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Cultura Pop

Del Shannon psicodélico

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Um dia, quando de repente os Beatles invadiram as paradas e os Rolling Stones não ficaram muito atrás, uma série de astros que tinham conseguido fazer muito sucesso no anos 1950, descobriram que estavam totalmente fora de moda. Pior ainda: alguns deles tinham não apenas perdido muito público, como também estavam sendo vistos por garotos que, às vezes, eram dois ou três anos mais novos do que eles, como astros ultrapassados e caretas.

A ideia do que era ser um astro pop nos anos 1950 era bem diferente da mesma profissão nos anos 1960. E isso foi ficando bem mais claro quando surgiu a era da psicodelia, com artistas lançando “discos conceituais”, gravando canções de duração extensa e usando instrumentos exóticos como cítara, dulcimer, mellotron e teremim. Aliás, alguns nomes dos anos 1950 e do começo dos anos 1960, pode acreditar, resolveram se adaptar às novidades e tentar emular o que eles achavam que era uma experiência musical psicodélica.

Entre eles, esteve ninguém menos que Del Shannon, o cara que fez sucesso pra burro em 1961 com o hit Runaway., e que depois de um certo momento deu uma sumida das paradas, após um momento em que o relacionamento com seus empresários azedou. O americano Del, meio ofuscado pelos astros que vieram dois anos depois do seu maior hit, acabou em 1965 fazendo uma curiosa gravação de Under my thumb, dos Rolling Stones, após ser contratado pelo selo Liberty.

Foi a partir daí que algumas coisas mudaram na vida de Shannon. Ele resolveu, na segunda metade da década, unir-se ao empresário dos Rolling Stones, Andrew Loog Oldham. Del assinou com o selo do executivo, Immediate, e começou a gravar um disco que sairia em 1967 com nome Home and away.

Os singles que saíram na frente não fizeram sucesso, e o disco foi engavetado e só foi lançado em 1978 com outra capa e outro título, And the music plays on. Em 2006, saiu com a capa planejada para o lançamento de 1967, e o nome original. O mais irônico da situação é que, apesar de Del ser americano do Michigan, a ligação com o britânico Oldham fez com que o disco fosse pensado como a resposta inglesa a Pet sounds, dos Beach Boys (!).

O cantor fez outra tentativa – dessa vez lançada nas lojas – com The further adventures of Charles Westover, de 1968. O disco (cujo título vinha do nome verdadeiro de Del) foi recebido como uma imitação de bandas como The Zombies. O blog The rising storm chega a comparar a primeira faixa, Thinking it over, com Care of cell 44, do disco Odessey and oracle, dos Zombies. De qualquer jeito, não deu certo e o disco vendeu bem pouco.

Mind over matter, single de 1967, é uma das melhores músicas dessa “psicodélica” de Shannon, e merece destaque.

A carreira de Del foi prosseguindo entre altos e baixos até a sua morte em 1990. O cantor chegou a ser contratado por selos como United Artists e Elektra. Nessa última gravadora, fez um retorno bastante legal e justo com Drop down and get me (1981), produzido por ninguém menos que Tom Petty, e cuja sonoridade colocava Del, então encostando nos 50 anos, próximo de artistas como The Cars e o próprio Petty.

E essa é Runaway, caso você nunca tenha ouvido (e claro que já ouviu!).

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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