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Cultura Pop

CHiPs: punks vs. new waves, imitação do Kiss, patins e disco music

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CHiPs: punks vs. new waves, imitação do Kiss, patins e disco music

Depois de um certo momento dos anos 1970, até como um reflexo da febre de disco music, começou uma onda de patins. Uma onda que ficou forte rapidamente, invadiu a década seguinte e acabou aparecendo igualmente em outras mídias: televisão, cinema, etc. Você via gente circulando de patins em novelas, deparava com pistas de dança em que todo mundo aparecia tentando se equilibrar nas rodinhas e, ora vejam só, até mesmo Linda Blair, de O exorcista, fez um filme estilo “turma da praia” chamado Roller boogie (1979), no qual interpretava uma garota que patinava e dançava ao lado do namorado, e brigava para manter a pista de dança preferida do casal.

Um dos maiores sucessos da TV naquela segunda metade dos anos 1970, CHiPs, não estava nem um pouco imune a essas “modas”. Exibida na NBC entre 15 de setembro de 1977 e 1º de maio de 1983 – no Brasil, passou na TVS a partir de 1979 – mostrava o dia a dia de dois oficiais motociclistas da Patrulha Rodoviária da Califórnia (a CHP, daí o nome). Os meganhas eram os inoxidáveis Poncherello (Erik Estrada) e Jon Baker (Larry Wilcox). Poncherello era o malucão indisciplinado com fama de bad cop, e Jon era o policial tentava agir de maneira mais racional.

Como se tratava de uma série filmada em Los Angeles, todo tipo de esporte ou mania (do surfe ao bicicross) que ficou mais ou menos popular naquela época apareceu no programa. Aliás não apenas isso: brigas entre Poncherello, Jon e punks locais eram comuns no seriado e um episódio de 1982, Battle of the bands, mostrava as porradarias entre uma banda punk (a Pain) e uma banda new wave (a Snow Pink), que disputariam uma (enfim) batalha de bandas num boteco. Sim, os nomes dos grupos eram esse troço caricatural aí, e os punks eram os inimigos. Olha um trecho aí.

Sim: teve uma vez em que o seriado se superou e decidiu criar um genérico do Kiss. Era o Moloch, que apareceu no episódio Rock devil rock, que foi ao ar no Halloween de 1982. Don Most, o Ralph Malph da série Happy days (passou no Brasil na Globo nos anos 1970) era uma espécie de imitação de Gene Simmons, só que mais (er) diabólico. E como o personagem dançava e não tocava instrumento algum, lembrava também um cruzamento de Gene com Mick Jagger. Você não pode perder isso.

E agora, vai aí esse puro suco de cultura pop anos 1970/1980. Em 1979, abrindo a temporada 3 de CHiPs no dia 22 de setembro, foi ao ar a primeira parte de… Roller disco, a maneira que o seriado encontrou para aderir à onda de patins e disco music. A história começava de maneira singela, até que o mundo do crime começava a invadir o episódio: Ponch chefia o comitê de entretenimento do convescote de caridade da CHP e sai procurando famosos para participarem do evento. Um trio de assaltantes patinadores aparece para estragar a festa.

De qualquer jeito, surge a ideia de misturar patins na tal comemoração, e  o evento se torna o Skate With The Stars. O ator e cantor Leif Garrett interpreta Jimmy Tyler, um “astro do rock” (de quem Poncherello é fã) meio de mal com a vida. Por causa do contato com Jimmy, a festa fica tipo LOTADA de famosos, que são os atores que participam de todas aquelas séries de TV da época, e que hoje passam em canais tipo TCM. Tinha gente de Starsky & Hutch, Esquadrão Classe A, O barco do amor, Oito é demais e várias outras.

Cultura Pop

No nosso podcast. Rita Lee (e Roberto de Carvalho) entre 1980 e 1983

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No nosso podcast. Rita Lee (e Roberto de Carvalho) entre 1980 e 1983

No começo dos anos 1980, se bobear o Brasil tinha bem poucos seres humanos vivos que nunca tinham sequer ouvido falar de Rita Lee – uma cantora que, ao lado do marido Roberto de Carvalho, vendia muitos discos, tinha música em abertura de novela e ganhava especiais de TV no horário nobre. E como se não bastasse, era contratada do verdadeiro canhão de comunicação que era a Som Livre daquela época. Mesmo com a censura do fim do governo militar no contrapé, foi um período de shows inesquecíveis, muitos hits, álbuns lançados um atrás do outro, e uma verdadeira ritaleemania tomando conta do país.

Hoje no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, damos um sobrevoo na trajetória de Rita e Roberto no começo dos anos 1980 – a época dos álbuns Rita Lee (mais conhecido como Baila comigo, 1980), Saúde (1981), Rita Lee & Roberto de Carvalho (mais conhecido como Flagra, 1982) e Bom bom (1983). Ouça em alto volume e escute os discos depois.

Século 21 no podcast: Jane Penny e Bel Medula.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (fotos: reproduções das capas dos álbuns de Rita entre 1980 e 1983). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Crítica

Ouvimos: Alan Vega, “Insurrection”

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Ouvimos: Alan Vega, "Insurrection"

Alan Vega e sua ex-banda Suicide não eram apenas “rock industrial”. Eram música infernal, mostrando para todos os ouvintes que situações assustadoras eram vividas não apenas em filmes de terror, mas no dia a dia. No contato com vizinhos perturbados, na violência nossa de cada dia, na vida fodida dos debandados do capitalismo – que é o verdadeiro assunto de Frankie Teardrop, música assustadora lançada no epônimo primeiro disco da dupla formada por ele e Martin Rev, de 1977.

Vega viveu no limite: antes do Suicide ter qualquer tipo de sucesso, passou fome e enfrentou dificuldades. No palco, era do tipo que se cortava e saía sangrando dos shows. Seu som sempre teve ideais radicais, inclusive politicamente – ele chegou a ser atacado pela polícia ao participar de passeatas, e o Suicide homenageou Che Guevara na música Che. Dos dois integrantes do Suicide, hoje só Martin Rev vive para perturbar os ouvidos dos outros com som pesado, distorcido e sintetizado. Alan, que prosseguiu por décadas como lenda viva do punk e da música eletrônica, lançando discos e fazendo exposições de arte, teve um derrame em 2012 e morreu durante o sono em 2016.

Seu material como compositor, ironicamente, devia bastante às raízes do rock, e à postura de “herói” do estilo. O novaiorquino Alan era fanático por Iggy Pop e Stooges, e seu vocal variava entre dois uivos – o de Elvis Presley, cujo visual inicial trabalhado-no-couro passou a imitar, e evidentemente o de Iggy. Os primeiros álbuns solo de Alan variavam entre o synth-pop nervoso e uma espécie de rockabilly aceleradíssimo e violento (o melhor exemplo é a estreia epônima de Vega, lançada em 1980). Não custa lembrar que o som do Suicide, de fato, chegou a impressionar até mesmo Bruce Springsteen, que já disse ser (pode acreditar) fã da dupla.

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Insurrection é uma coletânea de gravações inéditas que estavam no baú de Alan. São músicas industriais e infernais feitas no fim dos anos 1990, todas falando sobre morte, sofrimento e contagem de mortos como se fosse algo natural, do dia a dia – e pensando bem, olhando os jornais e andando pelas ruas, é meio isso. É “bom de ouvir” dependendo do seu humor: é o disco das dançantes e góticas Sewer e Crash, do synth pop monocórdico Invasion, do pesadelo selvagem Cyanide soul e do lamento sonoro (de quase dez minutos) de Murder one.

Mercy é um estranho e assustador pedido de clemência, falando em gritos, anjos sangrando e tempestades sombrias. E nessa música o vocal de Alan lembra de verdade o de Elvis Presley, o que soa mais estranho ainda. Os beats são dados por uma percussão intermitente e tribal, seguida por uma batida eletrônica mais próxima do “dançante”. Soa mais insociável do que qualquer coisa lançada pelo Ministry ou pelo Alien Sex Fiend, por exemplo. Chains soa como entrar numa bizarra ressonância magnética de distorção. E Fireballer spirit oferece a mesma sensação, só que acrescida de barulhos eletrônicos.

Nota: 7,5
Gravadora: In The Red

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Cultura Pop

4 discos: Joy Division e seus “the best of”

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Peter Hook: "Roubamos muito o Kraftwerk"

O material não-lançado pelo Joy Division em LP dá (como aliás deu) um número considerável de coletâneas. Ainda que o grupo tenha só dois LPs para contar história (Unknown pleasures, de 1979, e Closer, de 1980). Mesmo que não seja um número maluco de coletâneas como acontece com o Who – que tem um monte de “the best ofs” com poucas diferenças entre um álbum e outro – quem quiser se abastecer de discos com faixas de singles, ou melhores sucessos do grupo, não fica sem opções. Pode achar por aí discos unindo músicas do JD e de sua continuação post-mortem, o New Order. Ou sets variados com gravações da BBC, faixas ao vivo, compactos e músicas mais conhecidas dos dois álbuns.

Comemorando os 46 não-redondos anos de Unknown pleasures (lançado em 15 de junho de 1979), tá aí uma lista condensadíssima – só quatro discos – de coletâneas que em algum momento valeram a pena para futuros fãs do grupo.

“WARSAW” (1981, RZM). Apesar do título, esse disco não traz só as sessões do grupo com seu primeiro nome. Dependendo da edição, tem as demos do Warsaw que depois foram lançadas já como Joy Division no EP An ideal for living (1978), as gravações feitas no período breve em que o Joy Division quase foi contratado pela RCA (igualmente em 1978) e o lado B As you said. As primeiras edições traziam as ondas de rádio da capa de Unknown pleasures ocupando quase toda a arte. Em Portugal, o disco chegou a ser lançado semioficialmente pelo selo Movieplay.

“SUBSTANCE (1978-1980) (1988, Factory). O correspondente do Substance do New Order levava para vinil e CD oficiais faixas obscuras de singles do grupo, incluindo material do pirata Warsaw. Além de faixas mais conhecidas lançadas em compacto, como Dead souls, Atmosphere e Love will tear us apart. O principal era que o disco mostrava, de maneira cronológica, o Joy partindo do punk para a quase neo-psicodelia, indicando que a banda talvez se tornasse uma ótima concorrente de grupos como Echo and The Bunnymen, Teardrop Explodes e Cocteau Twins caso o vocalista Ian Curtis não tivesse morrido (falamos desse disco aqui).

  • Temos episódios sobre New Order e Joy Division em nosso podcast.
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“PERMANENT” (1995, London). Lançada quando o antigo selo Factory já havia declarado falência e seu material estava nas mãos da London Records, essa coletânea teve grande valor quando lançada. Pelo menos por aproveitar o então recente retorno do New Order com o disco Republic (1993) e o hit Regret, e o começo da revalorização do rock inglês via Oasis, Blur, Elastica, Suede e vários outros nomes. Love will tear us apart aparecia em duas versões: a versão gravada no Pennine Studios, mais rara, lançada até então apenas no lado B do single original (e depois resgatada para uma versão expandida de Substance), e um novo mix.

“HEART AND SOUL” (1997, London). Para fãs extremamente roxos do JD, essa caixa quádrupla tem praticamente todo o material de estúdio que havia surgido do grupo até então. Nos dois primeiros CDs, Unknown pleasures e Closer surgem expandidos com material de compactos e coletâneas. O terceiro CD traz faixas de compactos, demos e sessões de rádio – incluindo as demos de Ceremony e In a lonely place, gravadas um mês antes da morte de Ian Curtis (essas músicas seriam depois gravadas pelo New Order). O quarto CD tem só material gravado ao vivo.

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