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Lançamentos

Bella Schneider lança EP acústico, “Ser”, e faz show na Alemanha

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Entre os sons acústicos e o pop rock, a cantora pernambucana Bella Schneider lança o EP Ser, com três faixas que, segundo ela, marcam seu passado, seu presente e seu futuro. A própria artista produziu o disco, e tocou os violões nas faixas James Dean e Sei du selbst – essa última, cantada em alemão, e uma homenagem à sua avó, que morreu na Alemanha em meio à pandemia. Tem também Wild/Selva, que esteve em seu disco de estreia, Ela, de 2020, e que ganha nessa versão a participação de Lígia Fernandes no violão de aço. Ser sai pelo selo Lab 344.

“Esse EP segue um modelo acústico, que eu me identifico tanto quanto em algo super produzido como o álbum Ela. Ser, no entanto, é mais cru, despido de qualquer véu ou filtro. Indo contra a corrente atual das redes sociais e trazendo a minha essência, o instrumento com o qual eu iniciei muitas das minhas composições, o violão”, diz ela, que recentemente fez um show em Groß-Gerau, na Alemanha, cidade natal de sua avó, no Kultur Café. Confira abaixo:

Crítica

Ouvimos: The Marías, “Submarine”

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Ouvimos: The Marías, "Submarine"
  • Submarine é o segundo álbum do The Marías, uma banda indie-pop de Los Angeles, formada pela cantora María Zardoya (que é portorriquenha criada na Georgia), pelo baterista e produtor Josh Conway, pelo guitarrista Jesse Perlman e pelo tecladista Edward James.
  • A banda começou a partir de um encontro entre María e Josh, numa casa de shows em Los Angeles – ela estave se apresentando e ele era o gerente. Começaram a compor juntos e iniciaram um namoro.
  • María era fã da cantora mexicana Selena quando adolescente, e conta que sua família estranhou quando ela decidiu cortar o cabelo muitos centímetros abaixo do normal. “Em Porto Rico todo mundo tem cabelo comprido. Quer dizer, é tudo uma questão de ir ao salão de beleza e fazer uma limpeza semanal. Mas eu queria mudar!”, disse aqui.

O nome “submarino” não é apenas figura de linguagem. A sonoridade do The Marías sugere mergulho sonoro, como se algo estivesse musicalmente submerso ou flutuando, graças ao tom dream pop das composições e da produção. É a onda deles em Submarine, disco tão luminoso musicalmente quanto angustiado nas letras (e em alguns vocais).

Como acontece em Paranoia, basicamente uma canção sobre falta de comunicação num relacionamento marcado por grilo em cima de grilo (“sua paranoia é irritante/agora tudo que eu quero fazer é fugir”). O hit Run your mouth, indie pop dançante e repleto de synths e linhas de baixo sintetizado, mostra a cantora Maria Zardoya irritada com a verborragia e o narcisismo de algum relacionamento: “você só me chama quando eu estou distante/sempre fala demais/e eu não quero ouvir”. Esse tom dramático (e meio enjoativo, às vezes) dá mais as caras nas canções em espanhol do disco, Lejos de ti e Ay no puedo.

O poder de atração de Submarine rola na combinação de vocais doces, sintetizadores e batidas, além de letras que sugerem frustrações com alguma falha na comunicação – e que dominam o álbum. Tipo em Real life, synth pop abolerado cuja letra mistura conversas pelo FaceTime, traições, mentiras e vontade de transar. Vicious sensitive robot lembra um Radiohead mais pop, ou uma mescla de Thom Yorke com Sade Adu – se é que isso é possível.

O baião-drum’n bass Hamptons parece um filme de Pedro Almodóvar e não é à toa, em se tratando de uma banda que já lançou uma música chamada Hable com ella. O tema dos relacionamentos virtuais que trazem frustração atrás de frustração reaparece na baladinha No one noticed. Nem tudo é tão brilhante em Submarine, mas as surpresas são muitas.

Nota: 7,5
Gravadora: Nice Life/Atlantic

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Crítica

Ouvimos: Knocked Loose, “You won’t go before you’re supposed to”

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Ouvimos: Knocked Loose, "You won't go before you're supposed to"
  • You won’t go before you’re supposed to é o terceiro disco do Knocked Loose, banda do Kentucky normalmente definida como metalcore. 
  • O grupo existe desde 2013 e de lá para cá já perdeu dois bateristas – vale citar que é um cargo que exige muito do integrante, já que a porrada ali é séria em todas as faixas. Atualmente a banda conta com Bryan Garris (voz), Isaac Hale (guitarra solo, voz), Kevin Otten (baixo), Kevin “Pacsun” Kaine (bateria) e Nicko Clsderon (guitarra base, voz).
  • “A capa do disco e (a música) Blinding faith não se aplicam apenas à religião. É sobre qualquer coisa que se eleve sobre você, qualquer coisa que seja inevitável na experiência humana normal. De onde eu venho, você vai passar por igrejas que são os prédios mais caros da sua cidade, entende o que quero dizer?”, diz Bryan aqui.

Não é apenas som pesado, é uma tormenta musical, no melhor dos sentidos. A receita do metalcore do Knocked Loose envolve gritos, vocais guturais, gorgolejos, guitarras altíssimas e mixadas em pé de igualdade com os ataques da bateria, e tensões dignas de um filme de suspense – e não exatamente de um disco de som pesado. O que significa dizer que faixas como Blinding faith, Thirst e Suffocate têm barulhos que pegam o ouvinte de surpresa. Há passagens que lembram mais o eletrohardcore e o grindcore de bandas como o Locust, ainda que o som do Knocked Loose seja bem mais orgânico.

You won’t go before you’re supposed to traz pouco menos de meia hora de som e, só pela lembrança da podridão sonora do Locust, dá para ter uma ideia de que se trata de uma banda de metal bem pouco pop – mesmo se comparada a grupos como Slipknot e Pantera. O universo mostrado pelo quinteto no álbum é frio, cru e sem salvação: o KL mete o pau na hipocrisia das religiões, em gente falsa (Don’t reach for me tem os versos: “nenhuma mentira pode se espalhar com a língua removida/vou arrancar a sua língua”) e lança mão de histórias bem estranhas. Inclusive, consta que o título do disco vem de um conselho de gosto duvidoso que o vocalista ouviu de uma senhorinha, enquanto se cagava de medo durante o primeiro voo da banda depois da pandemia.

Suffocate, por sua vez, é ameaçadora: uma bateria que soa como tiros, ou várias explosões, e a combinação dos vocais de Bryan Garris e da cantora-youtuber Poppy, em versos como “eclipsando o peso/estrangulado por cada erro/(…) vou cavar até encontrar a porra da raiz/que sofri por sua causa”, guiando o timão do álbum para um lado pessoal que coloca o Knocked Loose um pouco mais próximo do punk anos 1990 ou do emocore. Não há momento tranquilo no disco, mas a vinheta-de-dois-minutos Take me home tem um papel parecido com o de Lookaway no clássico Roots, do Sepultura – um pouco de experimentalismo amaciando a porrada.

Do meio para o final, The calm that keeps you awake (que curiosamente lembra o estilo de Iggor Cavalera, ex-Sepultura, na bateria) e Sit & mourn trazem mais introversão para o disco – mas só na letra. Musicalmente, ambas são quase uma demolição, ainda que essa última tenha quase um minuto de toques tranquilos na guitarra, ao começar.

Nota: 8,5
Gravadora: Pure Noise Records

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Crítica

Ouvimos: 9-Volt Velvet, “Nude beaches”

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Ouvimos: 9-Volt Velvet, "Nude beaches"
  • Nude beaches é o primeiro álbum da banda texana 9-Volt Velvet, formada por Mark Cross (vocal, guitarra, baixo, teclado, percussão), Donnie Robertson (bateria, percussão, teclado) e Kevin Robinson (guitarra, baixo, teclado, vocal). O álbum foi gravado numa imersão de três semanas num estúdio em Dallas.
  • A banda tem influências assumidas de grupos como The Cure, Sonic Youth, Swervedriver, The Jesus & Mary Chain, DIIV e The Velvet Underground. O repertório do disco tem até uma regravação do Jesus, Blues from a gun (lançada originalmente no disco Automatic, de 1989).
  • O disco sai junto com um single de vinil de tiragem limitada com Riptide no lado A e Hey candy no lado B.

O 9-Volt Velvet trabalha numa área parecida com a do Jesus and Mary Chain e a do Black Rebel Motorcycle Club – referências mais encontráveis no som deles. Além de uma coisa ou outra ligada a uma matriz comum das bandas mais incômodas do mundo, o Velvet Underground (note o nome do grupo).

Não chega a ser uma banda das mais originais, mas diverte: as canções são ruidosas, sussurradas (muitas vezes mal dá para entender as letras) e a sonoridade varia entre shoegaze, surf music e pós-punk. Músicas como Tropicalia, Riptide e Brainwaves abrem com distorções e microfonias. No caso da segunda, vem na sequência um riff de baixo lembrando Joy Division e Gang Of Four – o uso ágil do instrumento, como no rock de Manchester dos anos 1970/1980, marca basicamente todo o álbum.

Na versão do disco que foi para o Bandcamp do grupo, surge Blues from a gun, música de 1989 do Jesus and Mary Chain, em duas releituras: uma delas mais ruidosa, a outra mais tranquila. O repertório autoral do grupo, por sua vez, soa como uma ida noturna e chapada à praia, em canções como Hurricane brain, a já citada Riptide e Floating away, canções mais tranquilas como Storm (Where’s my sunny day) e sons rápidos com cara punk, como Beach ball e Blood sugar rush. A curiosidade é o tom quase metaleiro, lembrando Black Sabbath, de Hey candy.

Nota: 7,5
Gravadora: Shore Dive Records

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