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Cultura Pop

E os 50 anos de The Slider, do T. Rex?

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Tudo o que se puder escrever sobre Marc Bolan (1947-1977), líder do T. Rex, é pouco. O ex-mod que caiu no hippismo folk e místico, antes da fama. O cara que uniu guitarras à Eddie Cochran, percussões, letras contemplativas e psicodélicas, androginia, atitude. O sujeito que “viu o futuro” antes mesmo que um cara chamado David Bowie começasse a reinar no universo do rock – aliás, Bowie, mais do que lhe tomar o cetro, ambicionou conquistar os EUA  e conseguiu. O cara que reconfigurou o sistema do rock britânico nos anos 1970, passando de sapato alto pelo mundo pop com dois álbuns de sucesso: Electric warrior (1971) e The slider (1972). E um punhado de hits.

Por último, e talvez mais importante que isso tudo, Marc era o músico e compositor de ponta que iniciou a escrita da norma culta do glam rock, complementado por Lou Reed no disco Transformer (1972) e pelo próprio Bowie. A ponto do som de Bolan ter virado aquele tipo de linguagem pop com a qual inúmeros artistas se identificariam em algum momento, ao longo do tempo: Ramones, Damned, Blur, Ty Segall, The Damned, Stone Temple Pilots, Bob Dylan. Um legado imenso e perceptível.

The slider, sétimo disco gravado por Bolan (e terceiro sob a nomenclatura T. Rex) engrossa a fileira dos clássicos lançados em 1972 – saiu em 21 de julho, há cinquenta anos. Foi também o primeiro disco do T. Rex lançado sob altas expectativas da crítica e enorme adoração dos fãs, com direito a situações análogas às da época da beatlemania. Bolan, acompanhado por Mickey Finn (percussão), Steve Currie (baixo) e Bill Legend (bateria) migrara do pequeno selo Fly para a grandalhona EMI e conseguira até mesmo montar um selo próprio, com o nome da banda, ligado à gravadora.

Tony Visconti, que vinha produzindo todos os discos do T. Rex até então (bem como os da encarnação anterior, Tyrannosaurus Rex) levou o grupo para gravar na França, no Château d’Hérouville, “não para fugir da nebulosa Londres, mas para evitar o pagamento de impostos sobre nossos ganhos no exterior”, como esclareceria o produtor. O T. Rex já estava chegando ao cinema e Bolan colecionava amigos famosos, como Ringo Starr, que começara a fazer (por intermédio do que havia sobrado da Apple Films) o documentário Born to boogie, sobre o agitado dia a dia de Bolan e sua banda. As fotos de capa e contracapa de The slider, feitas durante as sessões do filme, foram creditadas a Ringo – embora Visconti garanta que ele mesmo fez as imagens usando a máquina Nikon de Bolan, a pedido do próprio.

The slider corria riscos reais de ficar ofuscado por The rise and fall of Ziggy Stardust, de David Bowie. Conquistou sucesso mesmo assim, graças à glam e nostálgica Metal guru (definida por Bolan como “uma música sobre um festival da vida, dedicada a todos os deuses ao redor”) e ao boogie Telegram Sam. Mas ainda havia muito mais o que ouvir ali: o blues-glam da faixa-título, a folk e contemplativa Mystic lady, o rock sinuoso de Rock on, o blues-rock espacial e futurista de Baby boomerang, o hard rock dançante de Buick Mackane. Para colocar no repeat várias vezes: a balada glam folk Ballrooms of Mars, que cita John Lennon, Bob Dylan e o DJ Alan Freed. Um disco brilhante.

Ao contrário do que muita gente diz, depois de The slider, Bolan ainda teve momentos bem legais na carreira – incluídos aí discos como Tanx (1973) e Futuristic dragon (1976), ou Zinc Alloy and the Hidden Riders of Tomorrow (1974), uma brincadeira tardia com Ziggy Stardust, o disco do amigo-rival Bowie. Pena que o cantor e seu T. Rex estiveram a poucos passos de conquistar de verdade o sucesso (leia-se: hitar nos Estados Unidos) e a coisa não engrenou. Mas a magia de Bolan chegou intacta ao punk, ao pós-punk e ao britpop.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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