anos 1980, quando o tema “skate” surgiu direto nas páginas dos jornais – por razões não apenas esportivas, como também comportamentais e policiais.

O professor e colunista Hugo Fernandes deu uma resumida no tema a partir de uma thread no Twitter, onde lembra que a partir de um determinado momento nos anos 1980, a prefeitura de São Paulo funcionava justamente no Parque do Ibirapuera, sempre frequentado por skatistas. Na época, o esporte ainda era marginalizado e confundido com baderna – e o prefeito da cidade, Jânio Quadros, achava exatamente isso de quem praticava skate.

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Jânio mandou apreender uns skates no parque, em 1986, e após dois anos de briga pra lá e pra cá, o ex-presidente mandou proibir o skate no parque. Após um protesto de skatistas (cujas imagens aparecem no filme), o skate acabou proibido nas ruas da cidade toda, por ordens do prefeito. Jânio foi visto apreendendo skates de adolescentes aos gritos de “dê-me esse skate”, o que é mais ridículo ainda.

Além dos protestos, os skatistas reagiram ocupando espaços privados – já que os espaços públicos estavam proibidos. Um megacampeonato na Fundação Casper Líbero aconteceu em 1988, por exemplo. O esporte acabou liberado nas ruas da cidade só em 1989, quando Luiza Erundina assumiu a prefeitura, prometendo melhoras as condições da prática do skate em São Paulo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Patife Band e Voluntários da Pátria em vídeo clássico de skate, Shackle Me Not

Vida sobre rodas tem ainda imagens do primeiro programa dedicado apenas ao skate na televisão brasileira, Grito da rua (TV Gazeta) com direito a cobertura de campeonatos e dos próprios protestos dos skatistas. O filme traz pouca coisa sobre a música da época, embora tenha hits básicos do skate na trilha sonora, como Flowers by the door (TSOL) e Anarquia oi (Garotos Podres). É um documento até mais completo sobre o esporte e sobre o aspecto quando-tudo-era mato, do que sobre comportamento ou música. Nos anos 1980, praticantes mal tinham onde observar skatistas profissionais em ação – a não ser quando algum amigo conseguia uma fita VHS com manobras. O localismo do esporte (as turmas, as rusgas entre galeras, etc) também está no filme.

Pega aí.

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Cinema

O filme nunca lançado de Jean Claude Van Damme

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O filme nunca lançado de Jean Claude Van Damme

Lembra de Chatô, aquele filme do Guilherme Fontes que pelos mais variados motivos levou vinte anos para ver a luz do dia? Pois é, pelo visto ele fez escola, pois tem mais gente por aí sem conseguir concluir suas obras, e não se trata de qualquer um. Jean-Claude Van Damme dirigiu, escreveu o roteiro e estrelou Frenchy em 2009 e, desde então, tem tido problemas para lançá-lo.

Aliás, convém ressaltar que Frenchy é o nome provisório desde 2020. Antes disso ele já foi anunciado como Eagle path, Full love e Soldiers. Em 2011 a Amazon do Reino Unido chegou a fazer uma pré venda do DVD, porém a data oficial de lançamento foi sendo postergada diversas vezes e, em 2013, cancelaram o lançamento de vez.

“Mas afinal do que se trata esse filme? E por que essa demora?”, você deve estar se perguntando. Honestamente, eu adoraria ter a resposta para esse primeiro questionamento, mas é complicado porque há pouca informação sobre ele na internet. E o próprio Van Damme também não ajuda muito, pois raríssimas foram as vezes em que ele falou a respeito de Frenchy em entrevistas.

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Ao que tudo indica, a história é sobre um motorista de taxi (o próprio Van Damme) que vive num país da Ásia. E numa noite dessas, conhece uma mulher muito bonita e rica (interpretada pela espanhola Claudia Bassols), se apaixona por ela e resolve fazer de tudo (mesmo que não seja algo dentro da lei) para ascender socialmente e ser notado por ela… Quer dizer, ao menos era assim a sinopse original! O filme já sofreu tantas modificações desde 2009 que fica difícil saber o quanto dele ainda restará no corte final!

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Apenas algumas dezenas de pessoas (aparentemente não tão) afortunadas conseguiram assisti-lo, pois ele só foi exibido oficialmente três vezes. A primeira foi em 2010 no badalado festival de Cannes. Van Damme pediu para passar Eagle path (título usado na época) para críticos de cinema e distribuidores, na esperança que alguém fosse se interessar em lançá-lo mundialmente. Mas a resposta foi a pior possível: a crítica desceu o malho e, claro, ninguém quis investir nessa canoa furada. O que nos leva à segunda pergunta, sobre o porquê da demora.

Van Damme investiu US$ 5 milhões em sua menina dos olhos. Mas, assustado com o fracasso iminente, gastou mais US$ 3 milhões rodando cenas adicionais na Bulgária, colocou mais ação (uma das maiores reclamações que fizeram a respeito de Eagle path) e correu para sala de edição. Rola um boato por aí que justamente por estar trabalhando quase que obcecadamente para salvar seu projeto, ele recusou um papel no primeiro filme da série Os mercenários.

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Em 2012, o filme foi anunciado novamente, já rebatizado como Soldiers, mas quando tudo parecia caminhar para um final feliz, Van Damme mais uma vez demonstrou insatisfação com o resultado e voltou à sala de edição. O motivo, dizem, teria sido porque ele ficou descontente com as cenas de ação adicionais, pois sua ideia inicial era fazer um trabalho mais sério e dramático. Por isso, resolveu começar tudo outra vez. Essa versão nunca viu a luz do dia e só Deus (além do astro belga, claro) sabe como ficou…

Já em 2014, rebatizado novamente, dessa vez como Full love, o belga conseguiu exibi-lo no Festival de Cinema de Shanghai, um dos mais badalados da Ásia, ainda que fora da competição. E, mais uma vez, a resposta fria da crítica e do público desanimou o astro. Mas ainda assim ele não se deu por vencido: Em 2018 lá estava ele de novo em Cannes com seu Full love para tentar atrair distribuidores e, de novo, ninguém deu a mínima…

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Adivinhem então o que ele resolveu fazer? Acertou quem disse “voltar para a mesa de edição pela trocentésima vez”! Em 2020, re-remontado (e inclusive redublado em algumas cenas para fazer ajustes no roteiro), Frenchy foi anunciado para o final de 2021. Embora até a presente data, não não tenha nenhuma distribuidora interessada em lançá-lo… Vamos ver se agora vai, né?

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Se você ficou curioso, sinto te informar, mas o YouTube não tem muita coisa também. Tem um video de 2010 com ele conversando com a plateia em Cannes antes da exibição de Eagle path, porém sem nenhuma cena.

Tem um trailer também, mas com uma montagem confusa (edição não é o forte do nosso amigo belga pelo visto) que não esclarece muita coisa. Sem contar que, como eu disse antes, com tantas alterações que o filme sofreu, fica difícil mesmo saber se ele ainda representa o trabalho final.

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Twinky: o filme polêmico de Richard Donner

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Twinky: o filme polêmico de Richard Donner

Bem antes de se tornar um diretor de cinema famoso por causa de filmes como Superman e Goonies, Richard Donner (morto há poucos dias, você deve saber) era um ex-diretor de séries de TV e de filmes publicitários que tentava carreira no cinema.

A primeira tentativa de se lançar como diretor não deu muito certo. X-15, de 1961, seu primeiro filme, tinha Charles Bronson e Mary Tyler Moore no elenco. E contava uma história de ficção envolvendo causos da construção da aeronave americana X-15, movida a foguete. Mas apesar dos cuidados de Donner, que usou até imagens originais da NASA, e da boa recepção da crítica, não ficou muito tempo nas telonas.

Sete anos depois, Richard Donner dirigiu a comédia Salt & pepper (Uma dupla em ponto de bala, no Brasil). Mas esse filme já conseguiu um resultado melhor e tinha Peter Lawford e Sammy Davis Jr nos papéis principais.

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O terceiro filme de Donner, Twinky, mostrava (vamos dizer assim) que o futuro diretor de Superman estava realmente disposto a observar as tendências dos malucões anos 1960. Lançado em 1969, o filme era a contribuição do diretor para o debate sobre liberdade sexual. E sobre loucuras relacionais da era hippie e da swinging London.

Twinky: o filme polêmico de Richard Donner

No tal filme, Scott (Charles Bronson) era um escritor de livros pornográficos de 38 que se apaixonava por uma jovem de quase 16 anos, Twinky (Susan George). Os dois personagens, contrariando tudo, acabam se casando. Para o horror de familiares e amigos de ambas as partes, diga-se. Mas a diferença de idade acaba falando mais alto e nem tudo dá certo.

Aliás, alguém subiu o filme inteiro no YouTube. Pega aí.

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Donner considerava seu próprio filme uma “comédia romântica boba e maravilhosa”. Mas a equipe de produção já não concordava tanto assim. Tanto que se você procurar o filme por aí, ele é mais conhecido pelo nome de Lola. Isso porque o filme foi vendido para a AIP, ganhou cenas a mais para investir na história do coroa amoral que fica com a Lolita ingênua, e teve seu nome mudado. Aliás, isso acontecia bastante na época.

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Depois de um tempinho, Twinky ainda foi reembalado de novo como London affair. Como Donner se sentia a respeito dessas mudanças? “Que merda”, resmungou nessa entrevista aqui.

Na época de Twinky, a diferença de idade de Bronson e Susan era BEM maior que a dos personagens do filme. O ator tinha 47 anos e já vinha de várias outras experiências – tinha sido até protagonista de uma série de TV, Man with a camera, que narrava o dia a dia de um detetive fotógrafo. Susan tinha 19 e vinha de vários filmes jovens, alguns deles bem “artísticos” e controversos, como Up the junction, sobre uma garota inglesa que foge do dia a dia privilegiado e junta-se a uma turma da classe trabalhadora.

Bom, depois disso, Donner demoraria alguns anos para fazer outro filme, e acertou de cara com A profecia, um dos filmes mais vistos e mais bem-sucedidos de 1976. Depois viria Superman. O resto é história. R.I.P. Richard Donner.

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