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Lançamentos

Drama Em Crise: vanguarda mutante e pós-punk em “Vertigem”

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Drama Em Crise: vanguarda mutante e pós-punk em "Vertigem"

Mutantes é uma boa referência para entender o som experimental da banda paulista Drama Em Crise. O grupo de Gabe Fortunato (guitarra e voz), Guilherme Araujo (flauta), Léo Dorea (bateria) e Sérgio Jomori (baixo), acrescido do saxofonista Luís Guimarães, em participação especial, não apenas tem influência da banda, como também grava com instrumentos analógicos. E ainda por cima está gravando o primeiro álbum usando um gravador de fita que já pertenceu a Sergio Dias, guitarrista dos Mutantes.

O álbum, autointitulado, vai ter 15 músicas, e o trabalho do grupo de Mogi das Cruzes (SP) já é anunciado com o single/clipe de Vertigem. Tanto música quando clipe surgem repletos de mesclas – de partes diferentes (na música) e de gravações analógicas e digitais (no vídeo). A ideia da banda é falar das pressões a que estamos submetidos no dia a dia (“calmaria versus correria, excesso versus falta de tempo e natureza versus selva de pedra”, diz a banda no comunicado de lançamento). O som une tropicalismo, vanguardas em geral e pós-punk. E a banda diz que precisou se adaptar ao analógico para gravar. “A gravação analógica nos obriga a certas coisas. Tem que ser certeira, fazer no primeiro, no segundo ou no máximo no terceiro take”, conta Gabe.

O clipe foi gravado na Avenida Nove de Julho, em São Paulo – por acaso o local onde parte da letra da canção foi escrita. Já a faixa foi produzida por Danilo Sevali e Helena Duarte (ambos integrantes da banda Hierofante Púrpura), no estúdio Mestre Felino, em Mogi das Cruzes. Confira abaixo o clipe e o making of (Foto: Danilo Sevali/Divulgação).

Crítica

Ouvimos: Paira, “EP01” (EP)

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Ouvimos: Paira, "EP01" (EP)
  • EP01 é o EP de estreia da dupla mineira Paira, formada por Clara Borges e André Pádua, com som girando em torno do drum’n bass e variações. A dupla cita também estilos como UK garage e breakcore.
  • O EP foi gravado de modo caseiro entre 2022 e 2024, com vocais gravados no Estúdio Cais em 2024, e tem “uma sonoridade que eu e a Clara vínhamos imaginando e construindo há anos, desde um pouco antes da pandemia pra ser exato, antes de ficarmos próximos. Há dois anos começamos a banda e foi ali que a coisa começou a tomar a cara que tem agora”, diz André.

Uma pena que o Paira tenha optado por estrear com um EP, e não com um álbum cheio após singles. O som do duo mineiro de rock alternativo e eletrônico chama a atenção pelas boas composições, pelo experimentalismo dosado com belas melodias e pelas letras, bastante poéticas. O disco abre com um drum’n’ bass frenético e pesado, Música lenta – e que curiosamente soa como uma espécie de punk bossa, com ruídos unidos a vocais doces.

O clima eletrônico e contemplativo prossegue em O fio, com linhas vocais sugerindo certa relação com o rock brasileiro dos anos 1990 (a lembrança são os vocais hiphoppeados de Chorão). E no dream pop eletroacústico de Leve e Como um rio, ambas sugerindo mansidão em títulos, letras e vozes, apesar do agito dos beats. É nesse clima ambíguo, entre tons pesados e delicadezas, que o disco se desenrola. Encerrando EP01, tem 19, um shoegaze que ganha batidas eletrônicas só do meio para o final, e destaca os vocais delicados de Clara Borges.

Nota: 8,5
Selo: Balaclava Records.

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Crítica

Ouvimos: Alan Vega, “Insurrection”

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Ouvimos: Alan Vega, "Insurrection"

Alan Vega e sua ex-banda Suicide não eram apenas “rock industrial”. Eram música infernal, mostrando para todos os ouvintes que situações assustadoras eram vividas não apenas em filmes de terror, mas no dia a dia. No contato com vizinhos perturbados, na violência nossa de cada dia, na vida fodida dos debandados do capitalismo – que é o verdadeiro assunto de Frankie Teardrop, música assustadora lançada no epônimo primeiro disco da dupla formada por ele e Martin Rev, de 1977.

Vega viveu no limite: antes do Suicide ter qualquer tipo de sucesso, passou fome e enfrentou dificuldades. No palco, era do tipo que se cortava e saía sangrando dos shows. Seu som sempre teve ideais radicais, inclusive politicamente – ele chegou a ser atacado pela polícia ao participar de passeatas, e o Suicide homenageou Che Guevara na música Che. Dos dois integrantes do Suicide, hoje só Martin Rev vive para perturbar os ouvidos dos outros com som pesado, distorcido e sintetizado. Alan, que prosseguiu por décadas como lenda viva do punk e da música eletrônica, lançando discos e fazendo exposições de arte, teve um derrame em 2012 e morreu durante o sono em 2016.

Seu material como compositor, ironicamente, devia bastante às raízes do rock, e à postura de “herói” do estilo. O novaiorquino Alan era fanático por Iggy Pop e Stooges, e seu vocal variava entre dois uivos – o de Elvis Presley, cujo visual inicial trabalhado-no-couro passou a imitar, e evidentemente o de Iggy. Os primeiros álbuns solo de Alan variavam entre o synth-pop nervoso e uma espécie de rockabilly aceleradíssimo e violento (o melhor exemplo é a estreia epônima de Vega, lançada em 1980). Não custa lembrar que o som do Suicide, de fato, chegou a impressionar até mesmo Bruce Springsteen, que já disse ser (pode acreditar) fã da dupla.

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Insurrection é uma coletânea de gravações inéditas que estavam no baú de Alan. São músicas industriais e infernais feitas no fim dos anos 1990, todas falando sobre morte, sofrimento e contagem de mortos como se fosse algo natural, do dia a dia – e pensando bem, olhando os jornais e andando pelas ruas, é meio isso. É “bom de ouvir” dependendo do seu humor: é o disco das dançantes e góticas Sewer e Crash, do synth pop monocórdico Invasion, do pesadelo selvagem Cyanide soul e do lamento sonoro (de quase dez minutos) de Murder one.

Mercy é um estranho e assustador pedido de clemência, falando em gritos, anjos sangrando e tempestades sombrias. E nessa música o vocal de Alan lembra de verdade o de Elvis Presley, o que soa mais estranho ainda. Os beats são dados por uma percussão intermitente e tribal, seguida por uma batida eletrônica mais próxima do “dançante”. Soa mais insociável do que qualquer coisa lançada pelo Ministry ou pelo Alien Sex Fiend, por exemplo. Chains soa como entrar numa bizarra ressonância magnética de distorção. E Fireballer spirit oferece a mesma sensação, só que acrescida de barulhos eletrônicos.

Nota: 7,5
Gravadora: In The Red

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Ouvimos: The Marías, “Submarine”

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Ouvimos: The Marías, "Submarine"
  • Submarine é o segundo álbum do The Marías, uma banda indie-pop de Los Angeles, formada pela cantora María Zardoya (que é portorriquenha criada na Georgia), pelo baterista e produtor Josh Conway, pelo guitarrista Jesse Perlman e pelo tecladista Edward James.
  • A banda começou a partir de um encontro entre María e Josh, numa casa de shows em Los Angeles – ela estave se apresentando e ele era o gerente. Começaram a compor juntos e iniciaram um namoro.
  • María era fã da cantora mexicana Selena quando adolescente, e conta que sua família estranhou quando ela decidiu cortar o cabelo muitos centímetros abaixo do normal. “Em Porto Rico todo mundo tem cabelo comprido. Quer dizer, é tudo uma questão de ir ao salão de beleza e fazer uma limpeza semanal. Mas eu queria mudar!”, disse aqui.

O nome “submarino” não é apenas figura de linguagem. A sonoridade do The Marías sugere mergulho sonoro, como se algo estivesse musicalmente submerso ou flutuando, graças ao tom dream pop das composições e da produção. É a onda deles em Submarine, disco tão luminoso musicalmente quanto angustiado nas letras (e em alguns vocais).

Como acontece em Paranoia, basicamente uma canção sobre falta de comunicação num relacionamento marcado por grilo em cima de grilo (“sua paranoia é irritante/agora tudo que eu quero fazer é fugir”). O hit Run your mouth, indie pop dançante e repleto de synths e linhas de baixo sintetizado, mostra a cantora Maria Zardoya irritada com a verborragia e o narcisismo de algum relacionamento: “você só me chama quando eu estou distante/sempre fala demais/e eu não quero ouvir”. Esse tom dramático (e meio enjoativo, às vezes) dá mais as caras nas canções em espanhol do disco, Lejos de ti e Ay no puedo.

O poder de atração de Submarine rola na combinação de vocais doces, sintetizadores e batidas, além de letras que sugerem frustrações com alguma falha na comunicação – e que dominam o álbum. Tipo em Real life, synth pop abolerado cuja letra mistura conversas pelo FaceTime, traições, mentiras e vontade de transar. Vicious sensitive robot lembra um Radiohead mais pop, ou uma mescla de Thom Yorke com Sade Adu – se é que isso é possível.

O baião-drum’n bass Hamptons parece um filme de Pedro Almodóvar e não é à toa, em se tratando de uma banda que já lançou uma música chamada Hable com ella. O tema dos relacionamentos virtuais que trazem frustração atrás de frustração reaparece na baladinha No one noticed. Nem tudo é tão brilhante em Submarine, mas as surpresas são muitas.

Nota: 7,5
Gravadora: Nice Life/Atlantic

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