Cultura Pop
Blue Whale: a “baleia azul” que você respeita

Para quem ficou assustado (com razão!) com essa história triste de “jogo da baleia azul”, segue aí uma baleia azul que merece todo o respeito. É a banda formada pelo superbaterista Aynsley Dunbar, em 1970, o Blue Whale, com o próprio nas baquetas, ao lado de Paul Williams (vocal), Ivan Zagni (guitarra), Roger Sutton (guitarra), Tommy Eyre (teclados) e Peter Friedberg (baixo). Esse grupo estreou numa turnê pela Escandinávia em janeiro de 1970 e o disco único da banda, “Aynsley Dunbar Blue Whale”, saiu poucos meses depois.

Se você nunca ouviu, prepare-se para conhecer uma excelente mistura de hard rock, jazz e progressivo que aponta para grupos como King Crimson (ele bem que tentou colocar Robert Fripp, do KC, na guitarra do grupo, mas não rolou) e para músicos extraordinários como Frank Zappa (por acaso o disco tem uma releitura de “Willie the Pimp”, de Frank e, não tão por acaso, Dunbar seria baterista do grupo dele, Mothers Of Invention, a partir daquele mesmo ano).
https://www.youtube.com/watch?v=45IyiUvCEkQ
Mais: se você leu “Aynsley Dunbar” e pensou “conheço esse nome de algum lugar, mas não sei de onde”, vai aí a resposta: é dos créditos da estreia do Black Sabbath, de 1970. A última (e enorme) música do disco, “Warning”, era co-escrita por Dunbar com a turma que tocava com ele no grupo Aynsley Dunbar Retaliation. A versão de Dunbar e seu grupo saiu, olha só, há cinquenta anos, num single. Dois anos depois, o Retaliation gravou seu primeiro disco, excelente.
A carreira de Dunbar é difícil de ser resumida em poucas linhas. Ele começou tocando violino aos nove anos (disse em entrevistas ter aprendido os rudimentos do instrumento sozinho), passou para a guitarra e resolveu construir uma bateria de latas e tornar-se baterista. Chegou a ser sondado por Jimi Hendrix para a bateria do Experience, mas acabou não ficando na banda. Sobre Hendrix, chegou a afirmar num papo com a revista Modern Drummer que o rei da guitarra “era grande quando começou. Mas caiu de cabeça nas drogas, acho que porque ele ficou de saco cheio. Toda vez que eu o via, ele estava fora de órbita, doidão”.
Dunbar tocou nos Bluesbreakers de John Mayall, mas como o patrão queria um baterista com pegada mais blues, optou por sair e se juntar ao Jeff Beck Group. Com Beck, que deixou Mayall na pindaíba (“ele só gostava de fazer shows um dia por mês!”), ele gravou poucos singles. Com Mayall e os Bluesbreakers, ele gravou (igualmente há cinco décadas) o excelente “A hard road”. Pega aí.
O lado classic rock de Dunbar não o impediu de se engraçar com a turma do glam rock nos anos 1970. Ele toca em discos como “Pin ups” (1973) e “Diamond dogs” de David Bowie, “Berlin” (1972), de Lou Reed, “Slaugther on 10th Avenue” (1974) de Mick Ronson, e “All american alien boy”, de Ian Hunter (1976). Passsou também pelo Jefferson Starship, pelo Whitesnake (ele é o baterista do baladão “Is this love”) e gravou os quatro primeiros discos do Journey. Por causa desse seu período no Journey, Dunbar se deu bem agora no começo de abril, já que a banda ganhou indução ao Rock And Roll Hall Of Fame.
Isso aí é um vídeo que alguém fez da plateia do Rock And Roll Hall Of Fame, com Dunbar (boje um senhor de 71 anos) na bateria do Journey, tocando “Lights”. Aproveite aí.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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