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Cultura Pop

E os 41 anos de Pleasant Dreams, dos Ramones?

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E os 41 anos de Pleasant Dreams, dos Ramones?

A “outra” tentativa dos Ramones de ganhar popularidade durante os anos 1980 completou 41 anos no último dia 20 de julho. Pleasant dreams (1981) acabaria conquistando lugar na história do grupo como disco controverso e um tanto quanto mal amado. Joey (voz), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo) e Marky Ramone (bateria) já haviam feito um disco com um produtor “de grife” e ídolo da banda: o insano Phil Spector, que cuidou da produção de End of the century (1980), melhor resultado do quarteto nas paradas dos EUA. A ideia agora era provar que havia um “para o alto e avante” na história de uma banda tão disfuncional.

No que dependesse da ideia original do grupo, Pleasant dreams poderia ser um tanto diferente. O quarteto queria na produção Steve Lilywhite, um inglês que se destacara com produções para U2 (Joey em particular, adorava I will follow, da estreia Boy), Peter Gabriel, Johnny Thunders e Psychedelic Furs. A Sire não achou a ideia boa e destacou Graham Gouldman, baixista do grupo pop 10cc, para produzir. Graham estava com um pé fora do 10cc, abriria os anos 1980 misturando r&b e new wave no Wax (lembra de Right between the eyes?) e não parecia, talvez, o cara mais apropriado para comandar as gravações do disco de uma banda tão apegada ao rock cru e aos poucos acordes. A possibilidade de sucesso era a de que ele e os Ramones se encontrassem no apelo pop e na recorrência à ironia. Quem sabe.

E aí que Pleasant dreams deixa um toque agridoce no ar, com letras meio estranhas e pessimistas, emolduradas por melodias bacanas e ensolaradas, mais próximas do power pop do que do punk. Havia razões para isso e algumas são conhecidas: pra começar, o excesso de drogas e álcool em pelo menos três quartos da banda (Joey, Dee Dee e Marky). O cantor e o guitarrista também brigavam feio pela liderança do grupo, com direito a porradarias físicas. Não havia diversão ou piadas nos bastidores e muita gente diz que dava para cortar o clima com uma faca. Por acaso, o sexto álbum dos Ramones, pela primeira vez, trazia todas as músicas não sendo creditadas coletivamente (Joey e Dee Dee dividiam as doze faixas, na base de cada-um-assina-uma).

Johnny, mesmo não compondo nada, enchia os arranjos de guitarras pesadas. E particularmente, deu-se muito bem com o produtor, que sugeria harmonias vocais e partes de guitarra. Não por acaso, a tragicomédia romântica 7-11 ganhou um clima meio Beach Boys – aliás, mais que isso, um clima meio Shangri-Las, graças ao final triste da letra, de clima meio saudosista (e deixando entrever um conservadorismo musical meio estranho). Don’t go, se tivesse sido lançada nos anos 1960, daria uma boa canção para ser versionada por algum jovemguardista. She’s a sensation ia pelo mesmo clima.

We want the airwaves, música na qual Joey reclamava da falta de rock nas rádios, já adiantava a união hard rock + punk que os próprios Ramones seguiriam lá pela metade da década (e que, naquele momento, estava na mão de bandas como Runaways e Motörhead). E, destruindo um mito: não é verdade que The KKK took my baby away, basicamente uma canção à moda dos Kinks, foi feita porque Joey Ramone perdeu a namorada para Johnny – o casal ainda estava junto durante a produção do disco, e o guitarrista só passou a namorar com Linda, ex de Joey, com o LP nas lojas. Já It’s not my place (In the 9 to 5 world) era a declaração de princípios profissionais do vocalista, com direito a um trecho surrupiado de Whiskey man, do Who.

O lado mais bizarro ainda do disco fica por conta das músicas de Dee Dee: You didn’t mean anything to me, You sound like you’re sick, Come on now e outras. São canções basicamente na onda do bubblegum, mas com letras entre o escárnio puro e a paranoia mais pura ainda, mostrando que o baixista já estava bastante de saco cheio daquilo tudo – brigas, drogas, confusão nos bastidores, falta de grana e de reconhecimento. “Eu era odiado e ninguém durante toda a minha vida ligou pra mim”, costumava dizer o músico.

Para piorar um pouco, Pleasant dreams acabou não fazendo sucesso. Johnny e Joey chegaram a falar em sair do grupo. Os Ramones tinham a si próprios e a seu público para manter as coisas no topo, mas que estava complicado estava. De qualquer jeito, isso aí é uma outra história. Ouve Pleasant dreams aí!

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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