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Lançamentos

Uyara Torrente canta Lulu e Hermes Aquino no álbum “Montada em seu cabelo”

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Uyara Torrente estreia com "Montada em seu cabelo"

Cantora, atriz e compositora paranaense, e integrante da Banda Mais Bonita da Cidade, Uyara Torrente acaba de lançar seu primeiro disco solo, Montada em seu cabelo. O álbum de Uyara vem com uma visão particular de MPB fundamentada em sons eletroacústicos, às vezes dançantes, em músicas como Ela vem, Eu vou sequestrar você e Pequi.

O repertório tem também releituras de músicas como Nuvem passageira (de Hermes Aquino, sucesso da antiga novela O casarão, em versão levemente eletrônica), Caracajus (Chico César) e Sereia (Lulu Santos). “Nuvem ficou anos guardada dentro de mim, tenho uma memória de infância. Esse refrão aparecia direto na minha cabeça, durante a vida toda, quando fui gravar o disco o nome dela se iluminou como um letreiro, voltei pra letra, afirmei as identificações que sinto, e pronto, fazia todo sentido”, conta. O material inclui também duas músicas de Lucas Vasconcellos, Pudera (parceria com Leticia Novaes) e Eu vou sequestrar você.

“O disco nasce de um desejo muito genuíno de entendimento, de desafio. A Banda Mais Bonita da Cidade me apresentou pra mim mesma como cantora, eu virei cantora ali, no susto”, conta Uyara no texto de apresentação do disco. “Antes disso, nunca imaginei que eu poderia assumir esse lugar, e isso foi fazendo cada vez mais sentido ao longo dos anos”.

“Cantar definitivamente tinha virado minha vida, minha melhor vida, mas junto com essa afirmação, vinha também a curiosidade de entender então que cantora eu era para além da Banda Mais Bonita (que sempre foi meu grande suporte), que músicas? Que estética? E se cantar me faz tão bem por que viver isso de apenas uma maneira, em um único lugar? Fazer esse disco foi como montar um quebra cabeça de mim mesma”, completa Uyara (Foto: Marco Novack/Divulgação)

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Crítica

Ouvimos: Hawkwind, “Stories from time and space”

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Ouvimos: Hawkwind, "Stories from time and space"
  • Stories from time and space é o 36º álbum da veteraníssima banda britânica de space rock Hawkwind. O grupo hoje é um quinteto, apresentando o fundador Dave Brock (voz, guitarra, teclados) ao lado de Richard Chadwick (bateria), Magnus Martin (guitarra, teclados), Thighpaulsandra (teclados) e o novato Doug MacKinnon (baixo), que entrou em 2021. O disco tem versões em CD e vinil duplo e a banda já está em turnê. No Bandcamp dá pra acompanhar tudo.
  • Você deve lembrar: Lemmy Kilmister, que depois fundou o Motörhead, foi baixista do Hawkwind por alguns anos na primeira metade da década de 1970. Na primavera de 1975, o grupo estava em turnê, e partia dos Estados Unidos para o Canadá, quando o músico foi pego pela polícia com anfetaminas. O músico foi preso por dois dias, e depois foi expulso do grupo. Brock contou ao jornal The Telegraph que quando o carro da banda foi abordado pela polícia, o baixista estava trêbado, encostado na porta, e caiu no chão assim que os meganhas abriram o veículo.

Não se deixe enganar pela primeira faixa desse Stories from time and space, já que Our lives can’t last forever é uma balada pianística lembrando Van Der Graff Generator ou Emerson, Lake and Palmer. O Hawkwind, que permaneceu muito vivo após a saída do ex-baixista Lemmy Kilmister – que, você deve saber, notabilizou-se mais por ter criado o Motörhead – fica mais reconhecível a partir da segunda faixa, um space rock tribal chamado The starship (One love one life). Entre canções completas, passagens instrumentais e vinhetas, o Hawkwind que surge ainda é psicodélico, ainda prega sustos no ouvinte, ainda alterna odisseias espaciais e bad trips como em discos dos anos 1970. Dave Brock, líder, vocalista e fundador da banda, aos quase 83 anos, fala no disco novo sobre vida, morte e o que existe entre uma coisa e outra.

Para quem do Hawkwind só conhece a lenda, ou no máximo lembra de músicas como Silver machine (que tem até clipe!) vale a informação de que a banda é extremamente ativa – só de 2016 para cá foi quase um disco por ano. Aquele grupo que unia progressivo, psicodelia e pré-punk, e que foi definido por Mick Jones, do Clash, como “a banda progressiva que os punks podiam gostar”, hoje soa como um King Crimson mais distorcido no prog jazz de What are we going to do while we’re here), lança mão de outras baladas espaciais (nas belas Till I found you e Re-generate, e na épica Traveller of time & space). Também une tramas de guitarras e teremins apitando, na psicodélica The tracker, e encerra com um trio de faixas, The black sea, Frozen in time e Stargazers, que dão mais reforço ainda à ideia de “aventura espacial” do disco.

Para gostar do Hawkwind hoje em dia você precisa ser um pouco mais fã de rock progressivo do que a média – aquele grupo esquisito, que chegou a ter um baixista vida louca (Lemmy, enfim), ficou no passado. Mas é interessante notar em algumas passagens do disco novo o quanto bandas como Melvins e Queens Of The Stone Age devem ao estilão do veterano grupo britânico.

Nota: 7,5
Gravadora: Cherry Red

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Lançamentos

A Última Gangue: supergrupo carioca lança EP ao vivo exclusivo no Bandcamp

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A Última Gangue: supergrupo carioca lança EP ao vivo exclusivo no Bandcamp

Quem está de volta é o pessoal do super grupo carioca A Última Gangue. Após lançar quatro singles, o grupo solta um EP ao vivo, lançado apenas no Bandcamp, com três faixas. Todas foram gravadas no estúdio-casa de shows carioca Audio Rebel por Gustavo Lobo em agosto de 2023. Lobo solitário e A cidade e as flores são inéditas, enquanto Triste domingo já havia sido lançada anteriormente em sua versão de estúdio.

O grupo circula hoje em dia com uma formação que inclui Greco Blue (Os Azuis) na voz, Luiz Gustavo (Lâmmia) no baixo e vocais, kaducarloX (Second Come) na bateria e Xande Farias (Nebulosa) na guitarra. No EP, a formação ainda inclui o ex-guitarrista Bernar Gomma (Beach Combers) na guitarra e vocais.

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Crítica

Ouvimos: The Dandy Warhols, “Rockmaker”

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Ouvimos: The Dandy Warhols, "Rockmaker"
  • Rockmaker é (pode acreditar) o décimo-segundo álbum de estúdio dos Dandy Warhols, banda norte-americana conhecidíssima por causa do hit Bohemian like you.
  • O grupo formado por Courtney Taylor-Taylor (voz, guitarra, teclado), Peter Holmström (guitarra, backing vocals, teclados, baixo), Zia McCabe (teclados, baixo, percussão, backing vocals, guitarra) e Brent DeBoer (bateria, guitarra, baixo, backings) está vindo ao Brasil – toca no dia 13 de junho, no Carioca Club, em São Paulo. E (pode acreditar também!) está completando 30 anos.
  • O disco tem participações de Frank Black, Slash (Guns N Roses) e Debbie Harry (Blondie).

Dandy Warhols, os caras de Bohemian like you. Aquele hit que você já dançou um trilhão de vezes na pista – se bobear, esteve na semana passada numa festa em que o DJ soltou essa pérola, que soa quase como se o Blur decidisse abraçar uma mescla de rock dançante e toques glam. Problema é que esse é só um lado (e talvez o mais público) do DW, uma banda que sempre teve uma relação de amor e ódio com uma banda bem esquisita, o Brian Jonestown Massacre, e cujos álbuns são pérolas da neo-psicodelia e da variedade. Aquele tipo de disco que começa de um jeito, acaba de outro, e passa por várias nuances sonoras no meio do caminho.

Não custa lembrar que esse Rockmaker marca a volta do grupo para as canções, após o quarteto fazer um álbum de três horas (Tafelmuzik means more when you’re alone, de 2020) que tinha uma faixa de trinta minutos. E não deixa de ser um disco bem maluco e experimental. Rockmaker não tem nenhum hit óbvio como Bohemian like you, que na prática é um dos raros hits óbvios deles. O disco atira para o rock herdado do punk e do glam, com tendências “espaciais” (graças à gravação de vocais e aos ruídos disparados por guitarras e teclados), especialmente no single Danzig with myself (com Frank Black fazendo vocais), em I’d like to help you with your problem (que traz solos de guitarra de Slash e soa como Jimi Hendrix Experience pré-punk), ou em canções loureedianas como Teutonic wine.

Para rolar na pista de dança, o álbum traz a precisão rock-eletrônica de The cross, o punk melódico Love thyself, e o boogie-punk irônico de The summer of hate, com vocais no estilo de Iggy Pop. O lado stoner da banda surge na bizarra Alcohol and cocainemarijuananicotine e na estranheza de Real people. Debbie Harry dá o ar da graça em I will never stop loving you. Uma canção (er) galante, que soa quase como uma vinheta tamanho-família, encerrando o álbum – e poderia ter alguns minutos a menos.

Nota: 7,5
Gravadora: Sunset Blvd/Beat The World

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