Cultura Pop
E o aniversário de “Standing on a beach”, do The Cure?

Standing on a beach (ou Staring at the sea, na edição em CD), coletânea do The Cure, vai completar 37 anos no dia 15 de maio. E chega à data não-redonda fazendo parte daquele clube restrito das coletâneas que servem praticamente como discos de carreira – aliás muita gente considera esse álbum lançado em 1986 como “meu disco preferido do Cure”, ainda que as músicas pertençam a épocas diferentes do grupo. E, em alguns casos, sejam bem pouco parecidas entre si, já que é um disco que mistura o clima pós-punk de Boys don’t cry, ao tom aterrorizante de The hanging garden, Charlotte sometimes e A forest, e ao lado pop de The lovecats e Close to me.
O disco não era a primeira coletânea do Cure – já havia o compilado de singles Japanese whispers, de 1983. E surgiu numa época em que o Cure não apenas era uma banda grande, como já estava para buscar outros caminhos. O contrato de Robert Smith e seus colegas com a Polydor (que controlava o selo Fiction) estava para expirar e havia a possibilidade de uma ida para a Virgin. Smith preocupava-se com a possibilidade de a Polydor lançar uma coletânea da banda assim que o Cure saísse de lá, e decidiu fazer tudo por conta própria.
No fim das contas, o Cure nem sequer trocou de gravadora, mas Standing acabou sendo uma excelente introdução ao passado da banda para os fãs novos adquiridos após o disco The head on the door (1985). O disco foi organizado cronologicamente e partia dos tempos quase rascunhados de Killing an arab, chegando ao Cure de 1985, meio festeiro, meio power pop. Boys don’t cry, estranhamente, ganhou nessa época uma versão regravada, que tocou muito no rádio, mas que não entrou no disco. Hits mais recentes, como In between days, estavam igualmente lá. Houve quem reclamasse da falta de raridades mais inusitadas, como o single I’m a cult hero, creditado a The Cult Hero e lançado em 1979 – e que na real, era só um projeto de Robert Smith com Simon Gallup, que ainda nem era integrante do Cure, com participação dos outros integrantes. Não fazia tanta falta.
Para os grandes fãs e recém-convertidos, valia a pena mesmo era ter a versão cassete do disco. O Cure aproveitou para testar uma das manias dos anos 1980 – a criação de repertórios diferentes para formatos diferentes. Socou todas as músicas do vinil num lado só da fita, e pôs todo o esplendor da esquisitice dos seus lados Bs no outro lado do K7 – coisas como Splintered in her head, I’m cold, A man inside my mouth e outras faixas. O CD acabou ficando só com quatro músicas a mais que o LP, incluindo Other voices, de 1981 e a recente A night like this. O VHS era Staring at the sea: The Images, com o mesmo repertório do CD, perfazendo todos os clipes do Cure lançados até aquele momento. Esse VHS nunca saiu em DVD mas está no YouTube dividindo em vários vídeos.
A edição em CD ficou um tanto quanto obsoleta depois que a obra do Cure foi explorada em box-sets e outras coletâneas. Mas marcou época e conquistou um público diferente para a banda – aliás tornou-se um lançamento sólido e importante da história do grupo, a ponto de ultrapassar qualquer outro lançamento do grupo nos Estados Unidos. O Cure depois lançaria outra coletânea, Galore (1997), mas pegando de onde Standing/Staring parou.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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