Cultura Pop
A comédia de Snoop Dogg na MTV

Doggy Fizzle Televizzle é provavelmente um item de cuja existência os fãs do rapper Snoop Dogg precisam ser lembrados, mas existiu: aproveitando a virada da MTV para o segmento de reality shows e comédias, o artista ganhou seu próprio programa ultrajante na estação. Era uma comédia de esquetes, que ficou no ar de 2002 a 2003, mas que durou apenas oito episódios, cada um de aproximadamente meia hora.
Como qualquer pessoa podia esperar no caso de um programa protagonizado por um sujeito como Snoop Dogg, tinha polêmica. Logo no primeiro programa, Snoop mostrou partes desfocadas de seus vídeos mais censurados da MTV. Em outra ocasião, apresentou o Wake N’ Bake Oven, um brinquedo de plástico para crianças que faz biscoitos de maconha (!).
Em outros episódios, também espalhou brasa para temas como racismo (um dos esquetes mostrava Snoop, com uma turma, dedicand0-se a converter adoradores da cultura do rap branco) e haters (lançou o Hate-A-Rade, uma paródia do Gatorade para odiadores). Também comemorou o “dia nacional de apreciação do pimp” (cafetão), fez uma visita à Mansão Playboy, e apresentou a história da cultura americana por intermédio dos artistas negros, como Little Richard.
Em se tratando de Snoop, não daria para pensar em economia de palavrões: o programa teve vários bips substituindo expressões chulas, ao longo dos oito episódios (e esse texto só foi feito para informar que estão todos no YouTube).
“Não são tantos bips quanto na série The Osbournes. Não é desagradável, é tudo de bom gosto”, disse o rapper num papo com a Associated Press. O cantor só entrou no projeto quando viu que teria controle total sobre tudo. “Eu não pensei que estava pronto para a TV, porque a TV coloca parâmetros e limites sobre você, você não pode realmente fazer o que quer fazer, ou dizer o que quer dizer. Eu não gosto que me digam o que fazer e o que não fazer”, disse.
Pouco antes de Doggy Fizzle Televizzle, Snoop resolvera (er) diversificar atividades. Lançou Snoop Dogg’s Doggystyle (2001), um filme de 86 minutos dirigido por Larry Flynt e lançado pela Hustler Magazine, que misturava clipes e pornografia, com participações de atores pornôs profissionais. O filme foi feito na casa do rapper, mas ele mesmo não protagoniza os momentos de (digamos) ação. A ABC na época ficou chocada e disse que Snoop estava levando a cultura pornô para as crianças. Caso você tenha interesse. o filme está naquele site safadinho que começa com x.
Por acaso, uma matéria da Entertainment Television dizia que o namoro de Snoop com a MTV daria em casamento, com vários lançamentos e até mesmo um disco, Malice n wonderland, que sairia por um contrato de distribuição com a emissora. Não foi o que rolou, Snoop virou executivo da Priority Records e soltou o disco por lá mesmo.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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