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Erasure anuncia primeiro álbum em seis anos, e turnê sem Vince Clarke no palco

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RESUMO: O Erasure volta em março com Radio!! Radio!!, primeiro álbum em seis anos. O single Wings of love já saiu, e a nova turnê terá Andy Bell no palco e Vince Clarke na direção musical.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Travis Shinn / Divulgação

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E tem álbum novo do Erasure vindo aí. Nesta segunda (28), o duo de Andy Bell e Vince Clarke anunciou seu retorno aos estúdios após seis anos, com Radio!! Radio!!, previsto para 12 de março de 2027 pela Mute. Saíram também o novo single Wings of love e detalhes de uma turnê em arenas pelo Reino Unido e Europa, incluindo um show em Dublin, na 3Arena, em 3 de maio.

O álbum é o vigésimo da dupla, e chega justamente na comemoração de 40 anos de seu disco de estreia. Wings of love fala sobre temas como amor, solidão e gratidão pelas pessoas que moldaram a vida de Bell. Esses temas estão também espalhados pelas mússicas de Radio!! Radio!!. Ao synthpop conhecido da dupla, somam-se texturas ligadas a compositores eruditos como Erik Satie, já que Clarke anda cada vez mais atraído pelo tom orgânico do piano e do violão.

“Algumas das músicas refletem bastante coisas que têm acontecido na minha vida, mas nem todas. Não precisamos pensar ou conversar sobre isso – simplesmente aconteceu”, conta Clarke, no que é complementado por Bell: “Quando você tem uma parceria de composição por tanto tempo, ela se torna muito profunda, quase uma conexão de almas. Você confia sua vida a essa pessoa e, devido à natureza da composição, você acaba expondo sua alma. Isso se torna um espaço sagrado”.

Um detalhe sobre a nova tour do grupo: o Erasure estará nos palcos apenas representado por Bell. Vince atua como diretor musical, mas prefere evitar a fadiga das turnês e não sair de San Diego, na Califórnia, onde mora hoje em dia. “Contei para o Andy, e ele me nomeou diretor musical, e eu pensei: ‘Que fantástico!’ Posso fazer todo o meu trabalho e toda a minha direção daqui, sem precisar sair da ensolarada San Diego”, afirmou.

“Estou muito feliz por termos conseguido encontrar uma maneira de a turnê funcionar para o Vince. Ele é sempre muito modesto, mas é muito mais do que o diretor musical. Vince é um dos grandes amores da minha vida e tudo o que fazemos como Erasure, decidimos juntos”, diz Bell.

E tá aí Wings of love, além da capa de Radio!! Radio!!, e das lista de faixas.

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Capa do álbum Radio!! Radio!!, do Erasure

01. Baby on the radio forever
02. Lucky boy
03. Wings of love
04. Listen to the beauty
05. Where out love hides
06. Star clouds
07. Where are all the people?
08. Holy!
09. Jealousy
10. There ain’t no place like home

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Marcioz mistura funk e art-pop para falar da precarização da música em “6/10”

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Marcioz mistura funk e art-pop para falar da precarização da música em “6/10”

RESUMO: Em 6/10, Marcioz cruza funk e art-pop para falar da desvalorização do trabalho musical e das relações entre artistas, público e mercado. A faixa antecipa o EP NIÚ MĂ.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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“Este primeiro single mergulha na relação entre música e público do ponto de vista de um músico trabalhador”, conta o cantor, compositor e produtor Marcioz, vindo do Rio e radicado em Berlim, falando de 6/10, faixa que puxa seu sexto EP, NIÚ MĂ, previsto justamente para 6 de outubro (“6/10”, sacaram?).

Uma curiosa mescla de funk e art-pop, com piano, cellos, vocais e batidões, 6/10 fala poeticamente do desespero, das contradições e da desvalorização do trabalho musical, que criam um ambiente cada vez mais restrito e precário. Versos como “vem lá de cima / me alucina / quando tu escolhe eu / no teu comando” trazem muito dessa vibe “de cima para baixo” do mercado musical.

“O nome da música se refere aos sistemas de classificação musical usados em sites como o RYM ou por críticos como Anthony Fantano e Pitchfork, sendo essa a classificação de um trabalho de uma classe subprotegida”, conta Marcio.

Por sinal, o termo “NIÚ MĂ” vem do chinês antigo e significa “vaca e cavalo”. “Este termo é atualmente usado na China para descrever trabalhadores como entregadores de comida, caixas de supermercado, faxineiros e outros principais agentes de mão de obra”, diz o texto de lançamento.

O EP terá outras três faixas, 30R$, Sem condições e Pelo no pelo. “Todas as músicas são sobre o desvio atual que está acontecendo com o trabalho e o capitalismo nos últimos 10 anos e como nós, trabalhadores, nos sentimos ou o sentimentalismo da injustiça no trabalho”, continua o texto.

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“Too late”: Earthquake Lights transforma fim de relacionamento em pop adulto

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"Too late": Earthquake Lights transforma fim de relacionamento em pop adulto

RESUMO: Com participação vocal de Nicole Zuraitis, o Earthquake Lights apresenta Too late, dueto sobre um relacionamento perdido que mistura soul, rock alternativo e arranjos orquestrais em produção analógica.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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A banda nova-iorquina Earthquake Lights apresenta Too late, single delicado que antecipa seu quarto álbum de estúdio, previsto para 2027. Com participação da cantora Nicole Zuraitis, a faixa olha para o fim de um relacionamento por dois ângulos diferentes: duas pessoas que se afastaram e, quando percebem o que aconteceu, já não conseguem recuperar o que ficou para trás.

A música, um pop adulto de fôlego, nasceu de uma melodia criada pelo vocalista e pianista Myles Rodenhouse ao piano. A banda costuma trabalhar primeiro na parte instrumental e deixar que a letra apareça depois. Aqui, o processo começou com uma melodia acompanhada por palavras improvisadas e a frase “it’s too late” (“é muito tarde”). Só então a história foi tomando forma.

A entrada de Zuraitis ajudou a completar esse diálogo. Depois de ouvir o refrão, a cantora escreveu o verso correspondente à perspectiva de sua personagem, transformando Too late menos em um dueto tradicional e mais em duas versões da mesma história que finalmente se encontram.

Musicalmente, Too late evita uma estrutura baseada em loops repetitivos, unindo referências que vão da música clássica a soul e rock alternativo. A banda cita Norah Jones e discos antigos de soul entre as referências para a faixa (opa: sem Wings e Elton John, afirmamos nós, esse som não teria sido feito, não).

A gravação também aposta em uma sonoridade cuidadosa. A mixagem foi feita inteiramente em analógico pelo engenheiro Russell Elevado, conhecido por trabalhos com artistas de soul, jazz e R&B. Phil Joly, ex-engenheiro-chefe do Electric Lady Studios, participa como coprodutor.

Too late funciona como uma primeira amostra do álbum que a Earthquake Lights pretende lançar no início de 2027. Formada em Nova York, a banda combina rock alternativo, arranjos orquestrais e soul, com uma queda por produções cinematográficas. Entre suas referências estão Radiohead, Pink Floyd e Steely Dan, enquanto algumas de suas gravações já tiveram cordas registradas no Abbey Road Studios.

A banda chega ao novo disco depois de três álbuns, incluindo Signs of life (2024), que entrou no Top 30 da Apple Music. Too late sugere que a próxima fase continuará interessada menos em seguir tendências do que em construir canções grandes, detalhadas e, neste caso, um pouco melancólicas.

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Último disco do The Fall vira disputa sobre o legado de Mark E. Smith

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Mark E. Smith, líder do The Fall (Foto: Reprodução)

RESUMO: Post script usa vocais inéditos de Mark E. Smith e chega como o último disco do The Fall, mas a noiva do músico contesta o lançamento e diz que ele queria encerrar a banda em New facts emerge (2017).

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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Até onde é legítimo terminar o disco de alguém que morreu? A pergunta ronda Post script, álbum que sai em 2 de outubro e está sendo anunciado como o “último disco oficial” do The Fall. Só que tem gente bem próxima de Mark E. Smith, criador do grupo (1957-2018), dizendo que não é exatamente assim.

Uma delas é Pamela Vander, noiva e última empresária de Smith. Ela afirma que o músico já havia decidido, antes de morrer, que New facts emerge, de 2017, seria o ponto final da discografia do The Fall. E Pamela não gostou nada de ver outro álbum aparecendo quase nove anos depois.

A história, contada pelo jornal britânico The Guardian, fica mais complicada quando se olha para a origem das gravações. Quando Post script foi anunciado, em junho, circulou a informação de que suas nove faixas vinham das últimas sessões do The Fall antes da morte de Smith, em janeiro de 2018. Só que os vocais foram gravados bem antes, entre 2001 e 2014. Ed Blaney e Simon “Ding” Archer pegaram esse material e criaram novos acompanhamentos.

É aí que Vander vê o problema. “Eles estão vendendo isso como ‘o último álbum’, então as pessoas vão pensar que Mark o fez em seu leito de morte, mas nada disso (em termos de vocais) foi feito depois de New facts emerge”, afirmou.

Ela diz, inclusive, que guarda as verdadeiras últimas gravações de Smith — entre elas, imagine só, uma versão de Material girl, hit da Madonna. Para Vander, lançar o material antigo não seria um problema se ele fosse apresentado como parte dos arquivos do cantor. O que ela questiona é colocar The Fall na capa.

“A vida de Mark era complicada e ele era muito desorganizado quando se tratava de proteger seu legado. Eu era a empresária e nem sei quem detém os direitos sobre o nome ‘The Fall’. É uma tentativa de ganhar dinheiro fácil, apenas uma coletânea de sobras. Eu não me importaria se fosse lançado como ‘o arquivo de Mark E. Smith’ ou algo assim, mas há algo eticamente errado em lançá-lo como The Fall. Há algo eticamente errado em lançá-lo como The Fall”, diz.

Post script, vale dizer, tem a aprovação do espólio de Smith e será lançado pela Cog Sinister, gravadora criada por Mark em 1987. 30 degrees, a primeira amostra do disco, saiu em junho. Vá lá que Blaney e Archer também não são dois sujeitos que simplesmente encontraram umas fitas de Mark E. Smith e resolveram fazer um disco. Blaney tocou no The Fall no começo dos anos 2000, virou empresário e gerente de turnê do grupo, e ainda gravou com Smith o álbum Smith and Blaney, em 2008. Archer foi baixista da banda entre 2003 e 2004 e trabalhou como produtor ou engenheiro em oito dos nove últimos discos do The Fall.

Blaney diz que a ideia de Post script nasceu justamente dessa proximidade. “A intenção ao fazer este disco era prestar uma homenagem à altura de Mark/The Fall, porque os vocais estavam lá, esperando para serem bem aproveitados”, afirmou. E rebateu a acusação de Vander de que o projeto seria uma “tentativa de ganhar dinheiro”: “Palavras como ‘ganhar dinheiro em cima disso’ me fazem rir. Foi uma questão de amor e respeito por Mark: ele era o The Fall, e os vocais de Mark foram gravados como The Fall, por isso o disco está sendo lançado como The Fall”.

Archer, por sua vez, passou 12 anos acumulando gravações de Smith — algumas delas feitas de maneiras bastante pouco cerimoniosas. “Regularmente registrávamos as ideias mais recentes de Mark sobre qualquer base que ele achasse adequada naquele momento: um drone, uma batida de bateria, a cappella ou até no corredor, para testar a acústica”, escreveu no Facebook (o jornal diz que ele preferiu não dar entrevista). Algumas dessas ideias viravam músicas. Outras ficavam esperando. O material de Post script nasceu desse segundo grupo.

Ao ser contatado pelo The Guardian para comentar o assunto, Rob Ayling, diretor da Cog Sinister, disse que “o álbum fala por si só”. Archer também diz que houve confusão em torno da palavra “final”. “Nenhum de nós está tentando ser a formação definitiva. A palavra ‘definitiva’ na declaração original tinha a intenção de indicar que este será o último LP com gravações de estúdio inéditas”, escreveu. E antes de ser perguntado, ele respondeu à pergunta inevitável: isso é mesmo The Fall? “É The Fall? Bem, Mark é o The Fall, então sim, são músicas do The Fall. Se você não está convencido, não compre”, afirmou.

Vander inicialmente preferiu ficar fora da discussão por estar há anos afastada dos negócios da banda. Ela viveu com Smith nos últimos três anos da vida dele, pintou a capa de New facts emerge e cuidou do músico durante sua luta contra o câncer. Mas acabou decidindo falar porque “isso estava me consumindo. Sinto que ainda é meu trabalho defender Mark”.

Se Mark E. Smith era, como diz Archer, o The Fall, basta existir uma gravação inédita dele para existir uma música inédita do The Fall? Mesmo que Smith, segundo Vander, tenha preferido encerrar a discografia da banda em 2017? Seja como for, Post script tá marcado para 2 de outubro.

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