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Lançamentos

Urgente!: E a música nova do T. Rex?

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1975 foi um ano difícil para Marc Bolan (1947-1977), líder da banda glam britânica T. Rex. Seu grupo ainda tinha bastante prestígio, mas não vendia mais discos como antes

1975 foi um ano difícil para Marc Bolan (1947-1977), líder da banda glam britânica T. Rex. Seu grupo ainda tinha bastante prestígio, mas não vendia mais discos como antes. Zinc Alloy and the Hidden Riders of Tomorrow, uma espécie de Ziggy Stardust tardio e particular lançado em 1974, era um ótimo disco mas esteve longe de ser considerado um clássico por críticos e fãs. Bolan vivia uma fase diferentona em sua carreira, durante a qual procurava explorar as possibilidades da união de rock e funk – uma mudança que, pouco depois, gerou até canções com vibe disco.

Foi nesse ano que Bolan pôs nas lojas uma de suas maiores ousadias: Bolan’s zip gun, lançado em fevereiro de 1975, era o décimo disco do T. Rex, e era também um passo à frente da fórmula glam boogie que havia marcado o grupo. Com sua esposa Gloria Jones fazendo backing vocals e tocando clavinet na banda, Bolan fazia uma mescla de glam, soul, blues, gospel e rock nostálgico – algo que já até rolava em clássicos como Electric warrior (1971), mas que aqui ganhava uma outra aparência sonora.

Não custa dizer que Bolan estava adiantando várias coisas nessa época, e que discos como Zinc Alloy e Zip gun são a cara de bandas como The Cure, Ultravox e Fontaines DC. Mas na época não deu tão certo. Muitos críticos e fãs ficaram insatisfeitos com Zip gun, um turma enorme enxergou no disco um baita retrocesso e Bolan, que passava por uma fase de excessos (de drogas, bebida e até de junk food), sentiu o golpe. Na real, já vinha sentindo em 1974 durante as gravações do disco, que passaram por diversas etapas, rascunhos e refações, com várias músicas sendo deixadas de lado. Bolan tomou conta da produção, passou por três estúdios, convidou e desconvidou músicos etc.

Foi com Zip gun já nas lojas que Bolan gravou I’m dazed, música descartada do T. Rex, registrada por ele pela primeira vez nos estúdios Château d’Hérouville, perto de Paris, em março de 1975 – e depois, numa segunda tentativa, no Musicland Studios, em Munique, em 22 de abril de 1975. Essa segunda versão foi descoberta em antigos tapes de Bolan e lançada como um single novo do T. Rex. A gravação saiu no dia 30 de setembro, data do que seria o 78º aniversário do cantor. No mesmo dia, a English Heritage lembrou da data instalando uma placa azul em sua antiga casa em Londres.

A descoberta foi feita por Martin Barden, consultor da gravadora Demon Music, que estava catalogando tapes antigos de Bolan e esbarrou na faixa. “Quando tocamos o rolo e a voz de Marc surgiu, foi mágico. Desenterrar esta faixa completamente inédita, I’m dazed, depois de 50 anos, é como encontrar um tesouro escondido e é um verdadeiro presente para os fãs. Esta música foi gravada quando Marc vivia uma vida itinerante, atravessando fronteiras e continentes – e produzindo algumas das músicas mais inovadoras de sua vida. É um prazer compartilhar novas músicas depois de todos esses anos”, disse, segundo a Uncut.

De fato, a magia de Bolan reside em I’m dazed, uma canção entre o soul e o glam rock, que faz lembrar até mesmo a fase inicial do T. Rex – embora tenha um riff de órgão que, combinado com guitarra, baixo e bateria, acabe dando uma vibe funkeada e experimental para a faixa. O clima espiritual e psicodélico da letra, por sua vez, lembra de Syd Barrett a Bob Dylan, passando por John Lennon.

Tá a fim de ter esse single em vinil? Bom, dia 7 de novembro I’m dazed sai em compacto de 7 polegadas, em edição limitada, com outra raridade de Bolan, Billy Super Duper, no lado B. Corra pra conseguir o seu (e não discuta preço, vai ser caro mesmo…)!

Texto: Ricardo Schott – Foto: Capa do single

Lançamentos

Urgente!: E a trilha de “O morro dos ventos uivantes” feita por Charli XCX?

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Charli xcx

Em 2024, os fãs de Charli XCX se divertiram bastante conhecendo as dicas de filmes da cantora – isso porque alguém descobriu a conta dela na rede social de cinéfilos Letterboxd, na qual ela mostrava uma lista bem variada de filmes preferidos. No começo, houve certa dúvida sobre se a conta era autêntica ou fake (depois ela confirmou a veracidade com a mensagem “acho que minha conta vazou” numa rede social). Nessa semana, Charli XCX aproveitou até para divulgar no Letterboxd a tracklist do álbum Wuthering heights, com as músicas que criou especialmente para a trilha sonora do filme O morro dos ventos uivantes.

Um detalhe que chamou a atenção de vários fãs é que, além da participação de John Cale (ex-Velvet Underground) na já revelada House, tem ainda a voz de Sky Ferreira na música Eyes of the world. Como Sky tem só um álbum lançado em 2013 e está adiando seu segundo disco há anos, você pode imaginar a apreensão dos fãs dela.

Sky e Cale são as duas participações especiais da trilha, que além de House, também já revelou as músicas Chains of love e Wall of sound. A trilha tem 12 faixas e vai chegar às plataformas digitais no dia 13 de fevereiro, um dia após a estreia do longa-metragem. O filme tem direção da britânica Emerald Fennell e é estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, que faz o casal protagonista da história.

E aí embaixo, você confere a lista de músicas, além dos clipes das faixas já lançadas.

House feat. John Cale
Wall of sound
Dying for you
Always everywhere
Chains of love
Out of myself
Open up
Seeing things
Altars
Eyes of the world feat. Sky Ferreira
My reminder
Funny mouth

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Ouvimos: Nastyjoe – “The house”

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Banda francesa Nastyjoe estreia em The house com pós-punk sofisticado: vocais graves, guitarras nervosas e clima indie cerebral. Pode virar favorita.

RESENHA: Banda francesa Nastyjoe estreia em The house com pós-punk sofisticado: vocais graves, guitarras nervosas e clima indie cerebral. Pode virar favorita.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: M2L Music
Lançamento: 16 de janeiro de 2026

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Assumidamente referenciada em bandas como The Cure, Blur e Fontaines DC, a banda francesa Nastyjoe soa mais indie rock do que o grupo de Robert Smith e mais voltada ao pós-punk do que a banda do hit Country house – também soa mais cerebral que a fase atual do Fontaines. A cara própria deles está numa noção sofisticada de pós-punk, com vocais graves combinados a guitarras ágeis, baixos cavalares e bateria motorik.

  • Ouvimos: Bee Bee Sea – Stanzini can be alright

Esse som aparece nas faixas de abertura de The house, disco de estreia do grupo: a boa de pista Strange place e a maquínica faixa-título, que lembra bastante Stranglers nos timbres de guitarra. Por sinal, o Nastyjoe é uma banda nova recomendadíssima para quem curtia a base carne-de-pescoço do grupo punk britânico, com direito a vocais falados no estilo de Hugh Cornwell na gozadora Dog’s breakfast – uma crônica musicada em que um sujeito começa a sentir inveja de um cachorro na rua (!).

The house tem ainda uma curiosa mescla de Stooges e Psychedelic Furs (Worried for you), uma concessão às vibes góticas oitentistas (a anti-fofinha Hole in the picture, que prega: “estou de saco cheio de ser gentil”), breves lembranças do Wire (numa pérola krautpunk intitulada justamente… Wire), guitarras em meio a nuvens (as duas partes de Things unsaid), punk garageiro turbinado (Blood in the back) e som deprê e frio (Cold outside). Pode ser sua banda preferida, um dia. Ouça e fique de olho.

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Crítica

Ouvimos: Wet For Days – “Wet For Days”.

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RESENHA: Wet For Days, trio punk canadense de mães, mistura Ramones, L7 e Buzzcocks em disco de estreia pesado, feminista e sem paciência pra machos imbecis.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 9 de setembro de 2025

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“Banda punk rock de mães de Ottawa. Tendo seis filhos entre nós, nos unimos pelo amor ao rock and roll e por criar boas pessoas em um mundo difícil”. É assim que esse trio canadense define, mais do que seu som, seu propósito. Sarah (guitarra, voz), Steph (baixo, backing vocal) e Deirdre (bateria, backing vocal), as três do Wet For Days, somam emanações sonoras de bandas como Ramones, L7, Buzzcocks e Babes In Toyland em seu disco epônimo de estreia, e apresentam canções sobre sexo, feminismo, machos imbecis – e sobre não aturar gente imbecil de modo geral.

  • Ouvimos: Besta Quadrada – Besta Quadrada

A banda abre com as guitarras distorcidas e o clima Ramones de Wet for days, seguindo com o imenso “larga do meu pé!” de Alpha male e os riffs graves de Anxiety, punk rock numa onda meio Dead Kennedys, cuja letra fala em “cérebro bagunçado e taquicardia” e pede que a ansiedade fique bem longe. Lembranças de The Damned e Motörhead surgem nas furiosas On the run e Listen up, e sons entre os anos 1980 e 1990 dão as caras nas esporrentas Kill your ego e Smile. No final, lembranças ruins na ágil Bad date.

Wet for days ainda tem duas vinhetas fofas em que as integrantes aparecem interagindo com suas crianças: em Don’t worry be mommy, uma brincadeira com os versos de Don’t worry be happy, de Bobby McFerrin, vai fazer você ficar com um sorriso bobo na cara o dia inteiro. Mas o principal aqui é o peso.

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