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Lançamentos

Nação Zumbi lança nova versão de “Da lama ao caos” para a trilha da série “Cangaço novo”

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A Nação Zumbi disponibiliza uma nova versão do seu hit Da lama ao caos, gravado e composto ainda sob a liderança de Chico Science. A nova gravação foi produzida exclusivamente para Cangaço novo, nova série original Amazon, que ganhou trilha sonora composta por artistas da cena musical contemporânea assinada por Beto Villares, Érico Theobaldo & Submarino Fantástico (coletivo formado pelos músicos Otavio Carvalho, Kezo Nogueira, Ingo André e Cauê Gas), com participação de Siba e Allen Alencar. Todas as 16 faixas são originais da série e foram compostas, ou tem novas versões gravadas exclusivamente para Cangaço Novo.

A música sai através do Manguefonia, um dos projetos da Nação Zumbi que celebram o movimento Manguebeat. Participaram da gravação realizada este ano no Fábrica Estúdios, em Recife/PE, Jorge Du Peixe (vocal), Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias e Da Lua (alfaias), Vicente Machado (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra).

O projeto Manguefonia conta com vários expoentes da cena Mangue, como Siba Veloso (Mestre Ambrósio), Fred 04 (Mundo Livre), Cannibal (Devotos do Ódio) e Fábio Trummer (Eddie), além de Louise (filha de Chico Science), e tem a finalidade de executar os clássicos que marcaram a história de seus grupos e apresentar novas canções de seus últimos trabalhos.

Crítica

Ouvimos: Helado Negro, “Phasor”

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Ouvimos: Helado Negro, "Phasor"
  • Phasor é o oitavo disco do projeto norte-americano Helado Negro, criado pelo compositor, cantor, produtor e beatmaker Roberto Carlos Lange. Nascido na Flórida, Roberto é filho de imigrantes equatorianos, estudou arte digital e design de som, e quando adolescente, era fascinado pelo experimental (e maravilhoso) Liquid television, central de vídeos experimentais da MTV.
  • Roberto (cujo nome, não dá pra negar, tem raízes brasileiras) tem, sim, influências de música latina. Mas rejeita estereótipos. “Muitas das coisas que minha família compartilhou comigo foram nostálgicas – mas também proporcionaram a compreensão de que os Estados Unidos não são o único lugar que faz música”, diz aqui.
  • Roberto Carlos Lange já gravou seu xará mais famoso. O EP Pasajero (2010), lançado como um presente para seus pais, tem duas versões do LP em espanhol Canta a la juventud, lançado pelo Rei em 1965: Jurame e Rosita.

O som do Helado Negro é experimental e contemplativo – tem essa última característica até mesmo quando Roberto Carlos Lange (que é “o” Helado Negro, enfim) adota loops frenéticos e batidas mais dançantes. Ouvido de fone,  parece um som dançante que não é feito para dançar, mas para ouvir com calma, prestando atenção nos vocais agudos e introvertidos, nas letras que dão uma noção de paraíso romântico (afinal, é o disco de I just want to wake up with you), nas melodias que parecem tanto herdeiras de Brian Eno e Kraftwerk quanto de Mutantes. Por acaso, os três surgem como lembrança no quase-samba eletrônico Out there e no folk misterioso de Flores.

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O principal não apenas de Phasor quanto de vários álbuns anteriores do Helado Negro é a disposição para criar um paraíso em que nada pode incomodar ou estressar o ouvinte. É o que surge no balanço dream pop de Best for you and me, na bossa folk eletro-acústica Colores del mar, no mantra Echo tricks me e no soul psicodélico Es una fantasia. A audição detalhada de Phasor revela até mais o compositor do que o beatmaker, com Lange escondendo surpresas nas melodias à moda de Arthur Verocai. Como cantor, tem um registro calmo que (olha só!) lembra às vezes um saudoso amigo de seu xará mais ilustre, Erasmo Carlos (Flores faz lembrar um pouco Minha gente, lado-B do Tremendão de 1972).

Em Phasor, Lange surge como um pesquisador monstruoso de música eletrônica. O álbum traz elementos musicais criados por ele quando tomou contato com a “máquina de composição” do Sal-Mar, sintetizador criado em 1969 e usado como material de pesquisa. Além disso, homenageia a compositora de música eletrônica e criadora do conceito de “deep listening” Pauline Oliveros na bela faixa de abertura, LFO (Lupe finds Oliveros). Uma chave de compreensão daquelas: Helado Negro abriu seu novo disco fazendo referência à audição profunda e concentrada, em tempos de faixas curtas, artistas lançados aos borbotões e royalties contados nas plataformas digitais.

Nota: 8
Gravadora: 4AD

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Bill Ryder-Jones, “Iechyd da”

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Ouvimos: Bill Ryder-Jones, "Iechyd da"
  • Iechyd da é o quinto disco do britânico Bill Ryder-Jones, co-fundador da banda The Coral, na qual esteve até 2008. É o primeiro disco dele em cinco anos. Num papo com o site The Quietus, ele afirma que o novo álbum tem a mesma energia do seu segundo disco solo, A bad wind blows in my heart (2013), gravado com a filarmônica de Liverpool.
  • O título do disco significa “boa saúde” em galês. Manter a saúde em dia tem sido uma preocupação de Bill, que tem síndrome do pânico e se tornou dependente de remédios durante a pandemia, período em que também teve um relacionamento desfeito. Numa ocasião, passou bastante mal ao misturar remédios com bebida alcoólica, e precisou ser hospitalizado – seu amigo Anthony, homenageado no álbum com Thankfully for Anthony, passou em sua casa e o levou.

Iechyd da, novo álbum do cantor britânico Bill Ryder-Jones, talvez apresente a primeira homenagem de um artista estrangeiro a Gal Costa. E que homenagem: I know that it’s like this (Baby) é um folk-rock orquestral, doído de tão melancólico, feito em torno do refrão de Baby, de Caetano Veloso, na versão da cantora baiana gravada em seu epônimo primeiro álbum solo (1969). O refrão “baby, eu sei que é assim” acomoda-se à faixa, e o próprio nome da cantora é citado na letra – como corruptela da palavra “girl”, mas como referência forte no verso “Gal, se você estiver ouvindo, há algo que você deveria saber/eu sei que é assim”.

I know that it’s like this é só o começo de um álbum que soa como um verdadeiro mergulho na música e no imaginário de Bill, um compositor bastante influenciado pelos anos 1960 (Beach Boys, Van Dyke Parks, Mutantes), um cantor na mesma escola rouca de Mark Lanegan e J Mascis, e um letrista que varia entre tristeza, romantismo, otimismo e cinismo em escalas quase iguais. Tanto que Iechyd da fala bastante de recomeços e de esperança, passeando por várias lembranças de bandas queridas de Bill nas letras (como o verso “caminhei a noite toda até a lua assassina”, citando The killing moon, do Echo and The Bunnymen, de This can’t go on).

O som de Iechyd da vai além do “rock adulto” e, em vários momentos, traz curiosas lembranças do pop de rádio dos anos 1960 e 1970. Não fosse pelos vocais graves e quase mastigados, This can’t go on daria uma bela canção de rádio AM ou de trilha antiga de novela, graças às cordas e à presença de um vocal operístico – embora a letra tenha versos impublicáveis como “quero foder, preciso de um pouco de cuidado/preciso disso agora, quero diversão”.

O lado beach boy do disco surge nas belas e sobrenaturais Christinha e We don’t need them. Um clima análogo ao country rock do começo dos anos 1970 aparece em faixas como If tomorrow starts without me e I hold something in my hand. E um lado bem mais introspectivo aparece nas baladas de piano A wind blows in my heart pt 3 e How beautiful I am. A primeira fala sobre o fim de uma relação disfuncional, em que uma pessoa só procura a outra quando precisa dela. A segunda é um reforço na autoestima de Bill (“ela me diz o quão bonito eu sou/eu penso nisso o tempo todo”).

A preocupação evidente de Bill foi a de fazer um disco belo e emocionante, do tipo que pode fazer chorar – e pode dar alento. No final, Thankfully for Anthony, sua homenagem a um amigo que o ajudou na época em que mais precisou de pessoas do seu lado, complementa a mensagem esperançosa do álbum.

Nota: 9
Gravadora: Domino

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Sonic Youth, “Walls have ears”

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Ouvimos: Sonic Youth, "Walls have ears"
  • Walls have ears é a “oficialização” de um disco pirata do Sonic Youth, lançado originalmente em 1986, e que traz uma coletânea de shows do grupo na Inglaterra.
  • No disco, as faixas de 1 a 7 foram gravadas em 30 de outubro de 1985, em Londres. A faixa 8 foi gravada ao vivo em 8 de novembro de 1985, em Brighton. Da 9 a 17, tudo foi gravado em Londres em 28 de abril de 1985.
  • Na época, o Sonic Youth tinha Lee Ranaldo (guitarra, voz), Thurston Moore (guitarra, voz), Kim Gordon (baixo, voz) e Bob Bert (bateria).
  • Separado desde 2011, quando Kim descobriu um caso extra-conjugal de Thurston (tal fato acabou com a banda e, claro, com o casamento dos dois), o SY vem fazendo alguns lançamentos “póstumos”. A banda já lançou um disco com um show em Moscou em 1989 e uma apresentação em Chicago em 1995, por exemplo.

O Sonic Youth lá por 1985, quando ainda era um prodígio do rock independente norte-americano, e especializava-se mais em táticas de choque musical, era uma banda bem diferente. O SY nunca deixou de ser uma banda que usa o barulho pra se comunicar, mas era um grupo mais ruidoso, mais provocador, com uma política mais demolidora – expressada no terceiro disco, Bad moon rising, um ataque às obsessões dos Estados Unidos e à história do colonialismo, e até hoje um dos álbuns mais instigantes do grupo.

Justamente por isso, vá com calma a Walls have ears, álbum pirata com gravações de 1985 feitas na Inglaterra, lançado oficialmente apenas agora. É basicamente uma onda meio no wave meio pré-punk, tirada diretamente do palco para vinil, CD ou plataforma digital – e com estridência suficiente para assustar quem ouve de fone, e para atordoar quem ouve tudo no volume máximo.

O noise rock que o grupo fazia nessa época, pode acreditar, veio de uma decisão comercial – o grupo fazia um som bem mais anticomercial ainda, e decidiu chegar perto do experimentalismo “novaiorquino”, com ligeiras tendências a soar próximo também das bandas de Detroit (o terror espacial de Starship, música de 1969 do MC5, parecia ter dado o tom de boa parte das músicas do SY nessa época).

Já que uma música do clássico Kick out the jams, do MC5, foi citada, vale dizer que Walls have ears, assim como o disco da banda pré-punk, começa com um falatório – na verdade, um discurso de dois minutos do punk norte-americano Claude Bessy, reclamando que o selo britânico Rough Trade se recusara a lançar um disco do SY na Inglaterra por causa de sua capa, considerada obscena. Na sequência, o repertório da fase inicial da banda surge entre aplausos e vinhetas, incluindo Kill yr idols, I love her all the times, Death Valley 69, a barulheira de Brother James, em versão bem mais furiosa do que a registrada em disco.

O Sonic Youth estava começando sua carreira como uma espécie de cópia em negativo de Bruce Springsteen, um artista que por mais que seja crítico em relação à sua terra, transpira orgulho. O SY, por outro lado, se dedicava a mexer em fantasmas norte-americanos dos mais esquisitos, e a incomodar quem ainda tinha um pouco de esperança no futuro do país. Virou um baluarte do rock alternativo (título dado a eles pela MTV) e um farol para muitas bandas novas – foi por vários anos um grupo alternativo que havia sobrevivido numa gravadora de porte, a Geffen. É a história contada, em seu começo, aqui.

Nota: 8
Gravadora: Goofin’ Records

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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